O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do órgão que administrava a Faixa de Gaza havia quase duas décadas, abrindo caminho para que um comitê técnico palestino assuma a gestão civil do território.
Mohammed al-Farra, responsável pelo comitê de emergência governamental do grupo, formalizou sua renúncia e anunciou o fim do colegiado, medida apresentada como parte da implementação dos acordos já firmados e como forma de acelerar a transição administrativa. A informação foi confirmada por Ismail al-Thawabta, porta-voz do gabinete de imprensa do governo do Hamas, em declarações à AFP.
A função deverá ser assumida pelo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão criado no âmbito do plano apoiado pelos Estados Unidos para encerrar o conflito. O grupo, que governa Gaza desde que tomou o controle da região do movimento rival Fatah em 2007, vinha sinalizando desde o cessar-fogo de outubro passado que estava disposto a deixar a administração cotidiana do território, embora a questão de seu desarmamento continue sem solução.
Segundo o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, o movimento deu esse passo para retirar qualquer justificativa que a ocupação possa usar para manter sua presença militar na região. Ele afirmou que o grupo está pronto para repassar as responsabilidades administrativas ao novo comitê.
O presidente do NCAG, Ali Shaath, declarou nas redes sociais que o comitê está preparado para assumir suas responsabilidades assim que os recursos necessários estiverem disponíveis. Já Nickolay Mladenov, representante do Conselho de Paz criado por iniciativa americana, destacou que a decisão reforça a importância de concluir as negociações sobre o roteiro de implementação, chamando-a de elo entre as promessas feitas e sua execução prática.
Analistas ouvidos pela AFP consideram o gesto principalmente simbólico, já que o verdadeiro entrave nas negociações não é a existência do comitê governamental do Hamas, mas sim a resistência do grupo em aceitar seu desarmamento.
Israel, por sua vez, descarta qualquer retorno do Hamas ao poder em Gaza, mas por ora também rejeita que a Autoridade Palestina, que administra a Cisjordânia ocupada, assuma diretamente o controle do território. O NCAG permanece baseado fora de Gaza há meses, em razão de objeções israelenses à sua entrada na região.
A segunda fase do cessar-fogo, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada gradual das tropas israelenses, segue paralisada, com acusações mútuas de violação do acordo entre as partes. Desde a trégua de outubro, ao menos 1.072 palestinos morreram em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, enquanto o exército israelense contabilizou seis baixas no mesmo período.
*Com informações da AFP e Al Jazeera.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário