21 de maio de 2026

Lula vê ameaça de guerra na Venezuela e diz que EUA testam limites do direito internacional

Presidente compara cenário à Guerra das Malvinas, classifica intervenção como precedente perigoso e promete diálogo direto com Trump
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista à CNN. Palácio da Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert/PR

▸ Lula alertou na Cúpula do Mercosul sobre risco de intervenção militar dos EUA na Venezuela, destacando ameaça à segurança regional.

▸ Presidente brasileiro planeja conversar com Trump antes do Natal para evitar conflito militar na América do Sul.

▸ Mercosul adiou acordo comercial com UE por resistência da França e Itália; Bolívia entrou como membro pleno do bloco.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente Lula (PT) fez neste sábado (20), na Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), um dos alertas mais duros de seu terceiro mandato sobre a segurança regional. Em discurso incisivo aos chefes de Estado, Lula afirmou que a América do Sul voltou a ser “assombrada” pela presença militar de uma potência extrarregional e classificou como risco global a possibilidade de uma intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela.

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Ao traçar um paralelo histórico, o presidente evocou o trauma da Guerra das Malvinas para alertar sobre a gravidade do momento. “Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados. Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”, declarou.

A fala ocorre em meio a uma rápida escalada de tensão entre Washington e Caracas. Nos últimos dias, o governo de Donald Trump intensificou o cerco militar à Venezuela, com sobrevoos de caças e o deslocamento da que vem sendo descrita como a maior frota naval já reunida na história da América do Sul para o Caribe. Trump acusa o regime de Nicolás Maduro de usar o petróleo para financiar terrorismo e tráfico de drogas e decretou um bloqueio total a petroleiros venezuelanos.

Diplomacia de Natal

Diante do agravamento do cenário, Lula sinalizou que pretende atuar diretamente para conter uma escalada bélica. O presidente revelou a intenção de buscar uma nova conversa com Donald Trump antes do Natal, na tentativa de dissuadir Washington de qualquer ação militar na região. “Não queremos guerra no nosso continente. Todo dia tem uma ameaça no jornal e nós estamos preocupados”, afirmou.

Segundo Lula, a mensagem ao líder norte-americano tem sido clara e reiterada em contatos recentes. “Eu falei pro Trump: ‘Oh, Trump, fica mais barato conversar e menos sofrível conversar do que [fazer] guerra. Se a gente acreditar no poder do argumento, da palavra, a gente evita muita confusão na vida dos países’”, relatou.

Impasse europeu trava acordo histórico

Além da crise de segurança, a cúpula foi marcada pela frustração com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado há 25 anos e novamente adiado. Lula esperava concluir o pacto ainda sob a presidência rotativa brasileira, mas resistências internas na Europa, sobretudo da França e, mais recentemente, da Itália, impediram a assinatura.

O presidente explicou que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, alegou entraves domésticos relacionados à distribuição de subsídios agrícolas, embora tenha indicado disposição para assinar o acordo em janeiro. “Se ela estiver pronta para assinar e faltar só a França, segundo a Ursula von der Leyen e o António Costa, não haverá possibilidade de a França, sozinha, não permitir o acordo”, afirmou Lula, projetando a conclusão para a presidência do Paraguai, comandada por Santiago Peña.

Segurança, integração e memória histórica

A reunião também consolidou avanços institucionais no bloco, com a entrada da Bolívia como membro pleno e a adesão do Panamá como Estado associado. No campo social, Lula propôs a criação de um pacto regional de enfrentamento ao feminicídio, lembrando que 11 mulheres são assassinadas diariamente na América Latina e defendeu uma estratégia integrada de combate ao crime organizado transnacional.

No encerramento, o presidente evocou os 50 anos da Operação Condor, aliança repressiva entre ditaduras sul-americanas, para reforçar a defesa da democracia e da cooperação regional. “Se regimes ditatoriais se articularam para perseguir seus cidadãos, cabe aos governos democraticamente eleitos trabalhar juntos para garantir a todos uma vida melhor”, concluiu.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
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  1. Tulio muniz

    20 de dezembro de 2025 6:24 pm

    De concreto o que será que Lula propõe para parar a armada estrangeira quando começarem os bombardeios e os desembarques de tropas? Gostaria de saber.

  2. Paulo Dantas

    20 de dezembro de 2025 6:38 pm

    A comparação com a Argentina não cabe pois o território era reconhecido como britânico*.

    Mas parece que foi o único líder fora da questão a denunciar o absurdo*.

    Os europeus nada falaram, nem quando foram destratados.

    Parte da imprensa nacional não se toca que amanhã seremos nós


    * a questão das Malvinas serem inglesas seriam outros 500.

    ** Mas seu Maduro queria imvadir o vizinho.

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    20 de dezembro de 2025 7:51 pm

    A tragédia que se desenha no cenario internacional que preocupa Lula também gerou uma comedia. Digo isso pensando no caso da Argentina: Javier Milei num dia disse que apoia a invasão da Venezuela pelos EUA, uma guerra que não interessa ao Brasil porque meu país invetivalmente receberá ondas de refugiados sem ter recursos para lidar com uma tragédia humanitária; no outro dia, Milei disse que o Brasil deve apoiar de maneira mais clara, forte e firme a reivindicação da soberania argentina sobre as Malvinas, sabendo que o Brasil tem relações comerciais importantes com a Inglaterra das quais não pode abrir mão. Além disso o Brasil não tem nada a ganhar num conflito anglo-argentino por causa das Malvinas. Mas o que faz rir nesse caso é a maneira como Milei presume o apoio de Trump. Uma invasão argentina das Malvinas é algo que afeta as relações entre Inglaterra e EUA sendo pouco provavel os norte-mericanos realmente apoiarem a Argentina com risco de perder suas bases em UK, do qual eles precisam para vigiar a movimentação dos submarinos russos e chineses no Mar do Norte. Milei parece acreditar que é um gênio estrategista e nisso ele se parece com Zelensky, palhaço ucraniano que apostou tudo numa guerra perdida e agora não consegue sair dela sem a Ucrânia perder muito mais do que poderia recuperar.

  4. JOTAPOCALÍPTICOPONTO

    21 de dezembro de 2025 10:31 am

    Vivemos situações de guerra desde 2015 no golpe,gierra hobrida,PSICOLÓGICA,contra a Constituição,social e financeira,um verdadeiro caos q ainda está se arrumando,muita coisa suja para se limpar AFF !!!

  5. Rui Ribeiro

    21 de dezembro de 2025 11:54 am

    Na agressão perpetrada pela Inglaterra contra a Argentina, a fim de não devolver a esta as Ilhas Malvinas, a América Latina ficou do lado da Argentina. Agora essa ascharis lumbrichoides, digo, Milei fica contra a população da Venezuela.

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