30 de junho de 2026

Minerais estratégicos e geopolítica: Os alvos de Trump pelo mundo

Tarifas, sanções e alianças comerciais revelam a estratégia americana de controlar recursos críticos
Trump por Gage Skidmore - Wikimedia Commons

A administração Trump elevou a disputa comercial e geopolítica a um novo nível: o controle de minerais estratégicos. A predominância chinesa na mineração e no processamento de terras‑raras tornou‑se um trunfo geopolítico ― e motivo de alerta para Washington. Segundo a US Geological Survey, a China extrai cerca de 69% das terras‑raras globais e detém quase 90% da capacidade de processamento.

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Diante disso, a presidência de Donald Trump, em discurso expansionista de “independência tecnológica”, vem adotando tarifas, acordos e sanções que visam países ricos em minérios-chave, como parte de sua estratégia de segurança nacional e alavanca diplomática.

Minerais como peça de barganha

No centro da estratégia americana está o reconhecimento de que minerais como neodímio, disprósio, térbio e ítrio alimentam desde motores de veículos elétricos até mísseis guiados. Na prática, isso tem impulsionado três ações simultâneas:

  • Tarifas e retaliações comerciais contra grandes exportadores ou parceiros comerciais — como Canadá, México, Brasil, Índia — para reforçar vantagem industrial.
  • Sanções e bloqueios a regimes com reservas minerais e que desafiam a ordem internacional — como Irã, Síria, Coreia do Norte e Venezuela.
  • Alianças estratégicas com países detentores de recursos ou rotas logísticas vitais, visando criar “correntes de suprimentos amigas” (friend‑shoring) fora da órbita chinesa.

Alvos múltiplos, motivação única

Aos olhos de Washington, países da América Latina, como Brasil, México e Venezuela, atraem atenção devido a reservas estratégicas de ferro, nióbio, ouro, cobre e petróleo. O Brasil, por exemplo, é o maior produtor mundial de nióbio e também exporta ferro-minério, cobre e bauxita — recursos vitais para setores industriais e militares.

A Venezuela, além do petróleo, possui depósitos de ferro, bauxita e ouro, que são parte do cálculo geopolítico americano para exercer pressão sobre o regime de Nicolás Maduro.

Em países africanos como a Nigéria, minerais estratégicos como estanho, tungsténio e ouro também atraem atenção, embora com menor protagonismo geopolítico.

Países como Irã, Coreia do Norte, Síria e Iêmen estão sob sanções norte-americanas que buscam limitar financiamento militar e industrial. O Irã detém reservas de cobre, zinco, ferro e bauxita, enquanto a Coreia do Norte possui estimativas de ferro, cobre e carvão que podem alimentar seu programa militar. Na Síria, os fosfatos e outros minerais industriais são impactados por sanções norte-americanas que dificultam a reconstrução econômica.

Alianças estratégicas

Além de pressionar países por meio de tarifas e sanções, a administração Trump busca fortalecer alianças com nações que possuem minerais essenciais, como Canadá, Índia e países da União Europeia.

O Canadá produz níquel, potássio, urânio e cobre, enquanto a Índia possui grandes reservas de ferro, bauxita, manganês, tungsténio e outros metais críticos.

A União Europeia, embora menos rica em minerais estratégicos, é importante para acordos de tecnologia e comércio.

CONFIRA:

PaísPrincipais mineraisTipo de pressãoInteresse geopolítico
ChinaTerras-raras, cobre, ferro, tungsténio, antimónioTarifas e retaliações comerciaisReduzir dependência tecnológica, controlar suprimentos estratégicos
BrasilNióbio, ferro, cobre, bauxita, ouroTarifas e negociação comercialGarantir acesso a metais críticos, fortalecer indústria e defesa
ÍndiaFerro, bauxita, manganês, tungsténio, cobalto, níquelTarifas e acordos estratégicosMinerais críticos para tecnologia e defesa, diversificação de suprimentos
CanadáNíquel, potássio, urânio, cobre, ouroTarifas e parcerias estratégicasGarantir suprimentos de metais e fertilizantes estratégicos
MéxicoPrata, ouro, cobre, chumbo, zincoTarifas e negociação comercialMinerais preciosos e base, indústria nacional
VenezuelaPetróleo, ferro, bauxita, ouroSanções e bloqueiosPressão política sobre Maduro, controle de recursos estratégicos
IrãCobre, zinco, ferro, bauxitaSanções econômicasLimitar financiamento militar e industrial
Coreia do NorteFerro, cobre, carvão, ouroSanções econômicasContenção do programa militar e nuclear
SíriaFosfatos, minerais industriais, mármoreSançõesDificultar reconstrução econômica e acesso a recursos
IêmenMinerais raros, pedras semipreciosasSanções e bloqueiosLimitar financiamento de milícias e controle territorial
NigériaEstanho, tungsténio, ouroSanções pontuaisAcesso a minerais estratégicos e energia
AfeganistãoFerro, cobre, ouro, terras-rarasSanções leves e cooperação futuraExploração de recursos estratégicos e influência regional
BielorrússiaPotássio, sal de rochaSanções econômicasGarantir acesso a fertilizantes e minerais industriais
MianmarEstanho, tungsténio, ouro, bauxita, terras-rarasSanções e pressão políticaMinerais críticos para indústria e defesa
União EuropeiaFerro, bauxita, fosfatos (varia por país)Tarifas e retaliações comerciaisParceria tecnológica e acesso a minerais importados
DinamarcaPotenciais minerais críticos (incluindo Groenlândia)Negociação e pressão estratégicaExploração de minerais estratégicos e controle ártico

Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. José de Almeida Bispo

    5 de novembro de 2025 8:18 am

    Em 1972, para desatrelar o dólar do ouro, começaram a investir pesado, especialmente em petróleo. Do mundo todo. Hollywood, sempre uma máquina de propaganda, focou sua produção na escassez de petróleo. Mad Max, como exemplo.

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