A administração Trump elevou a disputa comercial e geopolítica a um novo nível: o controle de minerais estratégicos. A predominância chinesa na mineração e no processamento de terras‑raras tornou‑se um trunfo geopolítico ― e motivo de alerta para Washington. Segundo a US Geological Survey, a China extrai cerca de 69% das terras‑raras globais e detém quase 90% da capacidade de processamento.
Diante disso, a presidência de Donald Trump, em discurso expansionista de “independência tecnológica”, vem adotando tarifas, acordos e sanções que visam países ricos em minérios-chave, como parte de sua estratégia de segurança nacional e alavanca diplomática.
Minerais como peça de barganha
No centro da estratégia americana está o reconhecimento de que minerais como neodímio, disprósio, térbio e ítrio alimentam desde motores de veículos elétricos até mísseis guiados. Na prática, isso tem impulsionado três ações simultâneas:
- Tarifas e retaliações comerciais contra grandes exportadores ou parceiros comerciais — como Canadá, México, Brasil, Índia — para reforçar vantagem industrial.
- Sanções e bloqueios a regimes com reservas minerais e que desafiam a ordem internacional — como Irã, Síria, Coreia do Norte e Venezuela.
- Alianças estratégicas com países detentores de recursos ou rotas logísticas vitais, visando criar “correntes de suprimentos amigas” (friend‑shoring) fora da órbita chinesa.
Alvos múltiplos, motivação única
Aos olhos de Washington, países da América Latina, como Brasil, México e Venezuela, atraem atenção devido a reservas estratégicas de ferro, nióbio, ouro, cobre e petróleo. O Brasil, por exemplo, é o maior produtor mundial de nióbio e também exporta ferro-minério, cobre e bauxita — recursos vitais para setores industriais e militares.
A Venezuela, além do petróleo, possui depósitos de ferro, bauxita e ouro, que são parte do cálculo geopolítico americano para exercer pressão sobre o regime de Nicolás Maduro.
Em países africanos como a Nigéria, minerais estratégicos como estanho, tungsténio e ouro também atraem atenção, embora com menor protagonismo geopolítico.
Países como Irã, Coreia do Norte, Síria e Iêmen estão sob sanções norte-americanas que buscam limitar financiamento militar e industrial. O Irã detém reservas de cobre, zinco, ferro e bauxita, enquanto a Coreia do Norte possui estimativas de ferro, cobre e carvão que podem alimentar seu programa militar. Na Síria, os fosfatos e outros minerais industriais são impactados por sanções norte-americanas que dificultam a reconstrução econômica.
Alianças estratégicas
Além de pressionar países por meio de tarifas e sanções, a administração Trump busca fortalecer alianças com nações que possuem minerais essenciais, como Canadá, Índia e países da União Europeia.
O Canadá produz níquel, potássio, urânio e cobre, enquanto a Índia possui grandes reservas de ferro, bauxita, manganês, tungsténio e outros metais críticos.
A União Europeia, embora menos rica em minerais estratégicos, é importante para acordos de tecnologia e comércio.
CONFIRA:
| País | Principais minerais | Tipo de pressão | Interesse geopolítico |
|---|---|---|---|
| China | Terras-raras, cobre, ferro, tungsténio, antimónio | Tarifas e retaliações comerciais | Reduzir dependência tecnológica, controlar suprimentos estratégicos |
| Brasil | Nióbio, ferro, cobre, bauxita, ouro | Tarifas e negociação comercial | Garantir acesso a metais críticos, fortalecer indústria e defesa |
| Índia | Ferro, bauxita, manganês, tungsténio, cobalto, níquel | Tarifas e acordos estratégicos | Minerais críticos para tecnologia e defesa, diversificação de suprimentos |
| Canadá | Níquel, potássio, urânio, cobre, ouro | Tarifas e parcerias estratégicas | Garantir suprimentos de metais e fertilizantes estratégicos |
| México | Prata, ouro, cobre, chumbo, zinco | Tarifas e negociação comercial | Minerais preciosos e base, indústria nacional |
| Venezuela | Petróleo, ferro, bauxita, ouro | Sanções e bloqueios | Pressão política sobre Maduro, controle de recursos estratégicos |
| Irã | Cobre, zinco, ferro, bauxita | Sanções econômicas | Limitar financiamento militar e industrial |
| Coreia do Norte | Ferro, cobre, carvão, ouro | Sanções econômicas | Contenção do programa militar e nuclear |
| Síria | Fosfatos, minerais industriais, mármore | Sanções | Dificultar reconstrução econômica e acesso a recursos |
| Iêmen | Minerais raros, pedras semipreciosas | Sanções e bloqueios | Limitar financiamento de milícias e controle territorial |
| Nigéria | Estanho, tungsténio, ouro | Sanções pontuais | Acesso a minerais estratégicos e energia |
| Afeganistão | Ferro, cobre, ouro, terras-raras | Sanções leves e cooperação futura | Exploração de recursos estratégicos e influência regional |
| Bielorrússia | Potássio, sal de rocha | Sanções econômicas | Garantir acesso a fertilizantes e minerais industriais |
| Mianmar | Estanho, tungsténio, ouro, bauxita, terras-raras | Sanções e pressão política | Minerais críticos para indústria e defesa |
| União Europeia | Ferro, bauxita, fosfatos (varia por país) | Tarifas e retaliações comerciais | Parceria tecnológica e acesso a minerais importados |
| Dinamarca | Potenciais minerais críticos (incluindo Groenlândia) | Negociação e pressão estratégica | Exploração de minerais estratégicos e controle ártico |
Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido parcialmente com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas e revisão de conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.
José de Almeida Bispo
5 de novembro de 2025 8:18 amEm 1972, para desatrelar o dólar do ouro, começaram a investir pesado, especialmente em petróleo. Do mundo todo. Hollywood, sempre uma máquina de propaganda, focou sua produção na escassez de petróleo. Mad Max, como exemplo.