A Hungria iniciou neste sábado uma nova fase política com a posse de Péter Magyar como primeiro-ministro, encerrando oficialmente os 16 anos de governo de Viktor Orbán.
A cerimônia ocorreu no Parlamento húngaro, em Budapeste, semanas após a vitória expressiva do partido Tisza nas eleições parlamentares de abril. A legenda de Magyar conquistou maioria qualificada no Legislativo e abriu caminho para uma ampla reorganização institucional no país.
Ex-aliado de Orbán, Péter Magyar emergiu nos últimos anos como principal voz de oposição ao modelo político construído pelo líder nacionalista, frequentemente acusado por organismos europeus de enfraquecer instituições democráticas, concentrar poder e restringir a liberdade de imprensa.
Durante o discurso de posse, Magyar afirmou que os húngaros “não votaram apenas por uma mudança de governo, mas por uma mudança de sistema”, prometendo restaurar mecanismos de transparência, independência judicial e aproximação com a União Europeia.
Entre as primeiras medidas anunciadas pelo novo governo estão reformas no sistema judiciário, revisão da estrutura da mídia estatal e ações de combate à corrupção envolvendo aliados do antigo governo. Magyar também defendeu a retomada das negociações com Bruxelas para desbloquear bilhões de euros em recursos europeus congelados durante os embates entre Orbán e a UE.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a posse foi acompanhada por manifestações de apoio nas ruas de Budapeste. Milhares de pessoas participaram de atos descritos pela imprensa local como uma “celebração da democracia” e do fim da chamada “democracia iliberal” consolidada por Orbán desde 2010.
O novo premiê assume, porém, um cenário complexo. Apesar da vitória eleitoral ampla, o país enfrenta desaceleração econômica, alta dependência energética e forte polarização política após mais de uma década de domínio do partido Fidesz.
Nos bastidores, aliados do antigo governo também passaram a ser alvo de investigações e movimentações financeiras suspeitas após a derrota eleitoral. Relatos publicados pela imprensa europeia apontam tentativas de transferência de patrimônio e reorganização de grupos ligados ao entorno de Orbán.
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