10 de junho de 2026

Tensões na Venezuela e o Acordo Mercosul-UE: especialistas analisam o cenário da América Latina

Para Carolina Pedroso, a Venezuela representa hoje a "última fronteira" de uma transição entre a histórica Doutrina Monroe
Crédito: Reprodução/ TV GGN

Especialistas debatem escalada militar EUA-Venezuela e adiamento do acordo Mercosul-União Europeia no programa América Latina.
EUA podem intensificar ataques aéreos e bloqueio naval contra Venezuela; invasão terrestre é cenário menos provável.
Brasil busca equilibrar soberania regional e interesses comerciais, enquanto acordo Mercosul-UE sofre novo adiamento europeu.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O programa América Latina do Observatório de Geopolítica (GGN) da última sexta-feira (19) reuniu especialistas para debater os dois temas que sacudiram a região nesta semana: a escalada militar entre Estados Unidos e Venezuela e o novo adiamento da ratificação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

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Com a mediação de Regiane Bressan, o debate contou com as análises de Carolina Pedroso, especialista em relações Venezuela-EUA, e Flávia Loz de Araújo, pesquisadora do acordo Mercosul-União Europeia.

A escalada de tensão entre o governo de Donald Trump e o regime de Nicolás Maduro dominou a pauta. Para Carolina Pedroso, a Venezuela representa hoje a “última fronteira” de uma transição entre a histórica Doutrina Monroe e o que analistas começam a chamar de “Doutrina Donwro” (em referência a Donald Trump).

Segundo Pedroso, historicamente, os EUA agiram diretamente com forças militares no Caribe e na América Central, enquanto a América do Sul mantinha uma espécie de blindagem, operando via hegemonia sobre as elites locais.

“Pode ser que a gente esteja observando uma quebra de paradigma e o início de uma nova forma dos Estados Unidos se colocarem no continente latino-americano, em que a América do Sul deixa de ter essa blindagem que historicamente teve. Isso vai abrir um precedente perigosíssimo, não só para a Venezuela, mas para a Colômbia, para o Brasil e para todos os países que, de alguma maneira, podem se enquadrar dentro dessa categoria que os Estados Unidos estão criando de narcoterrorismo”, aponta.

A especialista destacou que o governo Trump parece ter subestimado a resistência do chavismo. Segundo ela, a estratégia de “guerra psicológica” e sanções econômicas (que já somam mais de 900) tem tido o efeito oposto ao desejado: fortalece o regime interno e elimina dissidências, de forma semelhante ao que ocorreu em Cuba.

Cenários

Questionada sobre a possibilidade de uma invasão terrestre, Pedroso avaliou como o cenário menos provável, dado que a Venezuela se preparou durante 27 anos para uma “guerra de resistência prolongada”. O risco real reside em ataques aéreos cirúrgicos e no bloqueio naval já em curso.

“Os Estados Unidos têm a capacidade, se eles quiserem, de destruir toda a marinha venezuelana em pouco tempo. Então, também seria um outro palco de guerra, muito mais provável, muito mais fácil para os Estados Unidos terem vantagens do que no território”, afirmou.

Sobre o papel de potências externas, a especialista expressou ceticismo quanto a uma defesa direta por parte de Rússia ou China. “A Rússia já está envolvida em uma guerra prioritária para sua agenda, tá com todos os seus esforços de guerra voltados para a Ucrânia. Então, o que a Rússia efetivamente poderia oferecer para a Venezuela? O treinamento eles já dão. Maior parte dos equipamentos bélicos da Venezuela já vem da Rússia”, ressalta.

Cascas de Ovo

Flávia Loz de Araújo analisou o impacto dessa crise para o Brasil. Segundo ela, o governo Lula vive um momento delicado, tentando equilibrar a defesa da soberania regional com a necessidade de proteger interesses comerciais vitais que foram atacados pelo governo Trump.

“A gente consegue uma vitória diplomática importante, o governo Lula consegue, e aí uma costura diplomática muito difícil, que envolveu empresariado brasileiro, envolveu empresariado estadunidense, a gente consegue reverter, diante de uma postura forte do governo brasileiro, de defesa da soberania”, disse Araújo.

No entanto, ela acredita que a postura tradicional do Brasil como “grande mediador” da América Latina está fragilizada, já que qualquer apoio enfático à Venezuela poderia colocar em risco exportações brasileiras fundamentais, como café, laranja e ferro. “Eu vejo agora o governo Lula caminhando assim em cascas de ovos, com muita dificuldade nesse sentido.”

Mercosul e União Europeia:

O programa também abordou a frustração com o novo adiamento do acordo Mercosul-União Europeia pelo Conselho Europeu. Para as analistas, o acordo deixou de ser meramente comercial para se tornar uma peça estratégica de geopolítica.

Regiane Bressan ressaltou que, para a Europa, o tratado é uma forma de tentar recuperar influência no Ocidente e frear o avanço da China e da Rússia (via BRICS) na América Latina. No entanto, a prioridade europeia continua drenada pelo conflito na Ucrânia, o que dificulta a finalização de processos complexos como o do Mercosul.

Confira o programa na íntegra neste link.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Paulo Dantas

    21 de dezembro de 2025 5:58 pm

    Acho que UE e Mercosul acabam antes do acordo …

    🙂

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