15 de julho de 2026

The Guardian: tarifas de Trump transformam defesa da soberania brasileira em disputa comercial

O texto lembra que as pesquisas mostram Lula à frente na corrida eleitorale que, aos 80 anos, o presidentebrasileiroseria um dos políticos mais bem-sucedidos do século
Foto: Ricardo Stuckert / PR

The Guardian analisa tarifas propostas por Trump contra o Brasil, ligando disputa a proteção da democracia brasileira.
STF autorizou responsabilização de redes sociais por discurso antidemocrático, motivando tarifa de 25% de Trump.
Flávio Bolsonaro pediu adiamento das tarifas e busca apoio de Trump, enquanto Lula lidera eleições e defende soberania.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Um editorial publicado nesta terça-feira (14) pelo jornal britânico The Guardian analisa como a ameaça de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil reformulou como “prática comercial desleal” uma disputa que, segundo o veículo, tem no centro a tentativa brasileira de proteger sua democracia — e abriu espaço para que o bolsonarismo ganhasse palco em Washington.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Segundo o texto, o embate remonta a junho de 2025, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que plataformas de redes sociais poderiam ser responsabilizadas por publicações de usuários, obrigando empresas como X, de Elon Musk, e Meta, de Mark Zuckerberg, a remover discurso de ódio e conteúdo antidemocrático — medida tomada após a disseminação de desinformação que, segundo pesquisas citadas pelo editorial, alimentou a tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro em 2023. Um mês depois da decisão do STF, Trump propôs uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, alegando que os juízes forçaram empresas de tecnologia americanas a retirar do ar conteúdo “político”.

O editorial destaca uma audiência realizada na semana passada na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, na qual o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e hoje candidato da oposição à Presidência — enquanto o pai cumpre pena de 27 anos de prisão —, teve a oportunidade de discursar. De acordo com o texto, Flávio atribuiu o atrito comercial ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já teve divergências públicas com Trump, e pediu que Washington adiasse a aplicação das tarifas até as eleições de outubro, sugerindo que poderia assumir o poder em breve como alternativa ao que classificou como um governo “antiamericano”.

Para o Guardian, esse pedido representou não apenas uma tentativa de evitar as tarifas, mas uma espécie de audição de Flávio Bolsonaro para se tornar o candidato brasileiro preferido de Trump. O editorial descreve o senador como menos carismático que o pai, mas alinhado ao mesmo antiesquerdismo simplista, a políticas punitivas de segurança pública e às guerras culturais de extrema direita.

O texto lembra que as pesquisas mostram Lula à frente na corrida eleitoral. Aos 80 anos, o presidente é descrito no editorial como um dos políticos mais bem-sucedidos do século, tendo trajetória que vai de operário a líder sindical e fundador de partido, com a pobreza extrema no Brasil caindo de 30 milhões de pessoas em 2002 para menos de 7 milhões atualmente. O texto também recorda que Lula governou entre 2003 e 2011 e só retornou ao poder em 2023 depois que condenações por corrupção contra ele foram anuladas pela Justiça, num cenário político descrito como altamente polarizado.

Na avaliação do editorial, o cerne da disputa está na rejeição de Trump à busca do Brasil por soberania: enquanto Lula defende o direito do país de regular a desinformação antidemocrática em seu território, Trump entenderia que os EUA deveriam ter jurisdição sobre o ambiente informacional brasileiro. Outro ponto de atrito apontado é o controle da infraestrutura financeira do país — especificamente, se a América Latina pode manter um sistema de pagamentos públicos bem-sucedido fora do controle americano.

O texto cita o Pix, sistema brasileiro que permite transferências instantâneas entre pessoas, empresas e órgãos públicos, e que movimentou US$ 6,7 trilhões em 2025. Segundo o editorial, o Brasil, assim como a Índia, desenvolveu uma infraestrutura pública digital para reduzir a dependência de redes de pagamento controladas por outros países e proteger o sistema doméstico de pressões externas ou sanções — driblando, na prática, operadoras como Visa e Mastercard.

O editorial também recorre à análise do economista equatoriano Andrés Arauz, ex-ministro de um governo de esquerda no Equador, para quem dados de pagamentos processados por redes ligadas aos EUA se tornam instrumentos de vigilância e pressão política, enquanto sistemas mantidos sob controle nacional podem servir de base para o desenvolvimento soberano de inteligência artificial. Na conclusão do texto, o verdadeiro incômodo de Washington não seria o protecionismo brasileiro, mas sua autonomia: ao construir um sistema de pagamentos próprio e afirmar jurisdição sobre plataformas de tecnologia americanas, o Brasil teria motivado Trump a reclassificar essa soberania como discriminação comercial — um movimento que, segundo o Guardian, encontra respaldo previsível, e preocupante, no bolsonarismo.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados