A tentativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estabelecer uma trégua energética entre Rússia e Ucrânia fracassou, com a intensificação dos ataques dos dois lados e o agravamento das divergências entre Washington e Kiev.
Moscou lançou centenas de drones contra alvos em território ucraniano, enquanto o presidente Volodymyr Zelensky anunciou a retomada das ofensivas contra refinarias russas.
Como lembra o jornal britânico The Guardian, a chamada trégua energética foi anunciada unilateralmente por Trump na semana anterior. O presidente norte-americano afirmou que os dois países haviam concordado em suspender ataques contra instalações energéticas, mas Moscou e Kiev não confirmaram a existência de um acordo bilateral.
Zelensky havia interrompido temporariamente os ataques às refinarias russas como demonstração de disposição para negociar. Na quarta-feira (14), porém, declarou ao Financial Times que a suspensão havia terminado.
Na região russa de Riazan, autoridades relataram um ataque à refinaria local, atribuído à Ucrânia. Segundo informações divulgadas por Moscou, a instalação foi atingida por destroços de um drone interceptado pela defesa antiaérea, provocando um incêndio.
A Ucrânia também anunciou ataques contra instalações militares russas. Zelensky afirmou que quatro caças-bombardeiros Su-34 foram atingidos e outros dois danificados. Segundo o presidente ucraniano, as aeronaves estavam preparadas para realizar novos bombardeios contra o país.
Ataques atingem infraestrutura e ampliam riscos no Mar Negro
Na Ucrânia, mais de 360 drones russos teriam sido lançados contra a região central de Kirovohrad, segundo autoridades locais. Os ataques deixaram três mortos e seis feridos, além de atingir infraestrutura crítica, instalações de transporte, centros logísticos e residências.
Zelensky afirmou que a Rússia utilizou mais de 850 drones Shahed em uma série de ataques e acusou Moscou de intensificar as ofensivas após obter alívio de sanções e diante das pressões norte-americanas sobre Kiev.
A crise militar ocorre em meio ao desgaste das relações entre Zelensky e Trump. A Casa Branca pressionou Kiev a interromper os ataques contra refinarias russas e ameaçou restringir programas de fornecimento de armas e o compartilhamento de informações de inteligência.
Autoridades e militares ucranianos relataram interrupções no recebimento de alertas sobre ataques russos e limitações no acesso a serviços de comunicação por satélite utilizados em operações militares.
A Ucrânia também apontou dificuldades relacionadas aos sistemas Starlink e Starshield, vinculados à SpaceX e às operações do governo norte-americano – o presidente-executivo da SpaceX, Elon Musk, negou ter restringido os sistemas Starlink e afirmou que eles são controlados pelo governo norte-americano. Em publicação nas redes sociais, porém, defendeu a saída de Zelensky.
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