21 de maio de 2026

Justiça invalida denúncias contra Comey e Letitia James, em revés para Trump

A anulação atinge a estratégia de "retribuição" de Trump, que vinha sendo criticada por usar o DoJ como ferramenta de retaliação política
Foto de Tingey Injury Law Firm na Unsplash

1- Justiça dos EUA anula acusações contra Comey e James, ex-diretor do FBI e procuradora-geral de Nova York, por nomeação inconstitucional de Lindsey Halligan.

2- Decisão compromete estratégia de retaliação de Trump, que pressionou pessoalmente por denúncias. Movimento criticado por especialistas e ex-membros do DoJ.

3- Anulação permite novas acusações com procurador válido. Comey e James enfrentavam acusações anteriores, parte de ofensiva após multa contra Trump em 2022.

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A Justiça Federal dos Estados Unidos anulou as acusações criminais contra James Comey, ex-diretor do FBI, e Letitia James, procuradora-geral de Nova York, em decisão que compromete uma das principais frentes da ofensiva adotada pelo presidente norte-americano Donald Trump contra adversários políticos.

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A juíza Cameron McGowan Currie considerou inconstitucional a nomeação de Lindsey Halligan — ex-advogada pessoal de Trump e aliada política direta — para o cargo de procuradora federal interina responsável pelas denúncias.

A magistrada também afirmou que Halligan “não tinha autoridade legal” para apresentar os indiciamentos, tornando nulos todos os atos decorrentes de sua atuação.

“A tentativa da procuradora-geral de instalar a Sra. Halligan foi inválida”, escreveu a juíza. “Todas as ações decorrentes de sua nomeação defeituosa devem ser anuladas.”

A anulação ocorre sem prejuízo, o que tecnicamente permite que o Departamento de Justiça (DoJ) apresente novas denúncias — mas apenas mediante um procurador validamente nomeado.

Letitia James enfrentava duas acusações: fraude bancária e declarações falsas em uma operação de crédito. Comey havia sido denunciado por obstrução e falso testemunho ao Congresso, em depoimentos relacionados à investigação sobre vínculos da campanha de Trump com autoridades russas em 2020. Ambos se declararam inocentes.

A ofensiva contra James ocorreu após a procuradora-geral liderar, em 2022, o processo civil que resultou em multa de cerca de US$ 500 milhões contra Trump, seus filhos e a Trump Organization — valor posteriormente reduzido, mas com a condenação mantida.

Já Comey entrou no radar do presidente desde 2017, quando foi demitido enquanto conduzia investigações sobre interferência russa na eleição presidencial.

Revés na estratégia de “retribuição”

A decisão representa um revés considerável para Donald Trump, que tem transformado o DoJ em ferramenta de retaliação contra figuras consideradas hostis ao governo.

As denúncias contra Comey e James foram apresentadas sob forte pressão do presidente, que havia solicitado pessoalmente à procuradora-geral Pam Bondi ações contra ambos.

O movimento foi amplamente criticado por especialistas legais e ex-integrantes do próprio Departamento de Justiça, que classificaram a ofensiva como um retorno a práticas vistas pela última vez durante o escândalo de Watergate, nos anos 1970.

A nomeação de Halligan — que substituiu um procurador interino que se recusou a levar adiante os casos — já era vista como juridicamente frágil. Halligan foi a única promotora a assinar ambas as denúncias, algo incomum para processos criminais de alto perfil.

Para a defesa de Comey, a estratégia era clara: burlar normas que exigem aprovação do Senado para a indicação de procuradores federais. O advogado Ephraim McDowell classificou o movimento como uma tentativa de “driblar o sistema”.

Com informações da CNN norte-americana e do Financial Times

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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