O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicia nesta terça-feira (12) uma viagem oficial a Pequim para um encontro decisivo com o líder chinês, Xi Jinping. A visita, que se estende até sexta-feira (15), marca o retorno de um mandatário americano ao solo chinês após nove anos e ocorre em um momento em que a estabilidade global é posta à prova pela fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio e por suspeitas de testes nucleares secretos por parte de Pequim.
A pauta é extensa No topo das prioridades está a guerra no Irã. Com as negociações estagnadas, Trump busca usar a influência de Xi, principal parceiro comercial e comprador de petróleo de Teerã, para impedir que o regime iraniano desenvolva armas nucleares.
Segundo fontes diplomáticas, o sucesso de um novo acordo com o Irã depende diretamente do alinhamento alcançado nesta semana na capital chinesa, informou a CNN.
Geopolítica e crise nuclear
A relação bilateral enfrenta turbulências recentes. Em novembro de 2025, o governo americano acusou a China de realizar testes nucleares subterrâneos sem transparência, o que Pequim nega veementemente. Trump pretende propor um pacto trilateral, incluindo a Rússia, para limitar a proliferação atômica, mas a diplomacia chinesa já indicou resistência em debater o tema neste momento.
Taiwan permanece como o ponto de maior atrito militar. Enquanto os EUA mantêm o fornecimento de defesa à ilha, Pequim reforça o cerco militar na região.
Na véspera da viagem, Trump confirmou que o tema será central nas conversas: “Vou ter essa conversa com o presidente Xi. O presidente Xi gostaria que não fizéssemos isso. Esta é uma das muitas questões sobre as quais vamos conversar”, afirmou o republicano na Casa Branca.
Trégua comercial e tecnologia
No campo econômico, o objetivo é preservar a trégua tarifária firmada em outubro de 2025, em Busan. O acordo atual, que garante o fluxo de minerais de terras raras para a indústria americana, está próximo do vencimento. Para reforçar os laços, Trump lidera uma comitiva composta por executivos de gigantes como Nvidia, Apple e Boeing.
A inteligência artificial (IA) também entra na mesa de negociações sob o signo da desconfiança. Washington acusa Pequim de promover roubo de tecnologia em larga escala e avalia restringir ainda mais o acesso chinês a chips avançados. A criação de fóruns de investimento e canais de comunicação sobre IA é vista como uma tentativa de evitar que a competição tecnológica descambe para um conflito cibernético direto.
Agenda e expectativas
A recepção oficial por Xi Jinping está programada para a manhã de quinta-feira (14), no horário local. O encontro é visto pelo Ministério das Relações Exteriores da China como um passo para injetar “estabilidade em um mundo turbulento”.
Para a Casa Branca, o foco é o pragmatismo: reequilibrar a balança comercial e garantir que a China atue como moderadora nas crises do Irã e da Ucrânia.
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