O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que Washington e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) avançaram na definição da estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e à segurança da região do Ártico. A declaração foi feita após uma reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte.
Segundo Trump, o entendimento em negociação atenderia tanto aos interesses norte-americanos quanto aos dos países europeus que integram a Otan. O presidente não detalhou os termos do possível tratado, mas indicou que o foco está em questões estratégicas, especialmente ligadas à presença militar e à segurança no Ártico.
Diante do avanço das conversas, Trump anunciou a suspensão das tarifas de 10% que seriam impostas, a partir de 1º de fevereiro, contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, países que haviam se posicionado contra os planos dos Estados Unidos para a Groenlândia.
O presidente também mencionou discussões paralelas sobre o chamado “Domo de Ouro” associado à ilha, sem fornecer detalhes adicionais. O projeto se refere a uma estrutura militar planejada pelos EUA para interceptar mísseis direcionados ao território norte-americano.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e outros integrantes do governo conduzirão as negociações, reportando-se diretamente a ele. Em entrevista posterior, disse que os detalhes do acordo serão apresentados em outro momento e declarou que o eventual tratado terá caráter permanente.
Um porta-voz da Otan informou que as discussões internas da aliança terão como objetivo reforçar a segurança do Ártico por meio de um esforço coletivo, com atenção especial aos sete países-membros que possuem território na região. Segundo ele, Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos buscam avançar de forma coordenada para impedir qualquer presença estratégica da Rússia e da China na ilha.
Mais cedo, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump afirmou que não pretende recorrer ao uso da força para assumir o controle da Groenlândia, embora tenha reiterado o interesse dos Estados Unidos em adquirir o território. Na ocasião, elevou o tom contra a Europa e a própria Otan.
“Não preciso usar a força. Não quero usar a força. Não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos pedem é um lugar chamado Groenlândia”, declarou. Trump também criticou a Dinamarca, chamando o país de “ingrato”, afirmou que “a Europa não está indo na direção correta” e se referiu repetidamente à Groenlândia como “um pedaço de gelo”.
O presidente americano disse ainda que a ilha deveria ter passado ao controle dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, quando tropas norte-americanas ocuparam a Groenlândia para protegê-la da ameaça alemã.
Após as declarações, o governo da Dinamarca voltou a afirmar que não existem negociações em curso para a venda do território.
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Rui Ribeiro
21 de janeiro de 2026 10:10 pmTrump always chickens out