10 de junho de 2026

Trump diz que gosta de Lula e reitera convite para Conselho de Paz

A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, que marcou o primeiro aniversário de seu segundo mandato
Foto oficial da Casa Branca por Molly Riley - via fotospublicas,com

Donald Trump convidou Lula para o “Conselho da Paz”, criado para manter a paz e reconstruir a Faixa de Gaza.
O Conselho terá mandatos de três anos ou vitalícios com pagamento de US$ 1 bilhão, e visa atuar em conflitos globais.
Trump criticou a ONU, defendeu ações contra imigrantes e anunciou próximas operações terrestres contra o tráfico.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (20) que convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o chamado “Conselho da Paz”, iniciativa criada por ele e descrita como uma espécie de “ONU paralela”. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, que marcou o primeiro aniversário de seu segundo mandato.

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A confirmação veio após pergunta da repórter Raquel Krähenbühl, da TV Globo, sobre o convite e sobre o papel que Trump espera de Lula, especialmente diante da crise entre Estados Unidos e Venezuela. Em resposta, o presidente norte-americano afirmou que o brasileiro terá “um grande papel” no conselho e acrescentou: “Eu gosto dele”.

Segundo Trump, o Conselho da Paz foi concebido para atuar na manutenção da paz internacional e na reconstrução da Faixa de Gaza, podendo futuramente se envolver em outros conflitos. Pela proposta apresentada, os integrantes terão mandatos de três anos ou poderão ocupar cargos vitalícios mediante o pagamento de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões) em dinheiro.

Questionado ainda por Raquel Krähenbühl se o novo órgão teria a intenção de substituir a Organização das Nações Unidas (ONU), Trump voltou a criticar a entidade. Disse que a ONU “não tem sido muito útil”, apesar de reconhecer seu potencial, que, segundo ele, nunca foi plenamente explorado. O presidente afirmou que a organização deveria ter resolvido conflitos que ele próprio tentou encerrar e ressaltou que jamais recorreu à ONU para isso, embora tenha defendido que ela continue existindo.

Trump também reiterou que teria ajudado a encerrar ou evitar diversas guerras ao longo do primeiro ano de seu atual mandato — afirmação que é contestada por analistas. Seu segundo mandato tem sido marcado por decisões e confrontos que tiveram repercussão global, como a adoção de um tarifaço internacional, a autorização de ataques militares e ameaças a países aliados.

Antes da coletiva, a Casa Branca distribuiu um documento de 31 páginas com 365 medidas que a administração classifica como “conquistas” desde a posse do republicano.

Durante a entrevista, Trump dedicou parte considerável de suas declarações a críticas à imigração, com ataques diretos a imigrantes da Somália, um de seus alvos recorrentes. Ele afirmou que o país africano seria “o pior do mundo” e questionou se poderia ser chamado de país. O presidente exibiu fotos de imigrantes detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minnesota, alegando que teriam cometido crimes.

No entanto, moradores do estado têm protestado contra o ICE após a morte de Renée Good, cidadã americana nascida nos EUA, baleada durante uma ação do órgão. Trump classificou Renée e outros manifestantes como “agitadores profissionais” e voltou a sustentar, sem apresentar provas, que países estrangeiros enviam criminosos deliberadamente aos Estados Unidos. Em um comentário fora do roteiro, chegou a elogiar a gangue de motoqueiros Hell’s Angels, dizendo que seus integrantes seriam “pessoas legais e de alta qualidade” e que teriam votado nele.

O presidente também afirmou que seu governo pretende iniciar “muito em breve” ações em terra para combater o tráfico de drogas, após alegar que ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico reduziram a entrada de drogas por via marítima. Trump não especificou quais países seriam alvos dessas operações terrestres, mas tem repetido desde dezembro que bombardeios na América Latina contra traficantes estariam próximos de começar.

A imigração segue como um dos temas centrais de seu discurso. Ainda antes de assumir o cargo, Trump prometeu expulsar todos os imigrantes em situação irregular no país. Embora a promessa não tenha sido integralmente cumprida, mais de 20 mil agentes do ICE foram mobilizados para operações internas, que resultaram na deportação de 605 mil pessoas até dezembro, além de cerca de 1,9 milhão de autodeportações voluntárias. As ações, contudo, também provocaram forte reação social e disputas judiciais em diferentes estados.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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