13 de junho de 2026

O imperialismo dos “barões ladrões” e o custo global do trumpismo

Política externa de Trump mistura coerção territorial e interesses privados, com efeitos duradouros sobre a ordem global
Foto: Reprodução

Em artigo publicado no Project Syndicate, o ex-secretário assistente de Estado dos Estados Unidos para Assuntos Europeus e Eurasiáticos, James C. O’Brien, alerta que Donald Trump está empurrando a política externa americana para uma lógica de predação territorial, coerção econômica e interesses privados, com alto custo para a economia e para a credibilidade internacional dos EUA.

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No texto “O Imperialismo de Barões Ladrões de Trump”, O’Brien afirma que as ameaças de Trump de tomar à força a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca e aliada histórica na OTAN, não podem ser tratadas como bravata. Segundo o autor, uma ação desse tipo colocaria em risco a própria aliança atlântica e abriria precedentes perigosos, estimulando avanços territoriais da China e da Rússia em outras regiões do mundo.

Ao analisar a justificativa de segurança nacional apresentada por Trump, O’Brien argumenta que os Estados Unidos já mantêm presença militar na Groenlândia, possuem acordo de defesa com a Dinamarca e amplos direitos de base na ilha. “É difícil identificar quais benefícios marginais, se houver, poderiam ser obtidos com uma ocupação ilegal”, afirma o autor.

Para ele, o maior dano está no campo econômico. A deterioração da relação com a União Europeia compromete cadeias produtivas, mercados consumidores e ecossistemas de inovação fundamentais para o crescimento americano. “Alienar a Europa minaria praticamente todos os setores da economia dos Estados Unidos”, escreve, ao destacar áreas como tecnologia avançada, energia limpa e indústria de ponta.

O artigo também chama atenção para as motivações comerciais e pessoais por trás da política externa de Trump. Segundo O’Brien, o presidente tem tratado a ação internacional dos EUA como extensão de interesses privados, revivendo uma lógica histórica em que poder estatal e enriquecimento caminham juntos. “Barões ladrões e imperialismo sempre andaram de mãos dadas”, resume.

O autor conclui que o silêncio de democratas e republicanos contrários a Trump apenas amplia o risco. Sem uma rejeição clara a esse tipo de política, aliados dos EUA tendem a buscar alternativas de segurança e parceria, inclusive com a China, deixando para futuras administrações um cenário internacional profundamente fragilizado.

Os efeitos da crise com a Groenlândia

As advertências do Project Syndicate começam a se materializar. A União Europeia avalia tarifas retaliatórias sobre até US$ 93 bilhões em produtos dos Estados Unidos, após novas ameaças de Trump relacionadas à Groenlândia, segundo a Bloomberg Línea.

No mercado financeiro, analistas discutem, ainda que como cenário extremo, o uso do arsenal financeiro europeu, que inclui cerca de US$ 10 trilhões em títulos e ações americanas detidos por investidores do bloco, evidenciando o grau de deterioração da relação transatlântica.

Economistas da Oxford Economics estimam que uma escalada comercial entre EUA e União Europeia pode reduzir o crescimento global para 2,6% em 2026.

Mais cedo, o Jornal GGN já havia destacado que a disputa em torno da Groenlândia deixou de ser um episódio isolado para se tornar um símbolo de uma política externa baseada na força, na chantagem econômica e no enfraquecimento do multilateralismo, com impactos diretos sobre a estabilidade global.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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