8 de junho de 2026

A Mansão Matarazzo poderia ser um museu e parque na Avenida Paulista. Por que isso não ocorreu?

Interessantes notícias mostram que a mídia tem dado apoio à Promotoria da Habitação, que está dificultando a inauguração de mais um shopping com torre de escritórios na Avenida Paulista, onde era a Mansão Matarazzo. O juiz Murillo D’Avila Vianna Cotrim, da 5ª vara da Fazenda Pública de SP, acolheu parcialmente uma ação civil pública proposta e determinou que a construtora faça um relatório de impacto de vizinhança e de tráfego, e execute obras para amenizar os efeitos no entorno do empreendimento, previsto para ser inaugurado em novembro de 2014, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

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O empreendimento será mais uma tremenda fonte de atração e despejo de carros na já congestionada região. Mídia e promotoria fazem questão de lembrar a sacanagem dos herdeiros dessa família, que para evitar tombamento, derrubaram a mansão durante algumas poucas horas, inviabilizando qualquer ação da comunidade em sua defesa.

Na época,  Luiza Erundina fora eleita prefeita e estava no início de sua gestão. Pobre, nordestina, mulher, petista, atrevida, Luíza enfrentava toda sorte de preconceitos. Tomando conhecimento do fato, tentou desapropriar a área da mansão. Em vez de termos mais uma torre, teríamos um parque e um museu, como planejado pela prefeita.

A mídia caiu matando, não faltou quem dissesse que a prefeita delirava, que fazia dívidas que o município não conseguiria pagar, que era incompetente, que estava se vingando de uma família tradicional da cidade e etc. Foram manchetes e mais manchetes, que açularam o Ministério Público e o Poder Judiciário. A sociedade organizada e setores populares ainda não tinham força acumulada e a prefeita teve que recuar. Em vez de termos uma área de lazer e um parque, mais uma atração turística, mais um marco da história da cidade, temos mais um problema, no mínimo mais uma torre de escritório com 21 andares e um templo de compras agravando os congestionamentos na região. A mídia deveria estar se refestelando pela vitória. Os paulistanos devem se lamentar e não a mídia ou os que combateram a prefeita na época.

É bom lembrar episódios como esse, repetidos quando da implantação do bolsa-família e do início da implantação dos corredores de ônibus e agora com o “mais médicos”. Memória e arquivos devem ser acumulados, para mostrar o lado truculento e atrasado da sociedade. No momento,  a sociedade tem diversas oportunidades de criar parques e tombar prédios históricos. Um desses parques pode ser criado no terreno existente na Rua Caio Prado com Rua Augusta, uma região que precisa ser revitalizada. Não percamos a oportunidade.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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8 Comentários
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  1. Maria Luisa

    4 de outubro de 2013 7:01 pm

    Se fôssemos enumerar todo o

    Se fôssemos enumerar todo o mal que a imprensa do Brasil ja fez ao pais, iriamos passar anos contando!

     

  2. Malú

    4 de outubro de 2013 11:55 pm

    Um crime

    As autoridades, naquele tempo, deveriam obrigar os Matarazzos a reconstruirem a  mansão sob pena de prisão de todos eles. Aquela mansão e outras que foram destruídas para dar lugar a prédios horrorosos, faziam parte da história de São Paulo. Destruíram a memória daquela cidade. Até hoje não me conformo com esse crime. Imagine se Paris resolver botar abaixo todos seus prédios antigos, ou Londres…

  3. Malú

    4 de outubro de 2013 11:57 pm

    Um crime

    As autoridades, naquele tempo, deveriam obrigar os Matarazzos a reconstruirem a  mansão sob pena de prisão de todos eles. Aquela mansão e outras que foram destruídas para dar lugar a prédios horrorosos, faziam parte da história de São Paulo. Destruíram a memória daquela cidade. Até hoje não me conformo com esse crime. Imagine se Paris resolver botar abaixo todos seus prédios antigos, ou Londres…

  4. arara

    5 de outubro de 2013 12:11 am

    Sensatez
    É o que

    Sensatez

    É o que precisamos.

    Quem conhecia ao menos de passagem sabe que a Mansão Matarazzo era horrorosa. Aquilo ali não era história, não servia para nada. Um sobrado imenso, já bem deteriorado por décadas de abandono.

    Ok, um parque arborizado a exemplo do Trianon eu concordo, mas gastar caminhões de dinheiro para preservar uma casa velha e deteriorada? A troco de quê?

  5. Fabio (o outro)

    5 de outubro de 2013 12:24 am

    Que porcaria

    Colocado em foco na mídia devido às denúncias de que teria sido o operador das propinas nas licitacões do metrô paulista , Andrea Matarazzo , neto do conde , logo foi convidado para ir ao programa do Ronnie Von , TODO SEU  , na TV GAZETA ,  e teve a oportunidade de lembrar a todos sobre sua alta extirpe , seu pedigree , sua tradicão , tudo que sua familia já legou à cidade de São Paulo. 

    A elite forma uma grupo coeso. Não só é bem relacionada entre si. Também monopoliza todos os meios judiciais e de comunicacão. Se têm algum problema , seja de que ordem for – jurídico , policial , de imagem – não importa , não há nada que um  telefonema não consiga resolver .

  6. Frederico69

    5 de outubro de 2013 12:53 pm

    isso não é exclusividade de SP

    quando eu era guri em Pelotas correu um projeto de tombamento dos casarões antigos, e na vespera da aprovação, uma onde de explosões e marretadas. e muitos destes casarões amanheceram sem a fachada. inclusive uma imobiliária ridícula que ostentava o nome de casarão, mas destruiu a fachada do próprio imóvel para não ser tombado. deviam ter trocado o nome para tapera.

  7. evandro condé de lima

    5 de outubro de 2013 3:51 pm

    Desconheço a “qualidade da

    Desconheço a “qualidade da obra para o tombamento, mas em termos de se pensar as cidades gosto de olhar o google Maps e passear pelo Canadá, No Brasil a última coisa a se pensar (pensa-se?) é a qualidade de vida.

  8. Eduardo Fernandes

    1 de outubro de 2014 5:56 am

    Matarazzo

    O texto só peca ao cair no comum sobre a ex-prefeita Luiza Erundina. Especialmente se considerar que um dos herdeiros, o Eduardo Suplicy, era justamente do mesmo partido, e foi um dos que lucrou muito com a venda do terreno. 

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