Bolsonaro faz giro em governo, negando polêmicas e tentando recuperar apoios

Com vistas a reeleição em 2022, Jair Bolsonaro adotou algumas mudanças de postura para amenizar o impacto negativo que vem acumulando

Foto: Alan Santos/PR

Jornal GGN – Com vistas a reeleição em 2022, Jair Bolsonaro adotou algumas mudanças de postura para amenizar o impacto negativo que vem acumulando, tanto internamente no combate ao coronavírus, como a imagem exterior. É nesse sentido que o mandatário decidiu reativar agendas positivas, com visitas em estados e municípios, em cerimônias e discursos oficiais para estabelecer contato com a população e tentar recuperar apoios.

A agenda inclui desde as já realizadas no Nordeste, no final de julho, com a inauguração de uma adutora do rio São Francisco em Campo Alegre de Lourdes, na Bahia, com parada no Piauí, divisa com o extremo norte da Bahia. De lá, Bolsonaro desembarcou em Bagé, no Rio Grande do Sul, encontrando-se com apoiadores e participando da inauguração de uma escola cívico-militar.

Nos três episódios, Bolsonaro causou aglomerações e rompeu com todos os protocolos sanitários, aproximando-se da multidão, cumprimentando apoiadores, retirando a máscara. Mas para sua equipe, o resultado foi positivo no sentido de apelar à adesão popular. Nas semanas seguintes, também cumpriu agenda em São Vicente, São Paulo, e esta semana deve acompanhar o envio da comitiva de esforços humanitários à Beirute desde a capital paulista.

E juntamente com a atuação polêmica, que confronta as normas de segurança contra o Covid-19, sentindo no contato público a sensação de que mantém seu apoio eleitoral, o mandatário tenta um resgate da confiança da população em temas controversos de sua gestão. Além do próprio menosprezo à pandemia, a questão ambiental segue circulando contra sua imagem.

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É nesse sentido que Bolsonaro afirmou nesta terça (11) que seu governo tem “tolerância zero” contra crimes ambientais. Os altos níveis de desmatamento da floresta amazônica, que já posicionaram investidores internacionais em confronto contra o governo brasileiro, seguem sendo contrariados pelo mandatário, que insiste em afirmar que está sendo criticado de maneira “injusta” por outros países.

“Toda reunião que tenho com embaixadores de outros países que têm interesse na Amazônia, eu os tenho convidado, na época do ano que assim eles bem entenderem, a sobrevoar comigo dentro do avião da força área, pode ser um Bandeirantes, por exemplo entre as regiões de Boa Vista e Manaus, aproximadamente 600 km, eles não acharão, nenhum foco de incêndio, nenhum quarto de hectares desmatado, porque essa floresta é preservada por si só”, afirmou.

Nesta mesma terça, outros empresários brasileiros e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) debateram o tema e defenderam atuar contra o desmatamento na Amazônia, em possíveis parcerias entre o judiciário e iniciativas privadas. Mas Bolsonaro insiste: “Essa história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira”.

Em outra frente, o presidente também vem buscando não perder a articulação dentro do Congresso. Foram duas as atuações, nos últimos dias, que mostraram seus esforços para não perder base partidária.

O envio de Michel Temer para liderar a missão no Líbano teve este teor. Esquecido desde que foi preso duas vezes pela Lava Jato e mantendo discreta atuação em seu escritório de advocacia em São Paulo, Temer foi escolhido pelo mandatário com o objetivo de retirá-lo do ostracismo político e dar um gesto claro ao MDB, pelo menos à sua ala tradicional, de espaço para alianças.

Demonstrando, ainda, uma suposta fase “paz e amor” de Jair Bolsonaro, diminuindo tensões partidárias, o mandatário precisa alicerçar outros apoios para além do frágil Centrão, cujo MDB desembarcou recentemente, dentro do Congresso. Se a ala jovem do partido não ficou satisfeita com a medida, Temer ainda é voz presente na ala veterana da sigla. A atuação do também polêmico ex-presidente em Beirute, caso exitosa, estimulará um ponto positivo para o Brasil na imagem internacional.

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Nesta quarta (12), Bolsonaro também aprovou a medida provisória que prevê a restrição da circulação de pessoas e bens durante a pandemia. Se a sanção do mandatário contou, por um lado, com vetos – como o que isentava de impostos produtos e serviços necessários para o enfrentamento do coronavírus -, por outro deu carta branca para governadores restringirem viagens e acessos por rodovias, portos ou aeroportos.

A medida não foi de todo comemorada, uma vez que a forte pressão para que o mandatário aprovasse o texto dos parlamentares em benefício do país no combate ao coronavírus não foi completamente exitosa. O veto – estimulado pela equipe de Paulo Guedes na Economia – impedirá o melhor acesso de insumos necessários para combater a doença.

 

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