Bolsonaro vai ao Nordeste pedir apoio a Reforma da Previdência: em troca, ofereceu infraestrutura

Primeiro, ele se preparou em reunião com parlamentares nordestinos. Sabia que a região pedia infraestrutura. Ao fim do encontro com governadores, apelou para a reforma

Em Pernambuco, o mandatário dcidiu visitar o Castelo São João, onde esta localizada a coleção de Armas Brancas do Instituto Ricardo Brennand - Foto: ABr

Jornal GGN – Em cinco meses de governo, cumprindo uma agenda internacional com duas idas aos Estados Unidos, é a primeira vez que Jair Bolsonaro vai ao Nordeste. Para evitar ser vaiado e alvo de protestos, o mandatário está se transportando com helicóptero e apela para um discurso de obras na região.

Bolsonaro foi ao Recife e Petrolina, em Pernambuco, reduto tradicional do PT e do ex-presidente Lula, sendo a única região em que o hoje presidente perdeu em votos para Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições 2018. Da mesma forma, ele carrega uma imagem negativa, segundo as pesquisas.

A mais recente, a do Ibope-CNI, realizada no mês passado, Bolsonaro recebeu a pior avaliação na região Nordeste, com 40% considerando-o ruim ou péssimo, 58% não confiando nele e 55% desaprovando a sua maneira de governar.

Mas a visita de Bolsonaro ao Nordeste não é pensando nesta população. E sim para marcar um diálogo mais acirrado junto a governadores da região e parlamentares lideres de bancadas no Congresso, visando a aprovação da reforma da Previdência.

A ida de Bolsonaro ocorre dois dias após o mandatário receber deputados e senadores federais das bancadas nordestinas para um café da manhã, aonde tentou se inteirar do que ocorria na região e conseguir uma aproximação.

Foi lá que o deputado Julio Cesar (PSD-PI), adiantou a ele as petições e cobranças da região a nível federal: maior autonomia e recursos a Sudene, ao Docs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), e a continuidade das obras da ferrovia Transnordestina e da transposição do rio São Francisco.

Como moeda de troca, tanto aos governadores, quanto à população, Bolsonaro prometeu infraestrutura para a região: quis lançar o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste, que apesar de incluir as metas de 880 propostas de governadores locais, não revela detalhes de como as colocará em prática, e anunciou um aumento de R$ 2,1 bilhões para o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.

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Mas os investimentos, da mesma forma como já o faz para o todo o país, privilegiam os setores empresariais. Na prática, esse fundo serve como um caixa de crédito para empresários das áreas de produção, agropecuária, industrial e turismo. Não foi anunciado, até agora, nenhum tipo de investimento social para a população.

Após ter declarado em entrevistas no período pós eleitoral que os governadores nordestinos não podiam pedir dinheiro pra ele, porque o “presidente deles está em Curitiba”, ao se referir a Lula preso, agora com interesse na aprovação da reforma da Previdência, Bolsonaro quer diálogo.

Por isso decidiu participar do conselho deliberativo da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), para discutir o lançamento do plano regional. “De um modo geral o governo não tem atendido demanda nenhuma”, disse o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

“Destes cinco meses, não dá para responder nem que sim, nem que não, porque o governo está muito paralisado; então não é algo específico do Nordeste. Estamos nessa expectativa de que, em razão desse plano, acabe essa inércia”, continuou.

Depois, durante o encontro com os governadores nesta sexta-feira (24), Bolsonaro apelou ao que vinha fazer: “Temos um desafio pela frente que não é meu. É também dos senhores governadores e prefeitos, independentemente de questão partidária. É a reforma da Previdência, sem a qual não podemos sonhar em botar em prática algo que estamos sonhando neste momento”, disse, em Recife.

A tarde, Bolsonaro seguiu para Petrolina, no semiárido pernambucano, aonde cumprirá a única agenda fora de seu eixo: lá irá fazer a entrega de um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida.

2 comentários

  1. Ou a esquerda estabelece uma estratégia de derrubar o governo (Bolsonaro, Mourão, golpistas em geral) via mobilização popular ou VAMOS NOS ENCAMINHAR PARA UM REGIME DITATORIAL DE EXTREMA DIREITA.

    A burguesia não admite mais a aproximação da esquerda aos mecanismos de poder, e optou a partir de 2014 por destruir a esquerda e as organizações da classe trabalhadora.

    Em outras palavras: não existe mais conciliação. Ou a esquerda desta vez faz mais do que fez na década de 1980 ou viveremos em um regime pior que a ditadura militar.

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