4 de junho de 2026

A história do Banque de Paris et des Pays-Bas, o Paribas

Por Motta Araujo

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BANCOS HISTÓRICOS – BANQUE DE PARIS ET DES PAYS BAS – As raízes longínquas são a casa bancaária Bischoffsheim, Goldsmith & Cie., fundada em Antuérpia em 1825, que se expandiu em 1846 para Paris e em 1860 para Londres, depois transformada na Banque de Credit et Depot des Pays Bas, fundiu-se em 1869 com a Banque de Paris, que tinha como fundador Adolphe Ernst Fould, de célebre família de banqueiros judeus alemães de Fulda, operando no ramo bancário desde 1715. Os Fould são parentes dos Rothschild em várias gerações, Liliane Fould foi casada com Elie de Rothschild, do ramo francês da família, falecido em 2006, mas antes houve diversos casamentos entre as duas famílias e os Ephrussi, que eram em 1900 os maiores comerciantes de grãos do mundo, judeus de Odessa e também banqueiros importantes com palácios em Viena, Paris e Londres, enobrecidos (assim como os Rothschild) ainda no Século XIX, uma das famílias mais ricas da Europa.

File:Villa Ephrussi de Rothschild BW 2011-06-10 11-42-29a.jpg

Acima a Villa Ephrussi na Riviera francesa

A fusão da Banque de Credit et Depot, de Antuérpia e Amsterdam e da Banque de Paris em 1872 criou a Banque de Paris et des Pays Bas, que teve imediato sucesso ao emitir 3 bilhões de francos em bônus para a França pagar as indenizações ao recém-nascido Império Alemão por conta da Guerra Franco Prussiana de 1870.

A partir da década de sua fundação o Paribas foi forte emissor de bônus para a Rússia Imperial, e na década seguinte para os novos países da América Espanhola.

O Paribas voltou-se para a indústria do petróleo na Rússia Imperial através de seus acionistas Ephrussi, maiores empresários do óleo de Baku, no Mar Negro.

Ligou-se tambem a um novo grande cliente, a Standard Oil, do grupo Rockefeller.

Na Primeira Guerra Mundial o Paribas ajudou a França a financiar seu orçamento bélico, lançando os Bons de Defense Nationale, financiou também indústrias como a Thomson, raiz da Alsthom, que nasceu por sua vez do ventre da General Electric.

Na Segunda Guerra o Paribas perdeu muitos ativos mas conseguiu se safar bem em 1946, escapou da nacionalização geral dos bancos comerciais franceses ao se apresentar como banco de investimento.

Em 1960 abriu sua filial americana em Nova York, onde desde o início foi forte competidor.

Na década de 1970 apareceu em alguns escândalos, como o financiamento da exportação de armas da URSS para Angola, uma operação de US$576 milhõs, que gerou inquéritos nos EUA e na Europa.

Na década de 1990 também apareceu em novo escândalo, operações de troca Oil for Food com o Iraque, financiando o especulador Marc Rich, que mereceu inquérito da ONU.

Mas não escapou da nacionalização dos 39 maiores bancos franceses pelo Governo Mitterand em 1982, sendo reprivatizado em 1987 no Governo Chirac.

Em 1999 o Paribas participou de batalhas por controle entre uma troica, Paribas, Societé Generale e Banque Nationale de Paris, queriam comprá-lo mas o Paribas terminou como comprador e fundiu-se com o BNP, a ele agregando seu já famoso acrônimo, sendo hoje o BNP Paribas, banco de dimensão mundial e com banco comercial no Brasil.

Paribas, uma instituição francesa com raízes de 200 anos, um banco histórico.

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24 Comentários
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  1. Jorge Leite Pinto

    17 de dezembro de 2013 12:44 pm

    Momento “Caras” do blog… Um

    Momento “Caras” do blog… Um texto quase lírico sobre sanguessugas contumazes…

    Podia passar sem essa…

    1. Motta Araujo

      17 de dezembro de 2013 12:58 pm

      Meu caro, tento humildemente

      Meu caro, tento humildemente lançar algumas narrativas de historia economica através da vida das empresas centenarias

      que conseguiram sobrevvier muitas delas a 200 anos de convulsões, guerras, crises, revoluções. Dessas trajetorias muitas vezes se capta mais sobre a economia do mundo do que em tratados teoricos, não lhe parece?

      1. João Bosco Rocha

        17 de dezembro de 2013 5:47 pm

        Informações Adicionais

        Motta, gostei do texto, e gostaria de aproveitar a oportunidade de indagar sobre o porque da constância de grandes banqueiros serem judeus, fato que sempre me despertou a curiosidade. Será que praticaram a arte contida em “The Sacred Magic of Abremelin the Mage”?

        1. junior50

          17 de dezembro de 2013 8:25 pm

          Indagação pertinente

             Caro João, não tenho a didatica do Motta, e é sua indagação  comporta varios motivos, e em poucas linhas tentarei explanar o básico: 

              1. A origem do sistema bancario ,no caso ocidental é religiosa, vem do tempo que os templos babilonicos ( Tigre X Eufrates), recebiam sementes para depósito, e as forneciam aos agricultores que não as tinham, cobrando um plus sobre o fornecimento (juros), o que mantinham os templos, independente do Soberano no governo. Esta fase é anterior ao aparecimento da moeda.

              2.  Os de fé judaica, com lingua própria e locais de encontros religiosos, realizavam trocas comerciais, e financiavam caravanas por toda a região hj. conhecida como Asia Menor, Oriente Médio e Norte da Africa.

              3. A perseguição aos de fé em um unico Deus, tornou-os suscetiveis a sempre terem seus bens em condição movel, começando com sementes, derivando para metais preciosos, gemas de valor, como diamantes ou metais como ouro e prata,  futuramente já na Idade Média/Moderna, através de Letras de Cambio, Cheques, Warrants e outras formas de moeda escritural.

              4. Após a diaspóra de 70 D.C. espalharam-se por toda a Europa e Asia Menor, chegando até a China, e ao sairem da Palestina (Eretz Israel), levaram com eles a função de financiar varias investidas comerciais, pois tinham correspondentes comerciais, judeus como eles, em varias partes do mundo, com a mesma lingua, e local para reunião (sinagogas).

              5. A descoberta da América (Sec.XV) por Leão e Castela, somente foi possivel com capitais judaicos, que financiaram a Colombo – um Abravanel, origem do Silvio Santos, foi o grande financiador da expediçã – e depois por não querer abjurar de sua fé, foi para a Turquia, onde o Sultão declarou: ” como algum Rei pode deportar gente tão operosa”, claro tinham trazido seus haveres, e transformaram Istambul e Antioquia como os grandes centros financeiros da época, garantindo o ouro dos “maravedis”.

              6. Intermediarios, e a origem dos Bancos Modernos: Tanto os cristãos como os muçulmanos, possuiam preceitos estritos sobre a usura ( pecado ), a cobrança de juros, portanto para poder emprestar fundos a juros, se utilizavam de judeus, tanto que os Dominicanos ( espertos religiosos católicos), no século XVI estabeleceram uma Emabaixada (um Banco), em Antuérpia ( já um estado protestante, mas carregado de judeus), para poderem negociar as letras de cambio que circulavam na Europa Ocidental, uma troca de garantias – um “papel coemçou a valer dinheiro – cash” em toda a Europa, garantido por ambas confissões.

               O assunto de sua pergunta é imenso, interessantissimo, e explicativo de como nascem os bancos modernos, e até a origem do atual capitalismo financeiro ( do século XVIII para frente), teriamos que comentar a revolução francesa, Napoleão ( código napoleonico, que equiparou os judeus aos franceses natos e cristãos. foi uma necessidade).

               Espero que a didatica “motteana” nos brinde com melhores explanações.

          1. João Bosco Rocha

            17 de dezembro de 2013 9:22 pm

            Origem dos Bancos

            Excelente explanação Junior50, o tema realmente é vasto e acho que valeria muito a pena o seu aprofundameneto. Obrigado!

    2. Motta Araujo

      17 de dezembro de 2013 1:03 pm

      A proposito, CARAS não tem

      A proposito, CARAS não tem absolutamente nada a ver com coisa alguma remotamente relacionada às familias emblematicas do capitalismo mundial, CARAS é o lumpen society brasileiro, gente brega com alguns trocados no bolso.

      Os Ephrussi, Fuld e Rothschild constituiram as maiores coleções privadas de arte da Europa, era gente que dava imenso valor à cultura, entre eles há muitos cientistas e  intelectuais, a riqueza daqueles tempos servia ao refinamento e não ao deslumbramento.

    3. Fernando G Trindade

      17 de dezembro de 2013 1:24 pm

      Não apoiado. Gostei do texto

      Não apoiado. Gostei do texto do Motta Araújo, um dos bons colaboradores do agora GGN, sem embargo dasdivergências politicas que com ele tenho (também concordâncias) e de vez em quando manifesto aqui.

       Gostei de aprender o sentido do nome Paribas e uma série de informações relevantes sobre o importante banco francês (isso não tem nada a ver com gostar ou não de banqueiros).

  2. Motta Araujo

    17 de dezembro de 2013 1:17 pm

    http://pt.wikipedia.org/wiki/

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Villa_Ephrussi_de_Rothschild

    Mais detalhes sobre a Villa Ephrussi Rothschild em Cap Ferrat, na Riviera Francesa, doada pela familia ao Institut de France, hoje declarada Monumento Nacional e aberta à visitação publica.

  3. Alexandre Rodrigues Costa

    17 de dezembro de 2013 1:19 pm

    Banco do Brasil: 205 anos

    BB, uma instituição brasileira com raízes de 205 anos, um banco histórico.

    Maior do Brasil, maior da América Latina, em franco (não francês) crescimento.

    1. Motta Araujo

      17 de dezembro de 2013 1:52 pm

      Sem duvida o Banco do Brasil

      Sem duvida o Banco do Brasil tem uma estoria interessante, conheço-a bem porque trabalhei lá, assim como a Caixa Economica mas perde um pouco o enredo porque foi sempre estatal, sem o pano de fundo capitalista aventureiro dos bancos privados.

      1. Aventurado

        17 de dezembro de 2013 6:32 pm

        Pequena diferença

        Sim, troque o pano de fundo aventureiro por outro mais venturoso.

        Daí, o enredo é questão de escolha.

  4. ValmirStronzake

    17 de dezembro de 2013 3:37 pm

    Sobreviveram às guerras porq

    Sobreviveram às guerras porq eram os insulfladores delas e porq tinham um pé em cada barco; E as mãos também;

    Mandavam (e ainda mandam) em vários governos e lucraram (e ainda lucram) com as guerras;

     

  5. Flavio Martinho

    17 de dezembro de 2013 4:07 pm

    Penso que outro com historia

    Penso que outro com historia interessante é o Hong-Kong Shangai Bank. Veio do Oriente mas não se ainda sobrevive.

    1. junior50

      17 de dezembro de 2013 5:17 pm

      Tá vivo

      HSBC

    2. Motta Araujo

      18 de dezembro de 2013 2:18 am

      O HSBC é hoje o maior banco

      O HSBC é hoje o maior banco do mundo, foi fundado por escoceses na China, é até hoje o banco emissor da moeda de Hong Kong, moveu sua sede para Londres, no Brasil está entre os 10 maiores bancos comerciais.

  6. Artaud

    17 de dezembro de 2013 4:49 pm

    Essa foto da Villa na Riviera

    Essa foto da Villa na Riviera estará nas redes sociais como  “A casa do filho do Lula na Riviera Francesa” em 4, 3, 2… 

    Ninguém jamais ficará sabendo que a bela mansão e seu imponente espelho d´água pertence na verdade a algum Ephrussi, Fuld ou Rothschild, gente refinada que dava imenso valor à cultura e nas horas vagas descolavam uma grana legal, aplicando dinheiro alheio através de um mecanismo chamado Banco.

     

     

  7. junior50

    17 de dezembro de 2013 5:25 pm

    O Escudo Vermelho

        Caro Motta, já que vc. gosta da história de bancos:

       A história de um ourives judeu intinerante na Pré- Alemanha do século XVIII, Moses Amschel Bauer e de seu filho: Mayer Amschel Bauer, e o porque do “escudo vermelho” – do alemão: Rothschild.

       www.zum.de/whkmla/sp/1011/nemesis/nemesis1.html

    1. A.Araujo

      17 de dezembro de 2013 7:18 pm

      Os Rothschild são conhecidos

      Os Rothschild são conhecidos demais, só eu tenho cinco monografias sobre essa familia e seus negocios, procuro narrativas menos conhecidas como os Warburg, Schroeder, Lazard,  Oppenheim ou de bancos de peril historico, como o Nacional Ultramarino “banco do Imperio Colonial Português” que teve grandes agencias no Brasil ou a Banca di Napoli que sempre esteve por trás dos Matarazzo, seus correspondentes no Brasil ou o Midland Bank que foi na decada de 20 o maior do mundo ou Monte dei Paschi de Siena, que tem 600 anos e funciona hoje na Italia como um moderno banco comercial sem esquecer do Royal Bank of Scotland, um dos cinco maiores do mundo.

      Os Rithschild são importantes pela permanecia, financiaram a Independencia do Brasil em 1822 e sob a mesma razão social, N.M.Rothschild & Sons,  tem portas abertas em Londres e escritorio em São Paulo.

      1. junior50

        17 de dezembro de 2013 8:45 pm

        Carissimo

          Dos que vc. comenta, o Lazard & Frerés, ainda é ótimo para operações de private-equity, o Warburg (NYSE) é de extrema segurança, mas na sua série histórica, o Ultramarino Portugues seria excelente para a compreensão da ascensão e queda do Império Colonial Portugues – as operações na China (Macau) são ótimas, o controle que foi tentado pelo banco relativo as operações comerciais e de navegação, no estreito de Timor, retratam bastante a Salazar, e o declinio de sua ditadura, que atingiu o Banco – se ele só financia-se o ULtramarino, teria ganho muito, e sua queda demosntra bastante o que é prejudicial a interferencia de um Estado (burro), em relação as operações de um Banco Comercial.

            Quanto a “porra” do RBS, nem comento, tenho raiva e tive uma ulcera que batizei com o nome dele – derivativos islandeses, que eram mais de 70% da operação – ODEIO o RBS.

        1. Motta Araujo

          18 de dezembro de 2013 2:23 am

          Tenho até hoje em meu arquivo

          Tenho até hoje em meu arquivo originais de  ordens de pagamento do Banco Nacional Ultramarino enviadas por meu pai de Manaus para São Paulo em 1943, o Ultramarino era o banco da colinia portuguesa no Brasil, super solido, era emissor de moeda em Angola e Moçambique, as instalações pareciam museus e os caixas eram solenes como sacristãos.

        2. Motta Araujo

          18 de dezembro de 2013 3:00 am

          Lazard Freres tem realmente

          Lazard Freres tem realmente uma historia interessante, fundada em Nova Orleans em 1848, com uma trajetoria que daria varios livros, o escritorio de Nova York foi liderado por decadas por Andre Meyer, morava em um hotel de NY, não me lembro se no Carlyle, Pierre ou Waldorf, era advisor dos Kennedy e da familia dona do Washington Post, conheci pessoalmente uma vez no bar de um desses hoteis, já não me lembro qual,  lembro que o pianista era George Feyer, foi o mais inovador financista de aquisições, responsavel por operações complexas da ITT,  na decada de 70 o grande conglomerado americano chefiado por Harold Geneen que comprou em dois anos 400 empresas.

          Meyer foi mentor de Felix Rohatyn, que salvou Nova York da ruina financeira na decada de 70 (do pessimo Prefeito John Lindsay), criando a Municipal Assistance Corporation, que pagou as dividas da cidade.

          Andre Meyer  tinha uma fabulosa coleção de arte, especialmente de pintores impressionistas, que ficava em sua casa na Suiça. Ao que me consta não tinha filhos, a coleção deve ter sido doada a algum museu.

          A Lazard ainda hoje existe em plena atividade, tem sede nas Bermudas e administra US$170 bilhões em fortunas

          O ramo francês ficou tambem por muito tempo com Michael David Weill, depois de tudo isso os ramos americano, francês e inglês se fundiram na Lazard Inc., uma só firma.

  8. Maria Luisa

    17 de dezembro de 2013 5:50 pm

    Sobre a familia Ephrussi, ha

    Sobre a familia Ephrussi, ha um livro simpatico, de um dos herdeiros que narra a trajetoria deles. Da Russia,  Berlim, passando por Viena, Paris até Londres. “Olhos de Ambar”, senão me engano. 

    Ja os Rothschild, continuam dando as cartas, entre os mais poderosos da Europa, ainda que tenham fusionado com outros bancos e diluido os negocios, mas os laços de familia, os casamentos, os mantêm sempre entre as grandes familias européias. 

    1. junior50

      17 de dezembro de 2013 7:36 pm

      A Lebre

        ” A Lebre com olhos de Ambar ” – a saga dos Ephrussi e dos Wall. Bom livro.

          Mas se vc. tiver interesse na história dos ” petroleiros e banqueiros do Caucaso “, um ótimo livro que combina doses de romance, história, politica, leia o ” Orientalista” – a estória de Essad Bey ( Lev Nussinbaum) de Tom Riess.

      1. Motta Araujo

        18 de dezembro de 2013 2:15 am

        “O Orientalista” é um livro

        “O Orientalista” é um livro interessantissimo, uma estoria dentro da Historia, eu tenho o famoso livro original de Essad Bey, “A Luta Pelo Petroleo”, ediação da Cia.Editora Nacional,  (Flussiges Gold) de 1936, com prefacio de Monteiro Lobato, quando se pensava que o autor, judeu de Odessa, fosse um sheik arabe exilado em Berlim.

        Sobre o petroleo de Baku há um livro mais moderno “O PETROLEO E A GLORIA”, A Corrida pelo  Imperio e a Fortuna do Mar Caspio, direitos da editora americana Ramdom House,  de Steve LeVine, editora em português Landscape, 2008.

        A historia do petroleo russo é mais aventurosa do que a de qualquer outro Pias, lembrando que Stalin era lider sindical dos petroleiros de Baku, nas ua primeira investida politica ainda nos tempos do Czar.

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