Por Motta Araujo
EMPRESAS HISTÓRICAS – COMPANHIA CITY – Fundada em Londres em 1911 como City of São Paulo Improvements and Freehold Land Co.Ltd., mostra a impressionante visão dos britânicos. Numa época em que São Paulo era quase uma aldeia , compraram 15 milhões de metros quadrados de terra que pouco valia. Com urbanistas ingleses de primeiro nível desenharam e desenvolveram bairros fundamentais de São Paulo como Jardim América, Jardim Europa, Butantã, Pacaembu, Alto da Lapa. Os arquitetos Barry Parker e Raymond Unwin partiram para desenhos que não se usavam no Brasil, ruas sinuosas e curvas com pracinhas e recuos irregulares, criando as melhores áreas verdes da região central de São Paulo, lotes com metragem fixa que não podem ser fracionados até hoje, bairros tombados para manter a beleza e o verde de seus jardins, verdadeiro pulmão da cidade, onde inclusive se encontram macaquinhos e araras. Nos bairros City é completamente vedada a construção de prédios de apartamentos, só residências dentro de um padrão de “country gouse”, cercada de verde. No Jardim America são 672 lotes, plano original de 1919, hoje já muitos juntados mas nunca fracionados, três lotes podem formar um só mas um não pode ser dividido.
A Companhia City é uma instituição de São Paulo, continua operando no ramo imobiliário, ainda tem reserva de terras, também constrói apartamentos fora das áreas “Jardins”. Seu controle sofreu várias alterações, foi controlada pela Deltec, empresa que em certa época foi pioneira no mercado de capitais do Brasil, no exterior controlada pela International Basic Economy Corp. do grupo Rockefeller, depositária de um legado, a City teve nomes ilustres na sua diretoria, sempre procurou os melhores urbanistas e arquitetos para manter o alto padrão de seus loteamentos.
Com mais de cem anos a City é a mais antiga empresa urbanística em operação em São Paulo, há boa bibliografia sobre a empresa e suas iniciativas em São Paulo, todas baseadas no bom gosto, inteligência, com soluções integradas de viação, drenagem, paisagismo, urbanismo e organização da vida urbana. Até hoje os bairros símbolos da City conhecidos como “Jardins” são a cara bonita de São Paulo, cartão de visitas da cidade, cujo urbanismo no geral fica muito a dever.
Athos
13 de março de 2014 2:01 pmQuer dizer que se tivessem
Quer dizer que se tivessem deixado apenas para os paulistas… esta cidade seria pior do que é?
Esses paulistas…
Motta Araujo
13 de março de 2014 2:06 pmInfelizmente é verdade, sem
Infelizmente é verdade, sem os ingleses da City São Paulo seria um horror urbanistico, basta vc andar pelas avenidas
Santo Amaro, Bandeirantes, Tiradentes, começo da Nove de Julho para vc ver o que é feiura.
alfredo machado
13 de março de 2014 3:14 pmUrbanização decente
Andre,
SP teve a excelente e visionária City, enquanto o RJ teve o SD, Sergio Dourado rsrsrs
Gilberto .
13 de março de 2014 6:28 pmProjetos, até tivemos
Pecamos nas escolhas e, dilema constante, esbarramos na falta de recursos. Hoje, o presidente da FIESP de olho no governo do estado, ajuda a manter este dilema histórico. Falta visão estratégica e sobra demagogia em anos eleitorais. Como oferecer soluções, para uma cidade com um orçamento restrito?
Mas, é à partir do final dos anos 70 que inauguramos, aquelas que eu chamaria, de avenidas inacabadas. Nestas, a questão do entorno foi totalmente desprezado. É o caso da Bandeirantes, das Marginais, e das mais recentes como a Roberto Marinho, Roque Petroni Junior, Jacú Pessego, etc. Comparem estas avenidas com a Nove de Julho, 23 de maio, parte da Rubem Berta, Sumaré. Foram esquecidas as obras auxiliares, paisagismo, tratamento de muros de arrimo, paineis decorativos, enfim, a urbanização do entorno.
As novas avenidas são os chamados não lugares, na ótima definição de Marc Augé. Pistas asfaltadas que ligam objetivamente um lugar ao outro, sem a menor preocupação com o entorno. Obras realizadas com maus projetos e entregues com prazos eleitorais.
Deixo abaixo uma lembrança, de como Prestes Maia sonhava a cidade nos idos dos anos 20, 30 e 40. Os desenhos são de sua autoria. É, ele já pensava no metro nesta época. Mau político, mas sem dúvida um visionário.
mcn
13 de março de 2014 7:12 pmMeu avô, barbeiro de
Meu avô, barbeiro de profissão, tinha um terreninho onde é hoje o Jardim Europa. O lugar era ermo, não urbanizado. Um dia, houve uma grande inundação do Rio Pinheiros e a região ficou submersa por muito tempo. Mais tarde, disse-me ele, descobriram que havia sido uma maracutaia entre os “ingleses” e o poder público.
Quem tinha terreno ali, perdeu dinheiro. Tudo se desvalorizou. As pessoas acabaram vendendo por preços irrisórios, pois a impressão que se tinha é que a inundação seria permanente. Meu avô visitou o terreno pela última vez de barco, acompanhado pelo comprador da Cia City ou da Ligh, ele não se lembrava ao certo.
Depois que tudo foi vendido, a inundação acabou.
Algo parecido aconteceu em 2009, na gestão Kassab (sempre ele), com a prolongada enchente no Jardim Pantanal, Zona Leste de SP, acelerando os despejos para a criação do Parque Várzeas do Tietê – LINK.
Segundo estudo recente, “em 1929 uma grande enchente atingiu a região do Rio Pinheiros em meio ao processo de delimitação da área a ser cedida à Cia Light, que executaria as obras de retificação daquele rio. O trabalho de doutorado da geógrafa Odette Seabra indica que o nível de chuvas verificado era incompatível com uma inundação daquele porte, restando como possibilidade apenas a abertura das barragens das represas, controladas pela companhia” (idem).
Segue uma foto da inundação de 29.
Carlos Abs
6 de março de 2016 5:27 amMuito interessante
Obrigado pelo comentário.