5 de junho de 2026

Argentina: polícia faz busca por documentos da ditadura

Do Opera Mundi

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Justiça argentina faz buscas na casa de Videla e recolhe documentos da ditadura

Policiais encontraram peças com etiquetas de “secreto”, vídeos, agendas, fitas cassetes e cartas dos serviços de inteligência   

A justiça argentina realizou uma operação na casa do ex-ditador Jorge Videla e de outros ex-chefes da ditadura militar (1976-1983) e recolheu documentação classificada como secreta que pode ser útil em causas de violação aos direitos humanos, informou neste domingo (29/04) a imprensa local.

A polícia “coletou uma enorme quantidade de documentação ainda não analisada e em grande parte desconhecida”, anunciou uma fonte judicial ao jornal Página 12, sobre as operações realizadas entre a sexta-feira e o sábado nas residências de Videla, seu ministro do Interior, Albano Harguindeguy, e o ex-general Omar Riveros.

Os agentes encontraram peças com etiquetas de “secreto”, vídeos, agendas, fitas cassetes, manuscritos e cartas dos serviços de inteligência, segundo o jornal. Videla, que liderou o regime militar entre 1976 e 1981 e que já tem duas condenações à prisão perpétua, admitiu em um livro ter participação no desaparecimento de “sete ou oito mil pessoas” para evitar protestos dentro e fora do país.

“Digamos que eram sete ou oito mil pessoas que deveriam morrer para ganhar a guerra contra a subversão”, disse Videla ao jornalista Ceferino Reato, que o entrevistou durante vinte horas entre outubro de 2011 e março de 2012 em uma cela da prisão federal dentro do quartel militar de Campo de Maio.

As operações foram ordenadas pela justiça federal de San Martín, na província de Buenos Aires, no marco de uma causa que investiga o papel de Riveros, ex-diretor do Instituto Militar, em sequestros de funcionários de companhias automobilísticas, como a americana Ford e a alemã Mercedes Benz, entre outras.

“O material resgatado pode ser de grande utilidade para avançar nos processos de memória, verdade e justiça”, acrescenta o jornal.

* Com informações da Agência France Presse

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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