O subsecretário do Interior do México, Alejandro Encinas, informou na segunda-feira (27) que a Justiça ordenou a prisão contra oito soldados detidos pelo desaparecimento dos 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa. Os jovens faziam parte do movimento estudantil e estavam a caminho da capital.
Na noite de 26 de setembro de 2014, 42 estudantes da Escola Normal Rural Raul Isidro de Ayotzinapa foram atacados pela polícia do estado de Guerrero e desapareceram. Mais recentemente descobriu-se que a 43a morte era de um militar infiltrado no movimento estudantil.
“A Segunda Vara de Processos Criminais Federais localizada em Toluca ordenou uma ordem formal de prisão contra os oito militares detidos pelo crime de desaparecimento forçado de 43 normalistas de Ayotzinapa”, escreveu Encinas em sua conta no Twitter.
Foram presos os militares Gustavo Rodríguez de la Cruz, Omar Torres Marquillo, Juan Andrés Flores Lagunes, Ramiro Manzanares Sanabria, Roberto de los Santos Eduviges, Eloy Estrada Díaz, Uri Yashiel Reyes Lazos e Juan Sotelo Díaz.
A Comissão para a Verdade e Acesso à Justiça do Caso Ayoztinapa, vinculada ao Executivo, concluiu que autoridades federais, estaduais e municipais estavam cientes da detenção dos cinco ônibus que transportavam os estudantes de Iguala à capital mexicana.
Na Cidade do México, os estudantes participariam de manifestação em memória ao massacre de Tlateloco. Os atos acontecem anualmente, no dia 2 de outubro, para recordar o dia em que a polícia mexicana assassinou centenas de manifestantes em 1968.
Resolução lenta
Apesar de mais de 100 pessoas já terem sido detidas pelo envolvimento no crime, o caso permanece sem resolução e as famílias continuam atrás do paradeiro dos estudantes. Os familiares lutam não apenas pela punição dos responsáveis, mas também encontrar os corpos dos jovens.
Familiares das vítimas e organizações políticas mexicanas organizam anualmente a “Marcha do Anjo”, uma caminhada que ocorre no dia 26 de setembro até o Zócalo, sede do governo, na Cidade do México. Já no dia 27, é realizada uma manifestação pública em nome dos desaparecidos, em Iguala, no estado de Guerrero.
A titular do Tribunal, Raquel Ivette Duarte Cedillo, foi quem tomou a decisão contra os fardados acusados do desaparecimento dos 43 alunos da Escola Normal Isidro Burgos. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) acompanha o caso e tem exercido pressão para a resolução.
Torturador detido
Encinas também revelou que no domingo passado foi preso o ex-chefe da Unidade Anti-Sequestro da Procuradoria-Geral da República (PGR), Gualberto Ramírez Gutiérrez, também em relação ao caso Ayotzinapa.
Encinas indicou em outro tweet, divulgado pela TeleSur, que Ramírez Gutiérrez é acusado de supostos crimes de desaparecimento forçado de pessoas, tortura e coligação de servidores públicos.
“Na madrugada de 25 de junho, o FGR (Procurador Geral da República) prendeu Gualberto Ramírez Gutiérrez, ex-chefe da Unidade Anti-Sequestro da SEIDO durante o desaparecimento dos 43 normalistas de Ayotzinapa, acusados de desaparecimento forçado de pessoas, tortura e coalizão de servidores públicos”, especificou o subsecretário.
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