Cenários para a terceira guerra mundial
Por Ruben Bauer Naveira
Se por “Terceira Guerra Mundial” entendemos uma guerra entre Rússia e Estados Unidos, então ela tem duas fases, a primeira delas a de uma guerra indireta que já começou há décadas – digamos que tenha sido no dia 12 de março de 1999, com a adesão da Polônia, Hungria e República Tcheca à OTAN, violando os acordos de não-expansão da OTAN para Leste firmados com a então União Soviética uma década antes; exatos três meses depois, a 12 de junho daquele ano, ocorreria o primeiro enfrentamento bélico entre a Rússia e a OTAN, no aeroporto da cidade de Pristina, no contexto da guerra separatista do Kosovo. De lá para cá, as tensões entre os dois países só fizeram aumentar.
A segunda fase, a de uma guerra direta entre russos e americanos, ainda não começou, mas foi assumida formalmente pela Rússia como já tendo de fato começado, por meio de discurso proferido pelo presidente Vladimir Putin no dia 21 de novembro (transcrição oficial para o inglês aqui), em que ele declarou (ênfases nossas):
On November 19, six ATACMS tactical ballistic missiles produced by the United States, and on November 21, during a combined missile assault involving British Storm Shadow systems and HIMARS systems produced by the US, attacked military facilities inside the Russian Federation in the Bryansk and Kursk regions. From that point onward, as we have repeatedly emphasised in prior communications, the regional conflict in Ukraine provoked by the West has assumed elements of a global nature.
E declarou também que “Our decision on further [ações militares] (…) will depend on the actions of the United States and its satellites.”
Não poderia ter sido mais explícito. A Rússia se reconhece em guerra contra o Ocidente, contudo, como um derradeiro “chamamento à razão” dirigido aos líderes ocidentais, ainda aguardará pelo início das hostilidades diretas por parte da OTAN.
Esboçamos então aqui alguns cenários plausíveis para os desdobramentos futuros:
CENÁRIO 1: Com medo da guerra direta, a OTAN refuga e suspende novos ataques com mísseis ocidentais em território russo. No entanto, os líderes ocidentais já deram mostras mais que suficientes de que menosprezam as “linhas vermelhas” da Rússia, e ademais os agentes do “deep state” que governam de fato os Estados Unidos (e não Biden) têm grande interesse em inviabilizar de antemão o futuro governo Trump. Atribuímos assim a possibilidade de 10% de efetivação deste cenário.
CENÁRIO 2: A Ucrânia prossegue a sua campanha de ataques a território russo com respaldo da OTAN, e a Rússia se abstém de responder, aguardando pela inauguração da presidência de Donald Trump em 20 de janeiro. Tal cenário equivaleria a considerar que a Rússia blefa, coisa que não se verificou ao longo de todo o percurso da “guerra indireta” (desde 1999). Possibilidade de 5%.
CENÁRIO 3: Os ataques da OTAN via Ucrânia prosseguem, e a Rússia responde atacando instalações militares da OTAN. Novamente conforme declarado por Putin em seu supramencionado discurso: “We consider ourselves entitled to use our weapons against military facilities of those countries that allow to use their weapons against our facilities.”
Decomporemos os 85% de probabilidade que atribuímos a este cenário em alguns sub-cenários:
CENÁRIO 3a: A Rússia ataca diversas instalações militares dos Estados Unidos na Europa e no Oriente Médio. Tal cenário, que teria como objetivo intimidar os americanos, muito provavelmente traria o efeito oposto, praticamente obrigando os Estados Unidos a uma escalada, a qual rapidamente convergiria para uma guerra nuclear total. Possibilidade de 5%.
CENÁRIO 3b: A Rússia promove um ataque limitado, na esperança de que seja suficiente para intimidar os Estados Unidos. Possibilidade de 80%, os quais decompomos conforme abaixo:
CENÁRIO 3b1: A Rússia ataca apenas aquelas instalações militares que considera como ameaças inaceitáveis à sua própria segurança (e que compuseram sua justificativa para a invasão da Ucrânia), a saber, as bases da OTAN de lançamento de mísseis de Redzikowo na Polônia e Deveselu na Romênia. Como se tratam de instalações operadas por militares americanos, os russos avisam previamente que vão atacá-las de modo a poderem ser evacuadas, com os americanos perdendo as instalações contudo preservando as vidas de seus militares. Possibilidade de 40%.
CENÁRIO 3b2: A Rússia ataca as bases na Polônia e Romênia sem aviso prévio, acarretando em mortes de americanos. Possibilidade de 20%.
CENÁRIO 3b3: A Rússia ataca algum outro alvo militar de menor importância, por exemplo ela afunda uma fragata ou algum outro navio de pequeno porte da marinha americana. Possibilidade de 20%.
A partir daí, tudo residirá em descobrir se os americanos se deixarão intimidar ou se escalarão. Se vierem a escalar, será mais provável que, em vez de embarcar em uma escalada gradual, os russos respondam com grande força como última tentativa de deter a escalada mútua. Novamente conforme as palavras de Putin (ênfases nossas):
(…) when choosing, if necessary and as a retaliatory measure, targets to be hit (…) on Ukrainian territory, we will in advance suggest that civilians (…) residing in those areas leave danger zones. We will do so for humanitarian reasons, openly and publicly (…)
Putin não disse, mas para bom entendedor ele está se referindo a um ataque com armas nucleares a alguma cidade ucraniana (muito provavelmente nas regiões ocidentais da Ucrânia, como a Galícia). Naturalmente, mesmo com o aviso “humanitário” dos russos haverá milhares de mortes civis, o que desencadeará histeria por todo o Ocidente, e recriminação pesada à Rússia.
Contudo, o papel destinado pelo Ocidente à população ucraniana nesta guerra é o de morrer mesmo, então, pragmaticamente, seriam razoáveis as chances de que uma medida drástica dessas fizesse estancar a escalada, e resultando também em um abandono definitivo da Ucrânia pelo Ocidente.
A única outra alternativa seria o prosseguimento da escalada, até a guerra nuclear total e a morte quase certa da grande maioria dos habitantes da Terra. A nós, só resta torcer para que as coisas não cheguem a esse ponto.
Ruben Bauer Naveira é ativista, pacifista, poeta, tricolor, imperiano e acredita que é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho – sempre – e, mesmo em tempos sombrios, possui a estranha mania de ter fé na vida. Autor do livro Uma Nova Utopia para o Brasil: Três guias para sairmos do caos (disponível aqui).
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Flavio
24 de novembro de 2024 1:03 pmO cidadão aí escreve como se a vítima de tudo fosse a mamãe russia. Pelo amor de Deus. Ninguém aqui é tão trouxa para acreditar nisto. Essa conversa de que o EUA é culpado de tudo já está enchendo o saco. Vamos para a guerra nuclear então. Somente saber que um país com esse Putin como presidente ter sido exterminado já é uma salvação para quem sobrar. Chega de um ditador de merda mandando e pisando em tudo e todos. A Ucrânia foi invadida porque poderia aderir à OTAN. É direito da Ucrânia escolher um lado. Assim como foram direto da Polônia e outros. Ninguém aguenta ou quer estar aí lado de ditadores sanguinários. Com exceção, obviamente dos demais ditadores que acompanham a russia nessa empreitada. A pergunta final é simples. Porque os ditadores citados convergem para o mesmo lado?? Respondam tal pergunta e saberão as razões do começo do fim dos tempos.
José de Almeida Bispo
24 de novembro de 2024 7:05 pmQuem vem provocando quem, desde 1945? Quem tem invadido os outros, desde 1776?
Américo de Sá
24 de novembro de 2024 9:20 pmSe fosse presidente da Rússia bobardiari Kiev Alemanha França e Inglaterra simutaniamente sem desconfiar Nova York
AMBAR
25 de novembro de 2024 12:40 amNão sei o que você considera ditadura e se a aprovação popular de um governante por eleições diretas teria algum significado para você. Posso assegurar que nossas “democracias” de “mundo livre” governam com países de população dividida e altamente divergente entre si enquanto “ditadores” governam com margem expressiva de aprovação popular através das urnas e conseguem fazer boas administrações.
Eis aqui um exemplo: ” O presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi reeleito com cerca de 87,3% dos votos, de acordo com resultados divulgados nesta segunda-feira (18) pela Comissão Eleitoral Central da Rússia (CEC).
Por volta das 9h30, a CEC informou que a apuração de votos das eleições foi finalizada e Putin recebeu 87,28% dos votos.
Será que foi fraude?
Aqui a fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/putin-vence-eleicoes-russas-com-873-dos-votos-e-estende-poder-ate-2030/
Maphepha Xinwaradzi mbayekani
25 de novembro de 2024 1:52 amVamos à uma guerra nuclear? Estás louco??? Há tantos meios que podem ser usados para o autosuicidio, então vai se suicidar sozinho não queira morte colectiva…lição da vaida:Controle as emoções não te apresse a julgar… Nem tudo que tens a certeza que é, está certo…
Milton
25 de novembro de 2024 8:52 amRelembrando a história.
1.A Rússia pretendeu usar Cuba como base de foguetes para ameaçar o território norte-americano. Os EUA forçaram a mão e a Rússia desistiu.
2.Recentemente os EUA patrocinaram a derrubada de dirigente ucraniano e colocaram seu serviçal na presidência.
3.Pretenderam instalar foguetório atômico na Ucrania coisa que a Rússia não aceitou – ver nota 1.
4. Em resposta a Russia invadiu e agora irá “nacionalizar” parte do território ucraniano. O preposto que se cuide e os ucranianos são a massa de manobra da vez.
Em resumo: o cinismo e os interesses de grandes potências sobreleva a racionalidade. Não é jogo de inocentes.
Antonio Carlos Forner
24 de novembro de 2024 1:45 pmAcho que já passou da hora de uma terceira guerra.
O planeta Terra tem que começar de novo.
Assim como foi com os alienistas do passado nos também temos que ser substituídos.
Padawan
24 de novembro de 2024 4:54 pmSão hipóteses previsíveis pois o interesse do deepstate é sabotar Trump que prometeu varrer de uma vez os neocons.
Os russos formaram a suprema ESCOLA do xadrez no séc XX. Só foram superados pelo Capablanca que era um mestre defensivista e por Fischer um gênio que sucumbiu no conspiracionismo esquizofrênico. Não é o caso dos negócios que enxergam o planeta como seu próprio tabuleiro.
Porém, um ataque devastador aos moldes de Zbignew Brzezinsky nunca saiu da cabeça deles.
Adilson da Silva Ferreira
24 de novembro de 2024 4:55 pmEsse Putin é nada nada mais, nada menos que um MAluco. Aliás, há 3 malucos no mundo de hoje: 2 malucos do Oriente, Putin e Kim Jong Un; e outro maluco ocidental, o tal do Maduro.
Afinal, quem começou a guerra?
A Ucrânia não pode escolher ficar do lado dos ocidentais democráticos, ou tem que ficar com os mandatários sanguinários de mandatos vitalícios?
Antonio Uchoa Neto
25 de novembro de 2024 11:36 amEsqueceu o maluco da Casa Branca (aliás, dos malucos que por lá se revezam), dos bobos da corte europeus, e dos coringas do Deep State, os verdadeiros mandatários desse mundo.
VICENTE FRANCISCO DOS SANTOS FILHO
24 de novembro de 2024 7:44 pmA Rússia não aguenta nem a Ucrânia. Vai aguentar os Estudos Unidos? Vai enfrentar o mundo? Só um cego não encherga isto.
Vai ser aniquilado igual Hitler.
Antonio Uchoa Neto
25 de novembro de 2024 11:35 amSe for para enchergar isso aí que você disse, eu prefiro não enxergar.
AMBAR
25 de novembro de 2024 12:27 amGostei do post. Um tanto inocente, mas interessante. Inocente porque a Rússia não vai desviar seus ataques da Ucrânia. Ela não precisa fazer isso para demonstrar força. A “operação especial” que a Rússia desenvolve em campo militar é contra a Ucrânia tão somente. Se a Ucrânia foi buscar apoio com seus amiguinhos isso é problema dela. Não é um curioso que está na direção do país russo: é um estadista experiente e realista, que não obstante a sempre boa fé com que negocia com o ocidente sabe com quem está lidando. Putin não se intimida e nem intimida ninguém infantilmente porque temo hábito de lidar com a verdade. Para que ele, eventualmente se aventure a atacar alguma base de algum país que não na Ucrânia ele precisará sofrer um ataque desse país primeiro, para ter uma justificativa plausível.
Milton
25 de novembro de 2024 8:41 amÉ isso mesmo. Sem retoques.
Milton
25 de novembro de 2024 8:53 amRelembrando a história.
1.A Rússia pretendeu usar Cuba como base de foguetes para ameaçar o território norte-americano. Os EUA forçaram a mão e a Rússia desistiu.
2.Recentemente os EUA patrocinaram a derrubada de dirigente ucraniano e colocaram seu serviçal na presidência.
3.Pretenderam instalar foguetório atômico na Ucrania coisa que a Rússia não aceitou – ver nota 1.
4. Em resposta a Russia invadiu e agora irá “nacionalizar” parte do território ucraniano. O preposto que se cuide e os ucranianos são a massa de manobra da vez.
Em resumo: o cinismo e os interesses de grandes potências sobreleva a racionalidade. Não é jogo de inocentes.
Vladimir Reis da Graça
25 de novembro de 2024 11:39 amA Rússia não tem capacidade de enfrentar um exército que sequer estar ranqueado entre os dez maiores. Há dois anos e meio está sendo humilhado pelo exército ucraniano. Seu exército colapsou, tanto que Putin pediu ajuda a Coreia do Norte. E você vem falar em terceira guerra mundial iniciando por Rússia x EUA. Fala sério…