Sugerido por Cyro
Do Opera Mundi
Em meio a tensão com EUA, China e Rússia realizam manobras militares e negociam preço de gás
Encontro fortalece relação entre Pequim e Moscou; exercício naval conjunto é inédito na história dos países
Em visita à China, onde participa da Conferência sobre Interação e Medidas de Criação de Confiança na Ásia (Cica) até amanhã, Putin aproveitou para assinar com seu colega chinês diversos documentos que aprofundam as relações bilaterais e comerciais entre os dois países.
Além disso, como forma de demonstrar o alto nível de cooperação e entendimento, as forças navais chinesas e russas realizam desde hoje até a próxima segunda-feira (26) uma série de manobras navais conjuntas. Os exercícios militares serão realizados no mar da China Oriental, ocasião em que serão mobilizados 14 navios e realizados disparos com munição real.
Estas manobras “ilustram a determinação inquebrável de China e Rússia para enfrentar em conjunto as novas ameaças e os novos desafios para garantir a segurança e a estabilidade regional”, afirmou Xi, em meio a momento de tensão nas relações diplomáticas dos dois países com Washington.
Venda de gás
O executivo-chefe da empresa de energia russa Gazprom, Alexei Miller, afirmou que “as conversas continuam para buscar um compromisso sobre o contrato de gás”, apesar de nenhuma das partes ter confirmado se ele será alcançado durante a visita de Putin à China, que termina amanhã.
De acordo com a Agência Efe, o atraso na assinatura, cujas negociações começaram há quase dez anos, se deve ao fato de não haver entendimento sobre o valor a ser cobrado pelo combustível. A Rússia estaria utilizando como preço de referência seus contratos com a União Europeia, enquanto a China propõe um custo mais baixo, baseado em suas importações da Ásia Central.
Alguns analistas consideram que a China conta agora com vantagem nas negociações, já que Moscou precisa obter novos compradores de gás natural e Pequim conta com outras alternativas, sobretudo nas repúblicas centro-asiáticas do Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão.
Putin, no entanto, destacou sua “alegria de ter sido informado de que as duas partes realizaram um significativo progresso”, como informou a agência oficial chinesa Xinhua, sem entrar em detalhes. E reiterou que “a Rússia quer alcançar um acordo com a China em uma data antecipada”.
Espera-se que os acordos assinados potencializem o comércio entre os países, que no ano passado esteve em torno de US$ 90 bilhões, menos que um terço da troca comercial entre China e Estados Unidos e um quinto do que a República Popular mantém com a União Europeia. O objetivo é elevar este montante a US$ 100 bilhões para 2015 e dobrar a cifra para 2020.
Relações exteriores
Em comunicado emitido conjuntamente, os países destacaram sua “compartilhada preocupação” sobre a Ucrânia. Pequim mantém sua postura neutra, embora rejeite as sanções das potências ocidentais pela atuação de Moscou na crise.
O texto considera também inadmissível qualquer tentativa de intervir militarmente na Síria. “Rússia e China apoiam os esforços do governo e da comunidade internacional dirigidos a completar a eliminação do arsenal químico sírio” e pedem que seja encontrada uma “maneira não discriminatória nem politizada [para os] problemas humanitários que vive a Síria”.
Sobre a questão nuclear na península da Coreia, os países consideram que os problemas devem ser solucionados por via negociada e afirmaram que devem ser encontradas “fórmulas de compromisso” para solucionar a questão nuclear iraniano.
phillip
22 de maio de 2014 12:30 pmOs americanos com a
Os americanos com a insistencia em instalar bases da otan na Ucrania (leia-se na fronteira da Rússia) estão provocando um efeito colateral de consequencias imprevisíveis. Russia e China juntas provavelmente fiquem mais fortes do que o ocidente, com raras execeções, hoje um conjunto de paises quebrados e com intensa imigração, que rápidamente os conduzirá a um desequilibrio social, cultural e economico….a ver….
Mar da Silva
22 de maio de 2014 12:35 pmNão sei se o mundo ficará com
Não sei se o mundo ficará com uma nova divisão, mas, certamente, um mundo unipolar é incoveniente.
JoselitoSN
22 de maio de 2014 12:50 pmOpera Mundi, como instrumento
Opera Mundi, como instrumento do Ocidente (é mesmo?) menciona que esse acordo de venda de gás está “embolado” no valor, mas ai se esquece de dar um detalhe de tamanha importância que, caso concretize, fará parte de todos livros de história daqui a 50anos.
No “valor”, envolve-se discussões acerca da indexação. Pretende-se excluir o U.S.Dollar e colocar o Yuen.
E ai, tem verdade no que eu falei?
Heitor de Assis
22 de maio de 2014 2:57 pmO mêdo dos EUA de perder sua hegemonia
Talvez o acordo entre China e Rússia venha a ser o primeiro grande negócio realizado entre nações sem ter o dólar americano como referência. O Brics tem um projeto de inspiração chinesa que cria uma moeda alternativa ao dólar, para ser usado nas transações entre seus membros e entre estes e outras nações que assim o desejarem.
A ofensiva dos EUA, OTAN e UE na Ucrânia não passa de tentativa de instalar armas da OTAN mais perto das fronteiras russas do que já estão. Para isto, estão financiando as falanges nazistas ucranianas que desestabilizaram o país à serviço da quadrilha ocidental. Mas, as ações não são só contra a Rússia. É prioridade dos EUA, a desestabilização e desmoralização do Brasil, da China, da Índia e da África do Sul, para destruir a única ameaça real à hegemonia norte-americana. Obama leva tudo isto a sério, e parte da convulsão social que nos aflige por estes dias, pode ter os norte-aericanos por trás.
jns
22 de maio de 2014 1:01 pmRiquezas Offshore
As perspectivas energéticas da Rússia após a anexação da Criméia
A incorporação da Criméia à Rússia não significou apenas recuperar um ‘território legítimo’.
A caçada global aos combustíveis fósseis é, cada vez mais, lançada em lugares como o Oceano Atlântico, ao largo do Brasil, no Golfo do México e no Mar do Sul da China. Centenas de plataformas de petróleo pontilham o mar Cáspio, algumas centenas de milhas a leste do Mar Negro.
Em agosto de 2012, a Ucrânia anunciou um acordo com um grupo liderado pela Exxon para extrair petróleo e gás das profundezas das águas ucranianas no Mar Negro.
A Exxon havia superado a Lukoil, uma empresa russa, em um acordo que o bureau estatal de geologia da Ucrânia informou que custaria até US $ 12 bilhões para o desenvolvimento do campo de exploração.
A anexação da Criméia deu, à Rússia, o controle de uma grande área do Mar Negro, incluindo reservas de petróleo em áreas profundas, com os seguintes ganhos:
1) – a Rússia estendeu suas reivindicações sobre as reservas de combustíveis fósseis do Mar Negro;
2) será mais fácil e mais barato para a Rússia construir um gasoduto de gás natural para a Europa Central e Oriental;
3) – a expansão do território russo sobre o mar privou a Ucrânia de utilizar o combustível fóssil da região da Criméia.
A expansão da Rússia sobre as águas do Mar Negro
O avanço da fronteira marítima reivindicada pela Rússia após a anexação da Criméia
“Quando a Rússia anexou a Criméia, em março, adquiriu não apenas a massa territorial crimeana, mas, também, uma zona marítima mais de três vezes o seu tamanho, com direito aos fantásticos recursos energéticos subaquáticos. A Rússia retratou a aquisição como ‘a recuperação de seu legítimo território’, sem atrair a atenção para a corrida de petróleo e gás que está aquecida no Mar Negro.
Ao ‘recuperar a Criméia’, a Rússia estendeu as suas fronteiras marítimas, silenciosamente, aumentando o seu domínio sobre vastas reservas de petróleo e gás ao dando um duro golpe na esperança da Ucrânia para a independência energética.
A Rússia fê-lo ao abrigo de um acordo internacional que dá às nações a soberania sobre áreas até 230 quilômetros de suas costas.
Ela já havia tentado, sem sucesso, ter acesso aos recursos energéticos na mesma plataforma marítima, através de um pacto com a Ucrânia a menos de dois anos antes.
Imediatamente, dizem os analistas, a anexação da Criméia pode alterar a rota ao longo da qual o gasoduto South Stream seria construído, economizando dinheiro, tempo e desafios de engenharia russa.
O gasoduto, destinado a percorrer as partes mais profundas do Mar Negro, vai bombear o gás russo para a Europa.
Originalmente, a fim de evitar zona marítima da Ucrânia, Rússia projetou uma rota sinuosa para instalar o gasoduto ao sul, através das águas da Turquia. Agora, se o projeto avançar, ele pode tomar um caminho muito mais direto através do seu território recentemente adquirido o Mar Negro.”
RESUMO do artigo do NY Times que pode ser conferido em:
http://www.nytimes.com/2014/05/18/world/europe/in-taking-crimea-putin-gains-a-sea-of-fuel-reserves.html?_r=0
alfredo machado
22 de maio de 2014 2:51 pmRússia & gás & Europa
jns,
É a primeiira vez que leio sobre este potencial de gás e petróleo existente no Mar Negro.
Não se sabe até onde irá este racha criado por Tio Sam, mas não consigo visualizar nada de bom, nenhum vencedor nesta queda de braço.
jns
22 de maio de 2014 10:22 pmMundo Multipolar
Alfredo,
Podemos vislumbrar a evidente ‘peitada’ que o nada santo Putin deu no onipotente Obama, como algo positivo em termos balanceamento neste mundão polarizado, sob o exclusivo comando americano.
A ‘briga é de cachorro grande’ e, depois desta refrega, eles – EUA e Rússia – vão ter que buscar mais parcerias entre as nações, reduzindo ou disfarçando a contumaz arrogância e o desprezo pelos paises menos desenvolvidos.
EFEITO COLATERAL: o ressurgimento do Nazismo na Europa
Jurandir Paulo
23 de maio de 2014 2:22 amGeopolítica básica
A disputa por petróleo e gás vai um tanto além do Mar Negro, ela se estende à região do Caucasus. Aquele pedaço entre os mares Negro e Cáspio. Há quem afirme ser lá onde ainda existem as maiores reservas ainda não exploradas do planeta.
http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_the_Caucasus
Interessante para entender o “game”:
A posição estratégica do Irã.
Lá eståo a Chechênia, Ossétia e a Georgia, coincidentemente onde os EUA tiveram papel em ajudar a ampliar conflitos.
A dominação hoje desta área seria como meter uma cunha entre Rússia e China.
Mas, ao que parece, a batalha agora será mais cabeluda.
Um artigo de 2001 que explora estas questões:
http://www.theguardian.com/comment/story/0,3604,446490,00.html
Jurandir Paulo
22 de maio de 2014 3:10 pmCerto, seu Brzezinski, mas já combinou com os russos?
Na introdução de seu sempre citado livro, roteiro do plano de dominação mundial pelos EUA, Zbigniew Brzezinski fazia um alerta:
“…entretanto, é imperativo que nenhuma força eurasiana apareça, capaz de exercer alguma dominação na região e desta forma desafiar os EUA”
Apareceu a força, e aparentemente nada será como antes, amanhã. Precipitação dos EUA? Ou será que querem que estas forças eurasianas botem logo a cara de fora para abrir a linha de tiro? Qualquer hipótese leva à conclusão de que entre a tática sugerida pelo polonês e sua aplicação há um longo caminho. Difícil será para o planeta ficar fora deste tabuleiro nos próximos anos.
jns
22 de maio de 2014 9:05 pmZbigniew
Brzezinski
Já argumentou, com veemência, sobre a problemática das solicitações sociais crescentes e mostrou-se, deverasmente, preocupado com a manutenção da ‘democracia’ – para atender interesses americanos – face aos protestos violentos e a perda de autoridade dos governantes ao redor do mundo.
jns
23 de maio de 2014 1:26 amUcrânia
O plano mais idiota de Obama
03/03/2014
Aliar-se com os neonazistas na Ucrânia: de todos os planos idiotas que Washington elaborou nos últimos dois anos, este é o mais idiota de todos.
“Washington e Bruxelas apoiaram um golpe nazista, realizado por insurgentes, terroristas e políticos da ultradireita europeia para atender aos interesses geopolíticos do Ocidente”
Natalia Vitrenko , do Partido Socialista Progressista da Ucrânia
***
A grande obra de Brzezinski, “The Grand Chessboard: American Primacy and it’s Geostrategic Imperatives”(O Grande Tabuleiro de Xadrez: a Primazia Americana e seus Imperativos Geoestratégicos), tornou-se o Mein Kampf de aspirantes imperialistas ocidentais. O livro fornece a estrutura básica para o estabelecimento da hegemonia militar, política e econômica dos EUA na região mais promissora e próspera do século, na Ásia. Em um artigo publicado na Foreign Affairs, Brzezinski apresentou suas idéias sobre como neutralizar a Rússia, dividindo o país em partes menores e permitindo, assim, que os EUA mantenham seu papel dominante na região, sem ameaças, desafios ou interferências. Aqui está um trecho do artigo:
“Dado o tamanho (da Rússia) e sua diversidade, um sistema político descentralizado e uma economia de livre mercado seriam a mais provável via para desencadear o potencial criativo do povo russo e (explorar) os vastos recursos naturais da Rússia. Uma Rússia vagamente confederada – composta por uma Rússia européia, uma república da Sibéria, e uma república do Extremo Oriente – também tornaria mais fácil cultivar relações econômicas mais estreitas com seus vizinhos. Cada um dessas regiões confederadas seria capaz de explorar o seu potencial criativo local, sufocado por séculos de controle da mão burocrática pesada de Moscou. Além disso, a Rússia descentralizada seria menos suscetível a uma mobilização de tipo imperial”. (Zbigniew Brzezinski , “A Geoestratégia para a Eurasia “)
Mais:
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Ucrania-o-plano-mais-idiota-de-Obama/6/30390
Daytona
22 de maio de 2014 4:24 pmAguardando os comentários de
Aguardando os comentários de Gunter e Motta araújo, epxlicando como China e Rússia tema orbigação de pedir permissão aos EUA antes de fechar esse tipo de acordo.
jns
23 de maio de 2014 1:19 amCARTA MAIOR
22/05/2014 – Copyleft
O acordo entre Rússia e China sublinha… a fragilidade do Financial Times
O FT havia previsto, de modo peremptório, que Vladimir Putin, nesta sua visita à China, sairia de mãos abanando, sem conseguir a assinatura do acordo.
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“O renascimento da Guerra Fria reativou um padrão de editorializar matérias e comentários em cores maniqueístas, demonizando a Rússia e Putin, e fazendo vista grossa para a presença dos neofascistas nas hostes de Kiev. Ainda assim, continua a haver espaço para relatos de repórteres in loco que vez por outra relativizam esta simplória atitude editorial.
E há o caso do Brasil, onde as críticas se sucedem sem que haja contraditório visível. Multiplicam-se os ataques ao Brasil, inclusive por brasileiros que conseguem espaço nesta cada vez mais também “velha mídia”europeia, como foi o caso recente de Paulo Coelho, Ney Matogrosso e Luiz Ruffato. Foi coincidência, por certo, a saída da revista alemã Der Spiegel, com a capa abstrusa onde uma bola de fogo cai sobre o Rio de Janeiro, externando os vaticínios de que o circo irá pegar fogo no Brasil (leia-se Rio de Janeiro) durante a Copa, no dia em que aconteceu o ataque a pedradas contra a Embaixada do Brasil em Berlim. Foi coincidência, mas sabemos que de coincidências o inferno está cheio, porque elas são no mais das vezes significativas.
Não se trata de cercear críticas, mas de reivindicar o direito ao contraditório com igual destaque, sobretudo no caso de reportagens. Ou até mesmo de informações mais completas. No último dia em que houve manifestações anti-Copa no Brasil, consideradas um fracasso pela própria velha mídia anti-governo do Brasil, mais uma vez a torcida dos Gaviões da Fiel foi convocada para “proteger o Itaquerão”, em São Paulo. Mas isto não saiu aqui em lugar nenhum. A cobertura restringiu-se às tradicionais cenas de coquetéis Molotov e ao “bate-bola” violento que termina acontecendo com a polícia.
É pena. Para parte da velha mídia do Velho Continente, a bússola do bom jornalismo trincou.”
TEXTO INTEGRAL:
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-acordo-entre-Russia-e-China-sublinha-a-fragilidade-do-Financial-Times/6/30982
Cyro
22 de maio de 2014 5:19 pmCorrigindo 🙂
As notícias são de terça e quarta-feira. Na quarta o acordo do gás já tinha sido fechado então deve-se considerar isto ao ler o segundo parágrafo. No primeiro parágrafo diz-se que o exercício naval conjunto é inédito mas de acordo com o sites:
http://news.xinhuanet.com/english/china/2014-05/20/c_133348271.htm e
http://eng.chinamil.com.cn/news-channels/china-military-news/2014-05/20/content_5911218.htm
“O exercício naval conjunto China-Rússia é o terceiro deste tipo depois de exercícios conjuntos da costa do Extremo Oriente da Rússia em julho de 2013 e no Mar Amarelo, em abril de 2012.”