Enviado por Paulo F.
No EUA série baseada em livro de Philip K. Dick, mestre da ficção, dá uma amostra de realida alternativa distópica. E se o facismo vencesse?
da Deutsche Welle
Por Shant Shahrigian (ca)
CulturaComo seria o mundo se os nazistas tivessem vencido a guerra?
Série conta a vida num EUA imaginário, dominado pela Alemanha nazista e pelo Japão imperial. Para críticos, trama pode servir de alerta num momento que tom das vozes xenófobas está mais alto.
Propaganda no metrô de Nova York foi retirada após protestos
Donald Trump, pré-candidato republicano à Casa Branca, exigiu uma proibição de entrada para muçulmanos nos Estados Unidos. Outros de seu partido reivindicaram uma restrição de acesso para refugiados da Síria. Na França, a legenda anti-islâmica Frente Nacional, comandada por Marine Le Pen, ganhou as eleições regionais no último domingo. Muitas das manchetes dos atuais noticiários lembram o capítulo mais obscuro da história do século 20: a ascensão do nazismo.
Talvez essa situação politicamente explosiva explique por que O homem do castelo alto, adaptação para a TV do romance homônimo, tenha provocado reações tão fortes no público americano. O programa – ainda sem data de estreia no Brasil – conta a vida num Estados Unidos imaginário, dominado pela Alemanha nazista e pelo Japão imperial.
Eles haviam vencido a Segunda Guerra – esse é o cenário de horror no filme. A Amazon Studios, produtora da série, sentiu na pele a dificuldade de abordar esse assunto. Os símbolos de inspiração nazista, que foram colocados nos vagões do metrô de Nova York para divulgar o lançamento da série, tiveram de ser retirados depois de protestos públicos.
Elenco de “O homem do castelo alto”, em novembro na estreia da série em Nova York
Quem assistir a O homem do castelo alto (The man in the high castle) vai ter um susto desagradável: em centenas de cenas do seriado de dez capítulos, o estilo de vida americano é ameaçado por símbolos totalitários – e pelas ações subsequentes. Mas é exatamente isso que é tão fascinante na produção: ela mostra como a xenofobia pode fazer parte do cotidiano, antes que se chegue a perceber o seu triunfo.
Em entrevista à Deutsche Welle, tanto Inkoo Kang, crítica de televisão da influente revista nova-iorquinaVillage Voice, quanto Ilya Somin, articulista do jornal The Washington Post, afirmaram que a série prova que as pessoas poderiam muito bem se acostumar com tudo.
Natureza x educação?
Na distopia proporcionada pelo seriado, os nazistas dominam a costa leste dos EUA, enquanto os japoneses, a oeste. Os americanos vivenciam instituições totalitárias e ações de limpeza étnica. Numa cena que atraiu particularmente a atenção dos críticos, cinzas de um crematório pairam sobre uma autoestrada, levando um policial a observar secamente: “Às terças-feiras, queimam deficientes físicos e doentes terminais – um fardo para o Estado.”
Na tentativa de explicar como o horror ininterrupto pode se tornar normalidade, Kang aponta: “Hoje é possível dizer que não temos a violência patrocinada pelo Estado, como na forma de eugenia institucionalizada. Mesmo assim, há muito injustiça em todas as partes de nosso país, e não achamos nada de errado nisso.”
Somin é advogado e, nessa função, também se ocupa do conteúdo político das obras de ficção científica e fantasia. Para ele, a série parece supor que “dependendo das circunstâncias, as pessoas podem se tornar seguidores de regimes opressivos e injustos em todo tipo de sociedade”.
Ressonância da vida real
O seriado O homem do castelo alto – baseado no romance homônimo de Philip K. Dick, da década de 1960 – acompanha as aventuras da heroína Juliana Crane (interpretada por Alexa Davalos) num movimento de resistência clandestino e relata as consequências das ações da protagonista para sua família e amigos. Segundo Somin, os dois regimes xenófobos contra os quais ela luta – o Japão imperial e a Alemanha nazista – lembram a atual campanha eleitoral de Donald Trump.
Mesmo antes de suas recentes declarações exigindo a proibição de entrada de muçulmanos, o pré-candidato republicano pediu a construção de um muro para conter a entrada de mexicanos, como também um banco de dados para poder monitorar melhor os muçulmanos nos EUA.
“A série funciona como um eco dos acontecimentos reais na Europa e nos EUA”, afirmou Somin, em alusão a Trump, Marine Le Pen e ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que ergueu, de fato, uma cerca em torno de seu país – por medo de refugiados.
O articulista do Washington Post considera, no entanto, pouco realista a rapidez com que alguns personagens do seriado de TV americana, que se passa 12 anos após o fim da Segunda Guerra, aceitaram o regime de ocupação. Em sua opinião, o ceticismo de uma nação diante de uma mudança de regime duraria mais tempo.
“Mesmo que Trump seja eleito e tente montar o seu banco de dados para muçulmanos ou coisa parecida, acredito que, ao menos por algum tempo, essas medidas seriam motivo de controversas discussões”, opina Somin. Para ele, somente uma vitória eleitoral não seria suficiente para impor essas mudanças na sociedade – assim como a eleição e reeleição de Obama não foram suficientes para ancorar o Obamacare, a reforma do sistema de saúde, entre os americanos.
Magnata Donald Trump exigiu proibição de entrada para muçulmanos nos EUA
Kang afirma ver semelhanças entre os controversos pré-candidatos presidenciais e movimento de resistência na série. No seriado, o grupo de resistência está em busca constante de filmes misteriosos, que parecem representar um mundo no qual os aliados haviam ganhado a guerra, não os países do Eixo – uma fonte de esperança que inspira Juliana a desistir da vida que leva, para lutar na clandestinidade.
Kang diz reconhecer nos principais personagens da série americana uma tendência para o “derrotismo nacionalista”, logo que se comparam com alemães ou japoneses. De acordo com a crítica de televisão, isso lembra a mensagem de Trump de que os eleitores deveriam “tornar novamente os EUA uma grande nação”, diante da alegada ameaça por parte de migrantes não brancos.
Mensagem de compaixão
“Na série também é construída um tipo de fantasia romântica, segunda a qual seria possível mudar facilmente a atitude de qualquer pessoa”, explica Kang sobre a reação de Juliana ao filme clandestino. “Isso não quer dizer que a série é ruim. Ela quer justamente ser um exemplo inspirador de como as pessoas podem se tornar melhores pensadores e, assim, melhores eleitores.”
Desde que O homem do castelo alto começou a passar nos EUA, no fim deste ano, inúmeros artigos na mídia americana e alemã, entre outras, tentaram desvendar um significado mais profundo no seriado. Da mesma forma que o serviço de streaming rival Netflix, a Amazon não divulgou até agora os números de audiência. Ainda não se sabe se a série vai se estender numa segunda temporada.
Mas uma coisa é certa: com a sua investigação profunda da influência de regimes e espíritos totalitários, como a xenofobia, em pessoas normais, O homem do castelo alto já atraiu a atenção.
“Eu acredito que há na série um apelo por mais humanidade – que precisamos muito mais diante dos acontecimentos do nosso tempo”, comenta Kang.
Somin é advogado e, nessa função, também se ocupa do conteúdo político das obras de ficção científica e fantasia. Para ele, a série parece supor que “dependendo das circunstâncias, as pessoas podem se tornar seguidores de regimes opressivos e injustos em todo tipo de sociedade”.
Ressonância da vida real
O seriado O homem do castelo alto – baseado no romance homônimo de Philip K. Dick, da década de 1960 – acompanha as aventuras da heroína Juliana Crane (interpretada por Alexa Davalos) num movimento de resistência clandestino e relata as consequências das ações da protagonista para sua família e amigos. Segundo Somin, os dois regimes xenófobos contra os quais ela luta – o Japão imperial e a Alemanha nazista – lembram a atual campanha eleitoral de Donald Trump.
Mesmo antes de suas recentes declarações exigindo a proibição de entrada de muçulmanos, o pré-candidato republicano pediu a construção de um muro para conter a entrada de mexicanos, como também um banco de dados para poder monitorar melhor os muçulmanos nos EUA.
“A série funciona como um eco dos acontecimentos reais na Europa e nos EUA”, afirmou Somin, em alusão a Trump, Marine Le Pen e ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que ergueu, de fato, uma cerca em torno de seu país – por medo de refugiados.
O articulista do Washington Post considera, no entanto, pouco realista a rapidez com que alguns personagens do seriado de TV americana, que se passa 12 anos após o fim da Segunda Guerra, aceitaram o regime de ocupação. Em sua opinião, o ceticismo de uma nação diante de uma mudança de regime duraria mais tempo.
“Mesmo que Trump seja eleito e tente montar o seu banco de dados para muçulmanos ou coisa parecida, acredito que, ao menos por algum tempo, essas medidas seriam motivo de controversas discussões”, opina Somin. Para ele, somente uma vitória eleitoral não seria suficiente para impor essas mudanças na sociedade – assim como a eleição e reeleição de Obama não foram suficientes para ancorar o Obamacare, a reforma do sistema de saúde, entre os americanos.
Magnata Donald Trump exigiu proibição de entrada para muçulmanos nos EUA
Kang afirma ver semelhanças entre os controversos pré-candidatos presidenciais e movimento de resistência na série. No seriado, o grupo de resistência está em busca constante de filmes misteriosos, que parecem representar um mundo no qual os aliados haviam ganhado a guerra, não os países do Eixo – uma fonte de esperança que inspira Juliana a desistir da vida que leva, para lutar na clandestinidade.
Kang diz reconhecer nos principais personagens da série americana uma tendência para o “derrotismo nacionalista”, logo que se comparam com alemães ou japoneses. De acordo com a crítica de televisão, isso lembra a mensagem de Trump de que os eleitores deveriam “tornar novamente os EUA uma grande nação”, diante da alegada ameaça por parte de migrantes não brancos.
Mensagem de compaixão
“Na série também é construída um tipo de fantasia romântica, segunda a qual seria possível mudar facilmente a atitude de qualquer pessoa”, explica Kang sobre a reação de Juliana ao filme clandestino. “Isso não quer dizer que a série é ruim. Ela quer justamente ser um exemplo inspirador de como as pessoas podem se tornar melhores pensadores e, assim, melhores eleitores.”
Desde que O homem do castelo alto começou a passar nos EUA, no fim deste ano, inúmeros artigos na mídia americana e alemã, entre outras, tentaram desvendar um significado mais profundo no seriado. Da mesma forma que o serviço de streaming rival Netflix, a Amazon não divulgou até agora os números de audiência. Ainda não se sabe se a série vai se estender numa segunda temporada.
Mas uma coisa é certa: com a sua investigação profunda da influência de regimes e espíritos totalitários, como a xenofobia, em pessoas normais, O homem do castelo alto já atraiu a atenção.
“Eu acredito que há na série um apelo por mais humanidade – que precisamos muito mais diante dos acontecimentos do nosso tempo”, comenta Kang.



Paulo Coelho
24 de dezembro de 2015 12:53 pmInterressante ninguem lembrar
Interressante ninguem lembrar de citar uma obra de ficção que trata exatamente deste tema: The Plot Against America, romance de Philip Roth. Trata da derrota de Roosevelt para Lindbergh e a consequente aceitação do anti-semitismo nos EUA
altamiro souza
24 de dezembro de 2015 1:08 pmtem gente que acha que os eua
tem gente que acha que os eua em si já são uma parte do que foi o regime nazista…
a discutir…
lembrei do noam chomsky, que trata dessas questões que se aproximam dessa ideia..
a discuutir….
carlos afonso quintela da silva
24 de dezembro de 2015 1:27 pmUé! Eles não venceram a
Ué! Eles não venceram a guerra mas estão aí, mais vivos do que nunca.
Fabio !
24 de dezembro de 2015 3:45 pm–
Com uma vitória da Alemanha nazista um dos pontos mais importantes é : o comunismo também teria outra trajetória .
Não só isso : o sionismo e o estado de Israel também .
Os Eua continuariam como o maior poderio militar e de posse da bomba atômica. Na vida real , por quê os americanos cederam tanto a uma URSS combalida , destruida militarmente , quando tinham um poder de destruição total ? Por quê toparam dividir a Alemanha e entregar grande parte da Europa aos russos ?
Fora dos circulos do poder , ninguem entende o que se passou .
Pedro Mundim
24 de dezembro de 2015 6:17 pmEu acredito que com o tempo se tornariam mais brandos
Se os nazistas houvessem vencido a guerra, com certeza haveria um enorme massacre logo de cara, mas com o tempo a dominação se tornaria mais branda. Isso porque os nazistas seguiam teorias primitivas e até ingênuas no tocante a seu projeto de dominação: eles viam a Rússia, por exemplo, como destinada a ser no “espaço vital” uma espécie de Índia, tal como era a Índia para os britânicos. Pretendiam desmantelar toda a indústria e proibir a educação além da primária, de modo a transformar os habitantes em escravos destinados a trabalhos braçais. O problema é que, caso eles tentassem esse projeto tresloucado, logo perceberiam que essa multidão de escravos ignorantes seria de muito pouca utilidade para eles. Poderiam servir para um mundo como era no tempo do Império Romano, com escravos trabalhando nas lavouras e nas minas, mas não para o século 20, onde já naquela época havia grande demanda por trabalhadores especializados.
Assim, para melhor lucrar com a dominação mundial, os nazistas acabariam permitindo um grau maior de liberdade econômica aos países ocupados, ao qual se seguiria necessariamente um grau maior de independência política. Ao final de alguma décadas, é possível que a dominação alemã não fosse mais violenta do que aquela praticada no Império Britânico ou pelos nortes-americanos, e que os massacres promovidos pelos nazistas terminassem minimizados ou até esquecidos, como foi o massacre dos armênios em 1915 na Turquia.
fabio da silva2
24 de dezembro de 2015 7:55 pmSem dúvida seria uma ditadura
Sem dúvida seria uma ditadura sanguinária, sustentada pelo controle governamental implacável e uma propaganda governista sem escrúpulos… tipo a dos regimes comunistas.
Luiza
25 de dezembro de 2015 2:03 pmQuem controla a informação e a formação de opinião?
Esse trecho do texto “dependendo das circunstâncias, as pessoas podem se tornar seguidores de regimes opressivos e injustos em todo tipo de sociedade” é bem elucidativo, porque traz aqui uma afirmaçao de ordem geral, na verdade, umas das técnicas de persuasão[persuadir, estabelecer certeza, convicção] porque “criando circunstancias”[apresentando fatos ou manipulando informaçoes] as pessoas[um segmento ou a sociedade como um todo] podem se tornar seguidores de regimes[adeptas de regras ou padrao de comportamento pré-estabelecidos – para o bem ou para o mal].
É verdade, para se introduzir um pensamento e conduzir o raciocínio na direçao desejada basta que se crie um ambiente favorável de circunstancias onde se estabeleça uma conexao lógica entre o discurso e os fatos relacionados à ele que seja capaz de que idéia que se quer introduzir seja aceita e reproduzida.
No Brasil, um exemplo claro dessa “criacao das circunstancias” para recrutar “seguidores” para uma “causa” referente a segurança pública é a exploraçao extrema da violencia urbana e da impunidade visando despertar na socidade uma indignaçao coletiva para que se forme um consenso capaz de viabilizar o endurecimento das leis e a criminalizaçao de menores de 18 anos[reduçao da maioridade penal]. Nesse sentido, a manipulaçao social foi é levada diariamente à exaustao pela tv, jornais, revistas e internet sem que se de, propositalmente, qualquer ênfase para as verdadeiras causas da criminaliade/impunidade, ou seja, subtrai-se da sociedade o verdadeiro foco da discussao que é a ausencia total de políticas eficazes de segurança pública e o investimento necessário em programas voltados para a educaçao. O resultado dessa manipulaçao toda, inclusive, foi muito além do planejado, porque fez surgir adeptos até da pena de morte e também contribuiu intensificando o aparecimento de grupos radicais que passaram a criminalizar, hostilizar e discriminar ostensivamente jovens negros da periferia. Nem vou mencionar que, pegando carona nessa loucura toda, também estabeleceu-se intencionalmente a criminalizaçao do PT através do ataque seletivo promovido pela mída para incluir os militantes e simpatizantes desse partido como alvo absoluto de uma patrulha político-ideológica em diversos segmentos da sociedade. Valha-me Deus, até o uso de uma peça de roupa na cor vermelha foi motivo de discrimanaçao e achincalhe público.
Impossível nao se questionar sobre a importancia da manipulaçao da mídia na formaçao de opinião. Nao é atoa que se interdita o debate sobre regulaçao da mídia no Brasil sob o pretexto de que regulaçao é censura de conteúdo; sendo a imprensa um instrumento de manipulaçao das massas, a idéia de tornar a mídia plural possibilitaria ao povo o acesso às informçoes que se quer a todo custo omitir para justamente interditar o debate produtivo em todas as áreas de interesse – questoes de reforma agrária, taxaçao de grandes fortunas, imposto progressivo, previdencia, segurança pública, seguridade social, previdencia, sistema carcerário etcs..etcs..
Nao vejo nenhuma possibilidade de solucao para os problemas na sociedade fora do acesso irrestrito a todas as informçaoes essenciais. Enquanto subtrairem de nós a realiade dos fatos ao noso redor, interditarem e o debate podemos, sim, ficar reféns de valores fascistas e opressores.
Luiza
25 de dezembro de 2015 2:03 pmQuem controla a informação e a formação de opinião?
Esse trecho do texto “dependendo das circunstâncias, as pessoas podem se tornar seguidores de regimes opressivos e injustos em todo tipo de sociedade” é bem elucidativo, porque traz aqui uma afirmaçao de ordem geral, na verdade, umas das técnicas de persuasão[persuadir, estabelecer certeza, convicção] porque “criando circunstancias”[apresentando fatos ou manipulando informaçoes] as pessoas[um segmento ou a sociedade como um todo] podem se tornar seguidores de regimes[adeptas de regras ou padrao de comportamento pré-estabelecidos – para o bem ou para o mal].
É verdade, para se introduzir um pensamento e conduzir o raciocínio na direçao desejada basta que se crie um ambiente favorável de circunstancias onde se estabeleça uma conexao lógica entre o discurso e os fatos relacionados à ele que seja capaz de que idéia que se quer introduzir seja aceita e reproduzida.
No Brasil, um exemplo claro dessa “criacao das circunstancias” para recrutar “seguidores” para uma “causa” referente a segurança pública é a exploraçao extrema da violencia urbana e da impunidade visando despertar na socidade uma indignaçao coletiva para que se forme um consenso capaz de viabilizar o endurecimento das leis e a criminalizaçao de menores de 18 anos[reduçao da maioridade penal]. Nesse sentido, a manipulaçao social foi é levada diariamente à exaustao pela tv, jornais, revistas e internet sem que se de, propositalmente, qualquer ênfase para as verdadeiras causas da criminaliade/impunidade, ou seja, subtrai-se da sociedade o verdadeiro foco da discussao que é a ausencia total de políticas eficazes de segurança pública e o investimento necessário em programas voltados para a educaçao. O resultado dessa manipulaçao toda, inclusive, foi muito além do planejado, porque fez surgir adeptos até da pena de morte e também contribuiu intensificando o aparecimento de grupos radicais que passaram a criminalizar, hostilizar e discriminar ostensivamente jovens negros da periferia. Nem vou mencionar que, pegando carona nessa loucura toda, também estabeleceu-se intencionalmente a criminalizaçao do PT através do ataque seletivo promovido pela mída para incluir os militantes e simpatizantes desse partido como alvo absoluto de uma patrulha político-ideológica em diversos segmentos da sociedade. Valha-me Deus, até o uso de uma peça de roupa na cor vermelha foi motivo de discrimanaçao e achincalhe público.
Impossível nao se questionar sobre a importancia da manipulaçao da mídia na formaçao de opinião. Nao é atoa que se interdita o debate sobre regulaçao da mídia no Brasil sob o pretexto de que regulaçao é censura de conteúdo; sendo a imprensa um instrumento de manipulaçao das massas, a idéia de tornar a mídia plural possibilitaria ao povo o acesso às informçoes que se quer a todo custo omitir para justamente interditar o debate produtivo em todas as áreas de interesse – questoes de reforma agrária, taxaçao de grandes fortunas, imposto progressivo, previdencia, segurança pública, seguridade social, previdencia, sistema carcerário etcs..etcs..
Nao vejo nenhuma possibilidade de solucao para os problemas na sociedade fora do acesso irrestrito a todas as informçaoes essenciais. Enquanto subtrairem de nós a realiade dos fatos ao noso redor, interditarem e o debate podemos, sim, ficar reféns de valores fascistas e opressores.