8 de junho de 2026

Criptogate: Provas contra Milei e relações com jovem empresário são expostas

Confira quem é o jovem empresário Hayden Mark Davis, que está por trás do golpe da criptomoeda e mais provas contra Milei
Hayden Mark Davis, à esquerda, se definiu como "conselheiro" de Milei, que tenta se dissociar do golpe da criptomoeda - Foto: Arquivo/Redes Sociais

O escândalo da criptomoeda de Javier Milei, na Argentina, que ficou conhecido como “criptogate”, ganhou novos capítulos: a ligação do presidente com o criador da criptomoeda $LIBRA, de recentes 30 anos, e que engoliu, definitivamente, as chances do líder argentino de se dissociar do caso.

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Após o fracasso na tentativa de justificar o apoio ao golpe da criptomoeda $LIBRA, na última semana, e que repercutiu em cenas vazadas de uma censura da equipe de governo à entrevista à televisão argentina [relembre aqui], além de explicitar o combinado do que poderia ou não ser perguntado a ele, ainda pipocou nas relações de Milei no meio, mais especificamente, com Hayden Mark Davis, o dono da criptomoeda.

A criptomoeda foi promovida por Milei em uma mensagem no X (antigo Twitter), no dia 14 de fevereiro, que foi posteriormente excluída. O valor da moeda subiu rapidamente, mas logo despencou, deixando milhares de investidores no prejuízo, com perdas estimadas em quase US$ 90 milhões [entenda o episódio aqui].

Quem é Hayden Mark Davis

Davis é CEO da Kelsier Ventures, uma empresa de consultoria e investimentos em criptomoedas e negócios digitais. Inicialmente, com o colapso da criptomoeda, o empresário responsabilizou a Kelsen Ventures e afirmou que iria reinvestir US$ 100 milhões para voltar a dar liquidez à $LIBRA. E também criticou o presidente pela retirada da publicação de apoio do ar.

Mais recentemente, veio à público uma entrevista dada pelo irmão de Davis revelando que houve um “pré-contrato” fechado entre Milei e o jovem empresário, recém-ingressado no jogo financeiro. Segundo o noticiário argentino, há registros de que Milei o recebeu na Casa Rosada no dia 30 de janeiro deste ano, pouco antes do lançamento da criptomoeda.

Publicamente, Davis já informou que a visita do dia 30 de janeiro era para tratar especificamente do lançamento de $LIBRA e que ele era uma espécie de “conselheiro” recorrente de Milei, tendo sido recebido pelo mandatário diversas vezes.

Neste encontro do dia 30, Milei afirmou que Davis o estava assessorando sobre tecnologia blockchain e inteligência artificial para impulsionar o desenvolvimento tecnológico argentino. Mas negou que Davis seria um conselheiro do presidente.

Nos últimos dias, o escândalo levantou suspeitas sobre a influência de Davis no governo argentino.

Após a polêmica, o jovem empresário chegou a afirmar que conseguiu “salvar” US$ 100 milhões da $LIBRA e disse que estes recursos seriam “da Argentina” e que aguardava as “instruções” de Milei para onde aplicar.

Mais uma prova: vaza entrevista de irmão de Davis

A entrevista tornada pública neste final de semana, do irmão do empresário, Gideon Davis, complica mais as explicações de Milei. “A Argentina, em um grande salto, acaba de assinar conosco um ‘Loi’ para nos ajudar com as criptomoedas”, falava Gideon. “Loi” é um pré-contrato ou carta de intenções que, segundo o irmão do empresário, foi “assinado por Javier Milei” para a promoção do negócio de criptomoedas, por meio de uma outra empresa, chamada “Cube Exchange”.

A referida entrevista foi retirada do ar pelo entrevistador: um norte-americano, Tony Sablan, que publica conteúdos no Youtube. Mas trechos da entrevista foram gravados por internautas, que republicaram as falas, que além de comprovar o apoio de Milei a $LIBRA, também citava um projeto maior dos empresários de “tokenização” da Argentina.

De lá para cá, outras informações divulgadas pelo noticiário argentino levantam suspeitas de que os fundos dessas operações de criptomoedas seriam destinados a financiar os grupos de extrema-direita na Argentina.

Enquanto isso, o Ministério Público argentino investiga os crimes econômicos cometidos no golpe da criptomoeda e a relação de Milei e de Davis, com vistas a identificar se cometeram abuso de autoridade, fraude, tráfico de influência e corrupção passiva.

O promotor federal Eduardo Taiano está no comando das investigações e solicitou relatórios ao Banco Central e ao Google para coletar informações e, por meio da Promotoria Especializada em Crimes Cibernéticos, indícios relacionadas ao escândalo, incluindo vídeos e postagens que foram retirados do ar e que podem trazer respostas ao caso.

Ao mesmo tempo, advogados nos Estados Unidos já prepararam ações judiciais coletivas contra a criptomoeda. E a oposição ingressou com centenas de pedidos de impeachment contra o presidente argentino.

Leia mais:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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13 Comentários
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  1. Baco.

    24 de fevereiro de 2025 3:12 pm

    Estranho.

    A prematura queda de Milei, se confirmada, parece mais um daqueles eventos destinados a integrar a galeria das teorias conspiratórias.

    Quem teria interesse de derrubar Milei?

    Sim, apesar d’ele ter dado motivo, mas parece que a armadilha estava pronta, quando houvesse chance.

    Vítima de um aviso de adversários de Musk, dando um sinal do que seriam capazes, ao atingirem um personagem caro a ele e suas estratégias?

    Uma puxada de tapete do próprio Trump, para dar o freio de arrumação no rapaz?

    Vá saber?

    1. Rui Ribeiro

      25 de fevereiro de 2025 6:29 am

      O que tava pronto era o golpe Davis/Milei, não armadilha

      1. Baco.

        25 de fevereiro de 2025 8:19 am

        Pode ser, mas nenhum contragolpe brota do chão.

        Eu menciono que esta pronta, com tudo tão apurado e em uma sequência tão lógica não afasta a ideia de que, se não provocaram, ao menos, já estavam preparados.

        1. Rui Ribeiro

          25 de fevereiro de 2025 10:58 am

          Uma coisa é o Bolsonaro tentar estuprar a democracia. Coisa totalmente diferente é o Milei tentar estuprar os investidores. Por isso a pronta resposta.
          Se o Milei tivesse tentado dar um golpe de estado, em vez de afetar os interesses de investidores, ele não estaria em tão maus lençóis.

        2. Rui Ribeiro

          25 de fevereiro de 2025 11:02 am

          Los Hermanos não dormem no ponto. Puniram os ditadores militares enquanto nós os anistiamos. Acho que essa pronta resposta é mais uma consequência da vigilância dos Hermanos. O que você acha, Baco?

          1. Baco.

            25 de fevereiro de 2025 1:29 pm

            Sim, é claro que os contingentes históricos são variados, e dão resultados variáveis.

            Mas o “golpe” na verdade, de Milei, ao que tudo indica, era político, já que há um possível vínculo com financiamento da extrema-direita.

            Me parece que o rapaz foi a isca, e ao mesmo tempo, deu o golpe real, financeiro, deixando o palhaço porteño com a b*nda na janela.

            Pode ter sido um 171 comum? Pode, mas ainda acho que o tempo de resposta tem a ver com algo que não sabemos , e claro, óbvio que o fato de ter dado prejuízo em gente rica acentua a velocidade dela (resposta).

            Enfim, acho que temos teses complementares, não excludentes.

            E sim, os argentinos têm uma noção de responsabilidade cívica muito distinta da nossa.

            Eles lutaram pela independência, nos fizemos um acordo entre pai e filho, por exemplo.

    2. AMBAR

      25 de fevereiro de 2025 11:32 am

      A pergunta do milhão é “quem teria interesse em colocar o Milei lá?”

      1. Baco.

        25 de fevereiro de 2025 1:33 pm

        Talvez os mesmo que agora querem tirar ele.

        Não é incomum que em fenômenos políticos extremos, os disensos sejam tão dramáticos e destruidores quanto a energia que os levou até o topo.

        Collor, lembra?

        Jânio Quadros?

        O próprio Trump e Bolsonaro sofreram esse revés, porém, com mais sutileza e sofisticação, o que, de certa forma, lhes permitiu uma sobrevida política, e muito também pelo tipo de adversário que enfrentaram, as circunstâncias históricas que os cercam, etc.

        1. Lidia Zorrilla

          25 de fevereiro de 2025 3:18 pm

          Macri? A LLA está fazendo estragos na direita. Este ano tem eleições parciais para o parlamento.

  2. Baco.

    25 de fevereiro de 2025 8:19 am

    Perdão, “que esta pronta resposta”.

  3. Lidia Zorrilla

    25 de fevereiro de 2025 3:44 pm

    Macri? A LLA está fazendo estragos na direita. Este ano tem eleições parciais para o parlamento.

    1. Baco.

      25 de fevereiro de 2025 5:36 pm

      Não é uma hipótese a ser desconsiderar.

      Temos por erro comum imaginar a direita e sua asa extrema como blocos monolíticos, não são.

      As SA e SS mostram isso.

      A família Le Pen idem.

      A própria família Bolsonaro e suas dissidências e aspirantes a herdeiros do capital extremista.

      É certo que agem de forma mais orgânica que a esquerda, mas não uma coisa só.

      Macri disputa sim, nesse campo, para voltar a ser protagonista, ainda mais com o profundo e dramático assassinato social praticado por Milei.

      Nesse cenário, até ele pode posar como moderado (é o que sempre fazem, olhem nosso atual STF, que lindeza, olha o centrão, que gente educada), e de quebra, tocar o estrago chamado de ajuste em outro ritmo, mas com mesmo destino.

  4. SUELI CAVENDISH

    25 de fevereiro de 2025 6:14 pm

    HE TALKS TOO MUCH

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