Do jornal O Globo
Discurso de Dilma em Davos é bem recebido por empresários e banqueiros
Maioria das reações à fala da presidente identificou que Brasil tem potencial, embora precise de ajustes, principalmente na infraestrutura
Recuperação de economias desenvolvidas também deve impactar desempenho de emergentes, afirmam especialistas
Déborah Berlinck, enviada especial (Email)
Publicado: 24/01/14 – 16h07
Atualizado: 24/01/14 – 18h33
Na sua estreia no Fórum Econômico Mundial em Davos – onde estão reunidos os principais líderes empresariais e políticos do mundo – Dilma Rousseff fez o discurso que o investidor estrangeiro quis ouvir: reafirmou sua determinação em manter o combate à inflação, o compromisso fiscal e o câmbio flutuante.
A estreia da presidente foi marcada por um cenário de desconfiança em relação aos chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), identificados como motores do crescimento mundial há alguns anos, mas atualmente em plena desaceleração. Um cenário novo que inclui a recuperação surpreendente de países ricos, como os Estados Unidos, e a fuga de investidores.
A reação, em geral, foi positiva. Enrique Iglesias, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), disse que Dilma passou uma mensagem “positiva e realista do potencial do Brasil”.
– (Vocês) enfrentam problemas, como todos. Mas creio que hoje ninguém discute o potencial de desenvolvimento do Brasil. Todos os países têm altos e baixos em matéria de ciclos – afirmou.
Gerard Hartsink, presidente do CLS Bank International, disse que não está preocupado com pressão da inflação no Brasil. E acha que as grandes descobertas de petróleo são um “estímulo positivo” ao crescimento do país. Mas ele acha chama atenção para problemas em outras áreas:
– A economia ainda não está aberta e há barreiras para os investidores estrangeiros. Há preocupação de que o dinheiro está saindo do país.
Mas o banqueiro disse que continua positivo em relação ao Brasil:
– Estive muitas vezes no Brasil. Sou muito positivo em relação ao Brasil – disse.
Frederico Curado, presidente da Embraer, salientou que as principais mensagens para os estrangeiros foram dadas, como disse que as mensagens importantes foram dadas: de austeridade fiscal, controle de inflação, investimento privado brasileiro e estrangeiro, infraestrutura, educação.
Perguntado se o discurso de Dilma convenceu, num cenário de baixo crescimento, pressão inflacionária e desencanto com a desaceleração dos Brics , Curado respondeu:
– Eu acho. O Brasil vai acabar crescendo. Desatando este nó da infraestrutura, aeroportos e portos indo em frente, acho que isso vai puxar o crescimento.
EUA estão ‘mais emergentes que emergentes’
Ricardo Villela Marino, vice-presidente do banco Itaú também saiu satisfeito. Ele disse que Dilma fez um “discurso positivo, de quem mostra que está entendendo a problemática do país domesticamente e a situação global depois de cinco anos de crise financeira global”.
– A maior preocupação agora é ver a implementação destas políticas e planos anunciados. A direção está acertada.
Para Marino, o fato de os Estados Unidos estarem hoje “mais emergentes que os (países) emergentes” – ou seja, retomando o crescimento – e a Europa estar saindo da recessão “é bom para o Brasil”. Mas ele alerta:
– Claro que isso vai ter consequências externas, dado que eles vão mudar a política monetária dos Estados Unidos, tirando os estímulos. E a perspectiva de aumento de juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano) vai fazer com que mais capital entre nos Estados Unidos, saindo dos mercados emergentes e depreciando ainda mais a cesta de moedas nos países emergentes.
FMI: é hora de ajustar
Min Zhu, o vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), não ouviu o discurso. Mas segundo ele, embora o crescimento de 2% do Brasil hoje não seja suficiente, emergentes em geral “deveriam estar mais felizes com um pouco de desaceleração”. Por um motivo, segundo ele, é a oportunidade de ajustar para um ambiente externo que está mudando.
– A atmosfera externa está mudando. Liquidez está ficando difícil. Depois de uma década de crescimento, é hora de ajustar. É absolutamente importante entender a mudança de vento agora, e ajustar.
Ele reconheceu que 2% não é um bom crescimento para o Brasil, mas insistiu:
– No ambiente atual, é importante colocar o pé numa base sólida.
Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, também ficou satisfeito com a fala da presidente:
– Convenceu. Ela reafirmou algumas coisas que é muito valorizada pelo investidor: reafirmou a meta de inflação, o câmbio flutuante e o compromisso fiscal.
Mas Trabuco lembrou que “o mercado é sempre assustado”. E que embora a economia brasileira seja diferente da de seus vizinhos, como a Argentina, é preciso agora “foco”:
– O Brasil precisa de foco em realizações. Está fazendo, mas precisa fazer mais. É o grande desafio, da infraestrutura urbana, principalmente. O Brasil é um país produtivo. Mas não somos competitivos.
Desempenho melhor em encontro do Conselho Internacional de Negócios
Empresários que participaram do encontro de Dilma com o Conselho Internacional de Negócios do Fórum Econômico Mundial foram praticamente unânimes em afirmar que seu desempenho foi bem melhor do que sua intervenção no grande plenário.
– Ela estava bem mais solta e foi muito política – disse um executivo brasileiro que preferiu manter o anonimato.
Na reunião, Dilma abordou praticamente os mesmas temas tratados em seu discurso principal: controle fiscal, abertura aos investidores estrangeiros e estabilidade inflacionária.
Segundo outro empresário presente, a audiência ficou especialmente entusiasmada quando a presidente insistiu que o Brasil tem de abandonar a “cultura do selo” e desburocratizar o país. (Colaborou Fernando Eichenberg)
Motta Araujo
25 de janeiro de 2014 12:07 amEnrique Iglesias não é
Enrique Iglesias não é presidente do BID há mais de dez anos, CLS Bank é um centro de compensação de cambio, não é propriamente um banco, as demais opiniões são de banqueiros brasileiros, portanto nenhuma dessas opiniões é de investidores estrangeiros, que é o publico alvo em Davos.
Andre SP
25 de janeiro de 2014 1:09 amOxe!!!
É primeiro de abril?????
Vejam o blog do Josias….
Severino Januário
25 de janeiro de 2014 9:17 amSe as palavras de Dilma
Se as palavras de Dilma refletem sua convicção, então cremos que ela está sendo excessivamente otimista quanto à propalada retomada do crescimento pelos países ricos. Este crescimento basicamente dependia de situações que se desvaneceram e não podem retornar. E as novas condições de crescimento, com um rearranjo radical de suas economias, estão muito longe de acontecerem. O atual crescimento americano se deve a um impulso que vai durar no máximo dois anos, e cada vez mais dependerá de injeções diretas e indiretas de dinheiro público, apresentando ainda nesta ano sinais de declínio renovados. A Europa, que cresceu 0,4 por cento graças ao crescimento de 4,0 por cento da Alemanha, vai assistir ao declínio crescente do crescimento alemão, com perspectivas que apontam para uma situação de depressão que atingirá também aquele país. Estes crescimentos não têm mais qualquer estrutura sólida de sustentação, já que dependiam de situações de paralisia em lugares do globo onde hoje também se quer sair andando e até correndo. Hoje fica a depender apenas de impulsos que estão por conta do jogo de búzios e de uma tentativa quase obsessiva de espalharem internamente otimismo e confiança, chegando-se ao ponto de censurar raivosamente qualquer opinião mais realista que surja na imprensa ou em qualquer parte. Nada muda no cenário escabroso do mundo financeiro nestes países, a não ser a quase certa grande ofensiva que se fará sobre a taxação de pessoas mais ricas; para isso já estão tentando convencer suas populações de que “é preciso que os ricos deem mais para haver mais igualdade”, que é, não por acaso, o tema do convescote de Davos. Entretanto, estes mais ricos que serão depenados não estão no topo da pirâmide da riqueza, nem se trata de instituições financeiras ou empresariais, intocáveis. São gente como jogadores de futebol e astros de cinema, que terminarão por sair em massa da Europa em busca de proteção para seu dinheiro em outros países, como a Rússia e até o Brasil. Se os países emergentes querem crescer de modo forte e sustentável, eles devem conversar muito mais entre eles mesmos, e estabelecer caminhos, redes e laços mútuos de crescimento que independam fundamentalmente da “retomada do crescimento” dos países ditos ricos.
J.C. Martins
25 de janeiro de 2014 11:10 amO PIG nessa está meio
O PIG nessa está meio dividido… a Falha seguiu na linha “guerra psicológica” falando que o discurso foi chato, desinteressante, bla, bla, bla. E como semprem, citando fontes sem nome, do tipo “um grande empresário” ou “um peso pesado da economia brasileira”…
LC
25 de janeiro de 2014 12:16 pmO que ela fala é irrelevante
Acho particularmente preocupante que o câmbio em 2,40 deveria pelo menos frear um pouco a situação das transações correntes, mas elas não param de piorar. Com certeza o câmbio de equilíbrio deve estar em algum lugar além de 2,90. Quando isso acontecer, gasolina vai p/espaço levando juros e todo o resto junto.
O que ela fala é irrelevante, interessa o que ela faz (ou não faz).
Eu só fico imaginando essa senhora mais quatro anos ao lado do inacreditável. Se isso acontecer, 2018 promete !!!
Severino Januário
25 de janeiro de 2014 1:15 pmE se o problema do preço da
E se o problema do preço da gasolina for equacionado? Esta linha de raciocínio é redutivista, tanto o caso do tomate. Os fundamentos estão longe daí.
ademar steixeira
25 de janeiro de 2014 1:57 pmDespolitização
Esse é o problema de todos os governos, atualmete nao se governa para o povo, visando o bem estar desse, e sim para o mercado, as garndes corporações, governa-se em prol do sistema economico constituido, geralmente em detrimento das pessoas.
Doney
25 de janeiro de 2014 8:30 pmSe o discurso da Dilma foi
Se o discurso da Dilma foi bem recebido por banqueiros e empresários, pobres de nós, que compomos os outros 99%.