4 de junho de 2026

Divisão global não pode mais ser ignorada, diz jornalista do FT

Em artigo, Edward Luce diz que incertezas aumentam em meio à reorganização geopolítica criada pela invasão dos russos à Ucrânia, em 24 de fevereiro
Photo by Hassan Pasha on Unsplash

O início da invasão russa à Ucrânia não marca apenas um fato histórico em si, mas também o dia (24 de fevereiro de 2022) em que o mundo se dividiu em grandes blocos políticos, independentemente do resultado da guerra.

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“A geopolítica agora está dividida entre o Ocidente e uma Eurásia sino-russa. A maior parte do mundo, incluindo a Índia, está no meio”, diz o jornalista Edward Luce, em artigo publicado no jornal britânico Financial Times.

E tal divisão, mesmo que implícita, carrega uma série de incertezas. “Estamos voltando a uma era nuclear? A globalização está indo em sentido inverso? A cooperação para as alterações climáticas está agora fora do menu? A democracia pode superar a autocracia?”

Na visão do articulista, a decisão de Putin de afrontar o Ocidente pode ser considerada irônica – embora a Rússia não seja uma potência em declínio, a sua perda de status colocou o país em uma posição mais delicada, enquanto a China tem seguido seu ritmo em termos de importância política.

Na visão de Luce, a questão a se responder é qual dos dois países irá ditar o ritmo das mudanças – a resposta, a partir de agora, pode ser nenhum.

“O curinga inesperado, portanto, é a América de Biden”, diz Luce, afirmando que em algum momento Volodymyr Zelensky, atual presidente da Ucrânia, irá testar o discurso de Biden.

Em termos econômicos, boa parte dos economistas não acredita em uma queda na influência do dólar nas negociações globais em um futuro próximo, mas muito disso depende dos próximos passos do governo de Biden.

Questões armamentistas também precisarão ser ponderadas – já que a invasão de Putin levou outros países a acelerarem a corrida armamentista –, assim como o debate de ideologias, já que o avanço da extrema-direita na França, com o crescimento de Marine Le Pen nas pesquisas presidenciais, é considerado por Luce “um prenúncio da fragilidade da democracia”.

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