20 de junho de 2026

Europa precisa de uma infraestrutura própria de IA, diz acadêmica

Em artigo, professora de Cambridge afirma que região precisa de uma alternativa coordenada para obter autonomia estratégica e industrial
Foto de Steve Johnson na Unsplash

Os choques globais vistos nas últimas duas décadas – dentre eles a pandemia de covid-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia e a crise financeira de 2008 – levou a Europa a retomar sua política industrial, mas a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos aumentou a urgência de se reforçar a resiliência econômica e interligar as prioridades de segurança às políticas econômicas.

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“Para a União Europeia e o Reino Unido – que agora enfrentam uma administração americana abertamente hostil – a economia digital deve se tornar um foco central”, afirma Diane Coyle, professora de políticas públicas da universidade de Cambridge.

Em artigo para o Project Syndicate, Diane cita o relatório do ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, sobre a competitividade da UE e o Plano de Ação para Oportunidades em IA do Reino Unido destacam as tecnologias digitais e de IA como potenciais motores de inovação e crescimento futuros.

Entretanto, o grande desafio é reduzir a dependência europeia das grandes empresas de tecnologia norte-americanas – enquanto o governo Biden adotou uma abordagem de confronto em relação às Big Techs, o governo Trump sinalizou que qualquer acordo comercial futuro dependerá da redução da pressão da UE por novas regulamentações e impostos digitais.

“Os formuladores de políticas precisam desenvolver uma alternativa coerente e estratégica à dependência da tecnologia americana”, explica a acadêmica, citando como referência a criação da Airbus, que inicialmente foi uma resposta dos europeus à Boeing.

“Uma “Airbus para IA” – uma alternativa às plataformas americanas, financiada publicamente 1e operada comercialmente – é viável e necessária”, diz Diane, lembrando a vulnerabilidade dos serviços públicos e do setor privado aos planos dos executivos norte-americanos, cuja prioridade é manter boas relações com seu próprio governo.

“A disposição de Elon Musk em violar os contratos da Starlink com governos europeus alimentou preocupações sobre a confiabilidade das plataformas americanas, assim como os esforços de outras empresas americanas para explorar as tensões comerciais e fazer lobby contra regulamentações tecnológicas europeias, como a Lei de Mercados Digitais da UE e a Lei de Segurança Online do Reino Unido”, lembra a professora de Cambridge.

Desta forma, mesmo que o governo Trump deixe seu protecionismo de lado, as dúvidas em torno da confiabilidade das empresas de tecnologia continuariam – e como as plataformas chinesas não são consideradas confiáveis, “fica cada vez mais evidente que os governos europeus devem começar a desenvolver um ecossistema digital e de IA independente”, ressalta Diane.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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