A aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas repercutiu na imprensa internacional. Jornais da Espanha, Argentina e Reino Unido apontaram a votação como uma vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais.
O jornal espanhol El País destacou a conquista dos trabalhadores brasileiros em reportagem cujo título afirma que dezenas de milhões de pessoas terão um segundo dia de descanso semanal. A publicação classificou a aprovação como uma vitória política para Lula.
Na Argentina, o Clarín descreveu a votação como uma “jogada política” do presidente, ressaltando que a redução da jornada foi aprovada a menos de duas semanas do segundo turno. O também argentino La Nación definiu a medida como a principal aposta de Lula antes da votação eleitoral e destacou a mudança de posicionamento do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que passou a apoiar a proposta pouco antes da análise no Senado.
O britânico Financial Times, especializado em economia e finanças, ressaltou que os parlamentares brasileiros aprovaram o fim da semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina. O jornal também apontou a votação como uma vitória para Lula, mas mencionou as críticas de setores empresariais, que alertam para o possível aumento de custos com a mudança.
A publicação avaliou ainda que o fim da escala 6×1 aproxima o Brasil de países de renda mais alta, nos quais a redução das horas trabalhadas acompanhou avanços na produtividade e na eficiência.
Já o The Guardian, também do Reino Unido, afirmou que a mudança poderá beneficiar até 30 milhões de pessoas no país. O jornal lembrou que a mobilização pelo fim da escala 6×1 ganhou força com o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado pelo então balconista de farmácia Rick Azevedo, que entrou para a política após a repercussão da iniciativa e teve a pauta incorporada à agenda de Lula.
Mudança de posição da oposição
A imprensa estrangeira também destacou a mudança de postura de Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno. Segundo o The Guardian, o senador era contrário à PEC, mas passou a apoiar a proposta poucos dias antes da votação. A publicação lembrou, no entanto, que o candidato defendeu uma alternativa baseada no pagamento por hora efetivamente trabalhada.
A agência de notícias norte-americana Associated Press (AP) observou que o único voto contrário à proposta foi o do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente durante o governo Jair Bolsonaro (PL).
A agência também avaliou que os aliados de Flávio Bolsonaro deixaram de barrar a medida, considerada popular entre os eleitores, para evitar prejuízos à campanha do candidato na disputa contra Lula.
Na Câmara dos Deputados, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou, em entrevista à TV Jovem Pan, que, caso Flávio seja eleito presidente, o governo deverá aprovar a PEC 12/2026, que prevê um modelo de contratação baseado nas horas efetivamente trabalhadas.
Aprovação no Senado
O Senado concluiu a votação da PEC na noite de quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, em uma ampla demonstração de apoio à proposta.
A oposição, que anteriormente resistia à medida, mudou de posição após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), colocar o texto em votação no plenário.
A proposta estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, com adoção da escala 5×2 e sem redução salarial. O texto também reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, por meio de uma transição prevista para durar 14 meses.
Pelas regras aprovadas, as empresas terão 60 dias após a promulgação da emenda constitucional para adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para 42 horas semanais. Após mais 12 meses, o limite deverá cair para 40 horas semanais.
*Com informações da Agência Brasil.
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