15 de outubro de 2026

Oposição quer emplacar redução da maioridade penal após a aprovação do fim da escala 6×1

A PEC da Segurança está na pauta do plenário do Senado nesta quinta-feira, mas a redução da maioridade penal não consta no texto aprovado pela CCJ
Crédito: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

Líder do PT no Senado, Camilo Santana, defende reduzir maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos na PEC da Segurança.
Senador Rogério Marinho propõe maioridade penal aos 16 anos para a maioria dos crimes e 14 anos para delitos graves.
PEC da Segurança será votada nesta quinta com possibilidade de incluir redução da maioridade penal por destaque.

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Às vésperas da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Senado, o líder do PT na Casa, Camilo Santana (CE), defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. A iniciativa é uma reação à emenda apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que propõe estabelecer a idade penal em 16 anos para a maioria dos crimes e em 14 anos para delitos específicos.

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A PEC da Segurança está na pauta do plenário do Senado nesta quinta-feira (15). A redução da maioridade penal não consta no texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa na quarta-feira (14), mas a oposição pretende incluir a medida por meio de um destaque, mecanismo que permite votar separadamente uma alteração ao projeto principal.

A emenda de Marinho prevê a redução da maioridade penal para 16 anos na maioria dos casos e para 14 anos em crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo, organização criminosa e associação criminosa, entre outros. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, também assina a proposta.

Na quarta-feira, durante um compromisso de campanha em Porto Alegre, Flávio defendeu publicamente a redução da maioridade penal para 16 anos e para 14 anos em crimes graves, como estupro. Rogério Marinho, autor da emenda, é coordenador da campanha presidencial do parlamentar.

A proposta de Camilo Santana representa uma mudança em relação à posição tradicional do PT e de outros setores governistas, que historicamente se opuseram à redução da maioridade penal. O líder petista defende uma alteração restrita aos crimes hediondos, enquanto a oposição propõe uma redução mais abrangente.

Entre os argumentos contrários à mudança estão o risco de sobrecarga do sistema penitenciário e a possibilidade de que adolescentes encaminhados aos presídios tenham contato direto com facções criminosas. Governistas também questionam a constitucionalidade da medida. Em junho, durante a tramitação de uma proposta específica na Câmara dos Deputados, parlamentares argumentaram que a redução atingiria direitos e garantias fundamentais protegidos pela Constituição.

A discussão ganhou força na reta final da eleição presidencial. A dez dias do segundo turno, Flávio Bolsonaro incorporou a redução da maioridade penal às suas principais bandeiras de campanha e tenta viabilizar a inclusão da medida na PEC da Segurança.

Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (14) apontou que a redução da maioridade penal para 16 anos está entre as propostas apresentadas durante a campanha com maior aprovação dos eleitores. O levantamento ouviu 2.154 pessoas entre 10 e 13 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

A PEC da Segurança Pública deve ser votada pelo Senado nesta quinta-feira. A Casa aprovou um calendário especial que permite a realização do primeiro e do segundo turnos no mesmo dia. Para ser aprovada, a proposta precisa obter pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno.

O texto estabelece na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com o objetivo de integrar a atuação das forças de segurança no combate ao crime organizado.

A redução da maioridade penal não fazia parte da proposta original enviada pelo governo ao Congresso. Durante a tramitação na Câmara, a possibilidade de diminuir a idade penal de 18 para 16 anos chegou a ser incluída nas discussões, mas foi retirada antes da aprovação final pelos deputados. O texto encaminhado ao Senado, portanto, não prevê mudanças na maioridade penal.

Paralelamente, uma proposta de emenda constitucional específica sobre o tema continua em tramitação na Câmara. Em junho, a matéria foi aprovada pela CCJ por 44 votos a 18 e seguiu para análise de uma comissão especial.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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