A situação dos palestinos que vivem na Faixa de Gaza está, cada dia mais, dramática e desumana. De acordo com chefe do departamento de pediatria do Hospital Nasser, Ahmed al-Farra, o nível de fome na região atingiu o estágio 5, em que surgem casos de pneumonia entre os cidadãos.
O estágio 5 de fome é a fase mais alta de insegurança alimentar, de acordo com a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC).
Além da doença, o médico disse ainda que as crianças agora apresentam deficiência de vitaminas, todos os moradores de Gaza têm anemia e que casos graves de pneumonia estão se espalhando pelo enclave costeiro.
Escassez de água
Os palestinos perderam, ainda, a única fonte de água potável na última semana. Israel cortou o abastecimento, de acordo com autoridades municipais de Shejaiya, distrito bombardeado cuja tubulação da estatal Mekorot fornecia 70% da água da cidade de Gaza.
Assim como a sede, crescem também os relatos dos moradores, que enfrentam dificuldades para ter acesso a um item essencial à vida.
Além de filas de horas para conseguir o mínimo de água e sair sem o volume suficiente para atender necessidades básicas, os moradores ainda têm de andar longas distâncias para conseguir o mínimo de abastecimento.
Mulheres e crianças
Mahmoud Basal, porta-voz da agência de defesa civil de Gaza, observou ainda que as maiores vítimas dos ataques israelenses ainda são mulheres e crianças.
Todos os dias, o Hospital Al-Aqsa recebe e transfere feridos e mortos, muitos deles mulheres e crianças. Desde 18 de março, pelo menos 500 crianças foram mortas.
Basal afirmou ainda que muitas pessoas permanecem presas sobre os escombros e acabam morrendo, já que as equipes de resgate não conseguem chegar até elas.
Há ainda casos de uma menina que teve o braço amputado, mas não resistiu ao ferimento.
O porta-voz da Defesa Civil garantiu ainda que os palestinos estão famintos, esgotados e exaustos, e que nenhum caminhão de ajuda humanitária entra em Gaza há semanas.
A Cruz Vermelha, que descreve Gaza como inferno na terra, alerta que os suprimentos de hospitais devem se esgotar em menos de duas semanas.
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