O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, determinou nesta terça-feira (5) a prorrogação da prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek até o próximo domingo, 10 de maio. Líderes de uma flotilha humanitária que pretendia romper o bloqueio naval à Faixa de Gaza, os dois permanecem sob custódia para interrogatório, sob suspeitas de ligação com grupos terroristas — acusação que a defesa e o governo brasileiro rechaçam.
A decisão do juiz Yaniv Ben-Haroush atendeu integralmente ao pedido das autoridades israelenses. O magistrado fundamentou a manutenção da prisão em “provas secretas“, documentos aos quais nem os ativistas nem seus advogados tiveram permissão para analisar.
A defesa, conduzida pela organização de direitos humanos Adalah, classificou a medida como uma “validação judicial da ilegalidade do Estado“.
Acusações e jurisdição sob questionamento
Israel alega que Ávila e Keshek possuem vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade sancionada pelos Estados Unidos por suposta atuação em nome do Hamas.
Durante as audiências, o procurador-geral de Israel listou crimes como auxílio ao inimigo em tempo de guerra e transferência de bens para organização terrorista.
As advogadas Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma argumentam que as acusações são infundadas e que a justiça israelense sequer teria jurisdição sobre o caso. Segundo a Adalah, a interceptação da flotilha ocorreu em águas internacionais, a mais de mil quilômetros de Gaza.
“Como os ativistas foram sequestrados longe de Israel e não são cidadãos israelenses, a legislação local não se aplica a eles“, afirmou a equipe jurídica, que promete recorrer imediatamente ao Tribunal Distrital.
Denúncias de maus-tratos e greve de fome
O clima em torno da detenção é de crescente tensão diplomática e humanitária. Relatos da defesa e da esposa de Ávila, Lara Souza, indicam que os ativistas estão em isolamento total. Eles estariam submetidos a condições de privação sensorial, com iluminação intensa nas celas durante 24 horas e uso de vendas nos olhos em qualquer deslocamento, inclusive para exames médicos.
Em protesto contra o que chamam de “sequestro e tratamento desumano“, Thiago Ávila e Saif Abu Keshek iniciaram uma greve de fome na última quinta-feira (30), consumindo apenas água.
As autoridades israelenses negam as acusações de maus-tratos e sustentam a legalidade das detenções para fins de segurança nacional.
Reação diplomática
O governo brasileiro subiu o tom contra a manutenção da prisão, utilizando o termo “sequestro” para descrever a captura de Ávila e exigindo sua libertação imediata.
O Ministério das Relações Exteriores da Espanha também se manifestou, classificando a medida como “ilegal e inaceitável”, ressaltando que Israel não apresentou provas concretas que liguem a missão humanitária a atividades armadas.
A missão “Global Sumud”, da qual os ativistas faziam parte, contava originalmente com cerca de 50 embarcações. Enquanto centenas de tripulantes foram deportados para seus países de origem via Grécia, o foco das autoridades de Israel recaiu sobre os líderes do movimento, mantendo o impasse jurídico e diplomático no Oriente Médio.
emerson57
5 de maio de 2026 11:19 amQuando se crê que já conhece todas as picaretagens imperialistas eles vem com “provas secretas“.
Completo neologismo recém saido do forno dos infernos.
Carlos
5 de maio de 2026 3:03 pmAbaixo o sionismo!