
Jornal GGN – O começo das operações em 2016 não apresentou novidades em relação ao comportamento apresentado pelas captações de recursos pelas empresas brasileiras. Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Ações), oquadro de nível reduzido da atividade doméstica se somou ao aumento da volatilidade no mercado internacional, com a expectativa de redução do crescimento global, potencializando as incertezas em relação ao prazo de recuperação econômica, e, consequentemente, sobre as decisões de investimento das companhias.
No mercado externo, as taxas dos títulos americanos de dez anos, por exemplo, apresentaram perdas expressivas durante o mês de janeiro e atingiram o menor nível de todo o ano de 2015 e 2016, de 1,63% ao ano, no dia 11 de fevereiro. Segundo a pesquisa, esse comportamento reflete um aumento da aversão a risco por parte dos agentes e o aquecimento da demanda por ativos de maior qualidade e segurança.
Ao mesmo tempo, o nível do CDS (Credit Defaut Swap) brasileiro mantém uma trajetória ascendente desde o final de 2015, chegando a superar os 500 pontos. Pelo indicador, o patamar de risco Brasil ultrapassou e se distanciou dos níveis de outros emergentes, como Rússia e Turquia, dificultando ainda mais a retomada das captações internacionais por parte das companhias locais, que já não ocorrem há sete meses.
Assim, como observado em todo o ano de 2015, a alternativa de funding das empresas nacionais se concentrou no segmento doméstico de renda fixa. Porém, mesmo no mercado local, as captações de janeiro continuaram apresentando desaceleração em relação ao volume e ao número de operações dos períodos anteriores. Em janeiro, as captações domésticas somaram R$ 2,8 bilhões, com apenas dez operações – o que foi o pior resultado para o mesmo período nos últimos seis anos. O volume foi sustentado, principalmente, pelas quatro ofertas de debêntures realizadas no mês, que chegaram a R$ 2,5 bilhões.
Ainda no campo da renda fixa e dos instrumentos de securitização, foi realizada apenas uma operação com notas promissórias, que somou R$ 210 milhões, e uma única operação com CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), com volume de R$ 110,5 milhões. Embora tenham sido realizadas quatro ofertas de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), que totalizaram R$ 24 milhões, sendo que todas foram dispensadas de registro pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Perfil de ativos e financiamentos seguem em queda
Relatório elaborado pela Anbima ressalta que o perfil dos ativos continua apresentando piora, em resposta à deterioração do ambiente econômico e ao movimento conservador de investidores e emissores, com o crescimento de operações voltadas para o curto prazo.
De acordo com os dados divulgados, a totalidade das debêntures ofertadas em janeiro foi indexada à taxa DI, sendo 62,6% expressas em DI + spread, e as 37,4% restantes em percentual do DI.
Os prazos das debêntures também registraram queda acentuada em janeiro. O prazo médio dos ativos, ponderado pelos respectivos volumes, ficou em 2,7 anos, sendo que 66,7% dos ativos se mantiveram na faixa de até três anos, e 33,3% ficaram na faixa de quatro a seis anos de prazo.
Ao mesmo tempo, o Relatório Trimestral de Financiamento dos Investimentos no Brasil, de janeiro de 2016, aponta que, ao mesmo tempo em que a formação bruta de capital fixo pelas empresas e famílias caiu de 17,5% do PIB em dezembro de 2014, para 16,3% do PIB em setembro de 2015, houve mudança no perfil de financiamento dos investimentos. Entre os itens que apresentaram crescimento, estão a participação de recursos próprios, que passou de 46,8% do total no final de 2014 para 52,6% no terceiro trimestre de 2015, e os investimentos diretos e emissão primária de ações, que, no mesmo período de comparação, subiram de 14,6% e 1,5%, para respectivamente, 16,5% e 1,8%.
Entre as fontes de financiamento que registraram queda, está o mercado de capitais, cuja participação caiu de 8,5% do total para 7,7%, e os financiamentos via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que caíram de 14,8% para 12,3%.
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