Morte de sete funcionários de ONG em Gaza deve aumentar ainda mais as pressões sobre Israel

Trabalhadores humanitários faziam parte de ONG de chefe famoso nos EUA; Reino Unido, EUA e Canadá exigem explicações sobre o ataque

Uniforme danificado dos trabalhadores de ONG em Gaza. Crédito: Reprodução/ YouTube Euronews

Um ataque do exército israelense vitimou sete funcionários da ONG World Central Kitchen na Faixa de Gaza, na última segunda (1º), que haviam levado uma carga de alimentos para os palestinos uma hora antes do bombardeio. 

“Infelizmente, no último dia houve um caso trágico em que as nossas forças atingiram involuntariamente pessoas inocentes na Faixa de Gaza. Acontece em guerras, e estamos verificando até o fim, estamos em contato com os governos, e tudo faremos para que isso não aconteça novamente”, justificou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O “acidente”, no entanto, deve aumentar ainda mais a pressão internacional sobre Israel por um cessar-fogo permanente, devido à repercussão global do caso.

Criada nos Estados Unidos pelo chef espanhol José Andrés, a World Central Kitchen contava com colaboradores do Reino Unido, Austrália, Estados Unidos e Polônia, que estavam em um veículo blindado e com a identificação da ONG, mas mesmo assim não foi poupado pelas tropas de Israel.

As Forças Armadas de Israel emitiram uma nota para lamentar o resultado trágico do bombardeio, além de se desculpar, por vídeo, com o próprio José Andrés. 

Famoso nos EUA por participar de programas de TV, Andrés ressaltou que “os trabalhadores de organizações humanitárias e civis nunca deveriam ser alvo em guerras”.

Repercussão

O caso criou uma condenação internacional sobre a atuação de Israel. Embaixador dos EUA em Israel, Jack Lew pediu uma investigação rápida sobre a tragédia e ressaltou que trabalhadores humanitários devem ser protegidos.

Primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, também pediu maior segurança aos trabalhadores e exigiu explicações de Israel. “Israel deve explicar como este trágico incidente aconteceu e tomar medidas imediatas para proteger os trabalhadores humanitários e facilitar operações humanitárias vitais em Gaza”, disse o primeiro-ministro do Reino Unido no X.

O Canadá, que informa que uma das sete vítimas é cidadã canadense, demanda punições. “Condenamos estes ataques e apelamos a uma investigação completa. O Canadá espera total responsabilização por estes assassinatos, e transmitiremos isso diretamente ao governo israelense. Os ataques ao pessoal humanitário são absolutamente inaceitáveis”, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros canadense, Melanie Joly, no X.

O Hamas também condenou o ataque, tendo em vista que a ocupação israelense insiste em matar sistematicamente civis e trabalhadores humanitários. O grupo afirmou ainda que o objetivo do ataque foi intimidar estrangeiros. “Apelamos à comunidade internacional e ao Conselho de Segurança para que denunciem este ato hediondo e avancem no sentido de pôr fim aos crimes de ocupação e à agressão contra o nosso povo na Faixa de Gaza.”

*Com informações do Al Jazeera

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Camila Bezerra

Jornalista

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