5 de junho de 2026

Na ONU, EUA lideram críticas à Rússia e China culpa Ucrânia pela crise

Apesar do recente acordo entre Xi Jinping e Vladimir Putin, Pequim não apoiou abertamente o Kremlin no reconhecimento de separatistas. Brasil adotou posição neutra
© AP Photo / Bebeto Matthews

O conflito armado nas regiões do Leste da Ucrânia levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a realizar uma reunião de emergência na noite desta segunda-feira (21/2), em Nova York, aceitando pedido realizado pelo governo ucraniano.

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Segundo o jornal espanhol El País, durante a discussão, os Estados Unidos lideraram a postura de pedir sanções à Rússia por “atacar a soberania da Ucrânia”. A Casa Branca pretende que o Conselho de Segurança, em sua maioria, condene a decisão russa de reconhecer a independência das regiões separatistas de Donetsk e Lugansk, que foi anunciada nesta mesma segunda-feira pelo presidente Vladimir Putin, que se reuniu com os líderes dos movimentos separatistas locais.

Por sua parte, o Kremlin justifica sua postura com relação a situação no Leste da Ucrânia afirmando que as regiões vêm sofrendo bombardeios lançados desde Kiev desde a quinta-feira (17/2), e que se tratam de localidades onde existe uma maioria étnica russa.

Outro fator em questão tem a ver com os chamados Acordos de Minsk, que foram assinados pelo governo ucraniano junto com os movimentos separatistas em setembro de 2014 e que colocou fim ao último conflito armado na região. Porém, segundo os separatistas, Kiev não estaria respeitando os termos daqueles acordos – argumento também utilizado pela Rússia.

No entanto, a representante dos Estados Unidos no Conselho de Segurança, Linda Thomas-Greenfield, questionou essas alegações, e afirmou que é a Rússia que está enviando tropas e tanques para a região do Leste da Ucrânia, e que o governo norte-americano considera isso como “um ataque claro, sem qualquer motivação”.

O Brasil é um dos membros não permanentes que conformam atualmente o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Está representado pelo embaixador Ronaldo Costa Filho, que foi o terceiro a tomar a palavra na reunião desta segunda-feira. Assim como a Índia e Arábia Saudita, o Brasil defendeu a retirada de “forças militares” da região, sem citar nem Rússia nem Ucrânia como responsáveis por tal situação.

“Um primeiro objetivo inescapável é obter um cessar-fogo imediato, com a retirada abrangente de tropas e equipamentos militares no terreno. Tal desengajamento militar será um passo importante para construir confiança entre as partes, fortalecer a diplomacia e buscar uma solução sustentável para a crise”, disse o representante do Itamaraty.

Em sua intervenção, o diplomata brasileiro também falou que “os acordos internacionais devem ser respeitados”, porém, também ser esclarecer se era uma referência aos Acordos de Minsk.

Quem se referiu mais claramente àqueles acordos foi a China. O país asiático considera que a responsabilidade do que acontece no Leste da Ucrânia é do governo de Kiev, por não implementar efetivamente o estabelecido pelos Acordos de Minsk. Tal posição foi anunciada antes mesmo da reunião, pelo chanceler chinês Wang Yi, segundo informa a agência estatal chinesa Xinhua.

Entretanto, o governo da China não realizou nenhum gesto de apoio claro à postura da Rússia de reconhecer a independência de Donetsk e Lugansk, e disse que seu país pretende manter contatos com todas as partes envolvidas. “Pedimos mais uma vez pede a todas as partes que exerçam moderação e resolvam as diferenças por meio do diálogo e da negociação”, disse o ministro de Relações Exteriores.

A posição da China chama a atenção, já que não significa, ao menos neste momento, um alinhamento total com a Rússia, como se imaginava que aconteceria em caso de um conflito armado, especialmente depois do encontro recente em que os presidentes dos dois países, Xi Jinping e Vladimir Putin, fizeram uma declaração conjunta sobre a conformação de uma “nova ordem mundial multipolar”.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Anônimo

    22 de fevereiro de 2022 4:23 pm

    A posição da China é delicada neste ponto, pois seu argumento em relação a Taiwan é que aquele território é uma província rebelde, parte do território Chinês. Se apoiasse diretamente a Rússia, enfraqueceria o seu argumento de que aquela região não pode ser reconhecida como um país autônomo, e daria margem a outros países reconhecerem a sua independência e implantarem lá suas bases militares.

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