Noam Chomsky e os temores com a crise na Ucrânia

Sugerido por Almeida

Do Esquerda.net

Linhas vermelhas na Ucrânia e no mundo

por Noam Chomsky

A crise atual na Ucrânia é séria e ameaçadora, de tal forma que alguns comentadores comparam-na com a crise dos mísseis em Cuba, em 1962. A anexação da Crimeia por Putin assusta os líderes dos EUA, porque desafia a sua dominação global.

5 de Maio, 2014 – 00:14h

O colunista Thanassis Cambanis resume o centro da questão no “The Boston Globe”: “A anexação da Crimeia por [o presidente russo Vladimir] Putin é uma rutura da ordem mundial em que os Estados Unidos e os seus aliados confiam desde o fim da guerra fria, na qual as grandes potências só intervêm militarmente quando têm consenso internacional a seu favor ou, na ausência dele, quando não cruzam as linhas vermelhas de uma potência rival”.

Portanto, o crime internacional mais grave desta era, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha, não foi uma rutura da ordem mundial porque, ainda que não tenham obtido apoio internacional, os agressores não cruzaram linhas vermelhas russas ou chinesas.
Em contraste, a anexação russa da Crimeia e as suas ambições na Ucrânia cruzam linhas dos EUA. Em consequência, Obama concentra-se no isolamento da Rússia de Putin, cortando os seus laços económicos e políticos com o resto do mundo, limitando as suas ambições expansionistas na sua própria vizinhança e convertendo-a de facto num Estado pária, informa Peter Baker no “The New York Times”.

    “Às vezes permite-se a outros países ter linhas vermelhas nas suas fronteiras (onde também se localizam as linhas vermelhas dos Estados Unidos). Mas não ao Iraque, por exemplo. Nem ao Irão…”

Em resumo, as linhas vermelhas norte-americanas estão firmemente colocadas nas fronteiras da Rússia. Portanto, as ambições russas na sua própria vizinhança violam a ordem mundial e criam crise.

Esta posição é de aplicação geral. Às vezes permite-se a outros países ter linhas vermelhas nas suas fronteiras (onde também se localizam as linhas vermelhas dos Estados Unidos). Mas não ao Iraque, por exemplo. Nem ao Irão, que Washington ameaça continuamente com ataques (nenhuma opção é retirada da mesa).

Tais ameaças violam não só a Carta das Nações Unidas, mas também a resolução de condenação da Rússia pela Assembleia Geral, que os Estados Unidos acabam de assinar. A resolução começa por sublinhar que a Carta da ONU proíbe a ameaça ou o uso da força em assuntos internacionais.

A crise dos mísseis em Cuba também pôs em relevo as linhas vermelhas das grandes potências. O mundo aproximou-se perigosamente da guerra nuclear quando o então presidente John F. Kennedy recusou a oferta do primeiro-ministro soviético Nikita Kruschov de pôr fim à crise mediante uma retirada pública simultânea dos mísseis soviéticos de Cuba e dos mísseis norte-americanos da Turquia. (Já estava programada a substituição dos mísseis dos Estados Unidos por submarinos Polaris, bem mais letais, parte do enorme sistema que ameaça destruir a Rússia.)

    “As ameaças dos EUA violam não só a Carta das Nações Unidas, mas também a resolução de condenação da Rússia pela Assembleia Geral, que os Estados Unidos acabam de assinar. A resolução começa por sublinhar que a Carta da ONU proíbe a ameaça ou o uso da força em assuntos internacionais”

Naquele caso também, as linhas vermelhas dos Estados Unidos estavam na fronteira da Rússia, o que era um facto aceite por todos os envolvidos.

A invasão norte-americana da Indochina, como a do Iraque, não cruzou linhas vermelhas, assim como tantas outras depredações norte-americanas no mundo. Para repetir este facto crucial: às vezes permite-se aos adversários ter linhas vermelhas, mas nas suas fronteiras, onde também estão colocadas as linhas vermelhas norte-americanas. Se um adversário tem ambições expansionistas na sua própria comunidade e cruza as linhas vermelhas norte-americanas, o mundo enfrenta uma crise.

No último número da revista International Security, de Harvard-MIT, o professor Yuen Foong Khong, da Universidade de Oxford, explica que existe uma longa (e bipartidária) tradição no pensamento estratégico norte-americano: sucessivos governos têm posto o ênfase em que o interesse vital dos Estados Unidos é prevenir que uma hegemonia hostil domine alguma das principais regiões do planeta.

Além disso, existe consenso em que os Estados Unidos devem manter o seu predomínio, porque a hegemonia norte-americana é que sustentou a paz e a estabilidade regionais, eufemismo que se refere à subordinação às exigências norte-americanas.

Como são as coisas, o mundo opina de forma diferente e considera os Estados Unidos um Estado pária e a maior ameaça à paz mundial, sem um competidor que esteja sequer próximo nas sondagens. Mas, que sabe o mundo?

O artigo de Khong refere-se à crise causada pela ascensão da China, que avança para a primazia económica na Ásia e, como a Rússia, tem ambições expansionistas na sua própria vizinhança, que se cruzam com as linhas vermelhas norte-americanas. A recente viagem do presidente norte-americano Obama à Ásia tinha o objetivo de reafirmar a longa (e bipartidária) tradição, em linguagem diplomática.

A quase universal condenação do Ocidente a Putin faz referência ao discurso emocional em que o governante russo explicou com amargura que os Estados Unidos e os seus aliados “nos enganaram repetidamente, tomaram decisões nas nossas costas e apresentaram-nos factos consumados, com a expansão da NATO no Leste, com a localização da infraestrutura militar nas nossas fronteiras. Dizem-nos sempre o mesmo: ‘Bom, isto não tem a ver convosco’”.

    “A quase universal condenação do Ocidente a Putin faz referência ao discurso emocional em que o governante russo explicou com amargura que os Estados Unidos e os seus aliados “nos enganaram repetidamente…””

As queixas de Putin têm sustentação em factos. Quando o presidente soviético Mikhail Gorbachov aceitou a unificação da Alemanha como parte da NATO – concessão espantosa à luz da história –, houve um intercâmbio de concessões. Washington lembrou que a NATO não se moveria um centímetro para o Leste, referindo-se à Alemanha Oriental.

A promessa foi rompida de imediato e, quando o presidente soviético Mikhail Gorbachov se queixou, foi-lhe indicado que era apenas uma promessa verbal, carenciada de validade.

Depois William Clinton procedeu à expansão da NATO muito mais para leste, para as fronteiras da Rússia. Hoje em dia há quem inste a levá-la até à própria Ucrânia, bem dentro da vizinhança histórica da Rússia. Mas isso não tem a ver com os russos, porque a responsabilidade dos Estados Unidos de sustentar a paz e a estabilidade requer que as suas linhas vermelhas estejam nas fronteiras russas.

A anexação russa da Crimeia foi um ato ilegal, violador do direito internacional e de tratados específicos. Não é fácil achar algo comparável em anos recentes: a invasão de Iraque foi um crime muito mais grave.

No entanto, vem-nos à mente um exemplo comparável: o controle norte-americano da baía de Guantánamo, no sudeste de Cuba. Foi arrebatada pela ponta das espingardas a Cuba em 1903, e não foi libertada apesar dos constantes pedidos cubanos desde o triunfo da revolução, em 1959.

Sem dúvida que a Rússia tem argumentos mais sólidos a seu favor. Ainda sem tomar em conta o forte apoio internacional à anexação, a Crimeia pertence historicamente à Rússia; conta com o único porto de águas quentes na Rússia e alberga a frota russa, além de ter enorme importância estratégica. Os Estados Unidos não têm nenhum direito sobre Guantánamo, a não ser o seu monopólio da força.

    “O mundo considera os Estados Unidos um Estado pária e a maior ameaça à paz mundial, sem um competidor que esteja sequer próximo”

Uma das razões pelas quais Washington recusa devolver Guantánamo a Cuba, presumivelmente, é que se trata de um porto importante, e o controle norte-americano representa um formidável obstáculo ao desenvolvimento cubano. Esse foi o objetivo principal da política norte-americana ao longo de 50 anos, que inclui terrorismo em grande escala e guerra económica.

Os Estados Unidos dizem-se escandalizados pelas violações aos direitos humanos em Cuba, passando por cima do facto de que as piores dessas violações se cometem em Guantánamo; que as acusações válidas contra Cuba não se comparam nem de longe com as práticas regulares entre os clientes latino-americanos de Washington, e que Cuba tem estado submetida a um ataque severo e implacável dos Estados Unidos desde o triunfo da sua revolução.

Mas nada disto cruza as linhas vermelhas de ninguém nem causa uma crise. Cai na categoria das invasões norte-americanas da Indochina e do Iraque, do derrube regular de regimes democráticos e da instalação de impiedosas ditaduras, bem como do nosso horrível historial de outros exercícios para sustentar a paz e a estabilidade.

Artigo de Noam Chomsky, publicado em inthesetimes.com e traduzido para espanhol por Jorge Anaya para La Jornada. Tradução para português de Carlos Santos para esquerda.net

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16 comentários

  1. O Vampiro Americano

    Os EUA despreza tratados, obrigações e princípios universais.

    POR NOAM CHOMSKY

    Durante o mais recente episódio da farsa de Washington que deixou o mundo atônito, um comentarista chinês escreveu que se os Estados Unidos não podem ser um membro responsável do sistema global, talvez o mundo deva se separar do Estado pária que é a potência militar reinante mas que perde credibilidade em outras áreas.

    A fonte imediata do desastre em Washington foi a virada acentuada à direita dada pela classe política. No passado, os Estados Unidos foram descritos, com algum sarcasmo, mas não de forma imprecisa, como um Estado de um partido único: o partido dos negócios, com duas facções chamadas republicanos e democratas.

    Não mais. Ele continua a ser um Estado de partido único, mas agora tem uma única facção, os republicanos moderados, chamados Novos Democratas (como a coalizão no Congresso os designou): não é uma organização republicana, mas há muito tempo abandonou qualquer pretensão ser um partido parlamentar normal. O comentarista conservador Norman Ornstein, do American Enterprise Institute, descreveu os republicanos atuais como “uma insurgência radical, ideologicamente extremista, que zomba dos fatos e acordos e despreza a legitimidade de sua oposição política”: um perigo grave para a sociedade.

    O partido está em serviço permanente para os muito ricos e o setor empresarial. Como não podem ganhar votos com essa plataforma, se viram forçados a mobilizar setores da sociedade que são extremistas, pelos padrões mundiais. Insanidade é o novo padrão entre os membros do Tea Party e vários outros grupos informais.

    O establishment republicano e seus patrocinadores corporativos esperavam usar esses grupos como um aríete no ataque neoliberal contra a população, para privatizar, desregular e limitar o governo, mantendo as áreas que servem à riqueza, como as forças armadas.

    Ele teve algum sucesso, mas agora descobre, para seu horror, que não pode controlar as suas bases. Assim, o impacto sobre a sociedade do país torna-se muito mais grave. Um exemplo é a quase paralisação do governo diante da reação virulenta contra o Affordable Care Act.

    A observação do comentarista chinês não é totalmente nova. Em 1999, o cientista político Samuel P. Huntington advertiu que, para a maior parte do mundo, os Estados Unidos tornaram-se “a superpotência desonesta”, sendo vistos como “a principal ameaça externa às sociedades”.

    Nos primeiros meses da presidência de George Bush, Robert Jervis, presidente da Associação Americana de Ciência Política, alertou que “aos olhos de grande parte do mundo, o Estado primordialmente desonesto hoje são os Estados Unidos”. Tanto Huntington quando Jervis advertiram que tal rumo é imprudente. As consequências para os Estados Unidos podem ser danosas.

    Na edição mais recente da Foreign Affairs, a publicação líder do estabilishment, David Kaye examina um aspecto da forma como Washington se separa do mundo: a rejeição de tratados multilaterais “como um esporte”. Explica que alguns tratados são rejeitados de imediato, como quando o Senado “votou contra a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em 2012 e o Tratado de Proibição de Testes Nucleares, em 1999”.

    Outros são descartados por falta de ação, incluindo as relativas a questões como direitos trabalhistas, econômicos ou culturais, espécies ameaçadas de extinção, poluição, conflitos armados, a preservação da paz, armas nucleares, direito do mar e discriminação contra as mulheres.

    A rejeição das obrigações internacionais, escreve Kaye, “tornou-se algo tão arraigado que os governos estrangeiros já não esperam a ratificação de Washington ou a sua plena participação nas instituições criadas pelos Tratados. O mundo segue adiante, as leis são feitas em outro lugar, com participação limitada (se houver) dos Estados Unidos”.

    Apesar de não ser nova, a prática tornou-se mais acentuada nos últimos anos, juntamente com a aceitação silenciosa dentro do país da doutrina de que os Estados Unidos têm todo o direito de agir como Estado pária.

    Para tomar um exemplo típico, há algumas semanas as forças especiais dos EUA sequestraram um suspeito, Abu Anas Libi, nas ruas de Trípoli, capital da Líbia, e levaram-no a um navio para interrogá-lo sem permitir a presença de um advogado nem respeitar seus direitos. O secretário de Estado John Kerry disse a repórteres que a ação foi legal porque estava de acordo com as leis estadunidenses, sem causar maiores comentários.

    Os princípios só são valiosos se são universais. As reações seria um pouco diferentes, é inútil dizer, se as forças especiais cubanas sequestrassem o proeminente terrorista cubano Luis Posada Carriles em Miami e o levassem à ilha para interrogá-lo julgá-lo de acordo com as leis cubanas.

    Apenas os Estados desonestos podem cometer tais atos. Mais precisamente, o único Estado desonesto que tem poder suficiente de agir com impunidade, nos últimos anos, para conduzir ataques a seu critério, para semear o terror em grandes regiões com ataques de drones e muito mais. E para desafiar o mundo de outras maneiras, por exemplo, com o persistente e continuado embargo contra Cuba, apesar da oposição do mundo inteiro, fora Israel, que votou com o seu protetor quando as Nações Unidas condenaram o bloqueio em outubro passado.

    Pense o mundo o que pensar, as ações americanas são legítimas porque assim dizemos que são. O princípio foi enunciado pelo eminente estadista Dean Acheson, em 1962, quando instruiu a Sociedade Americana de Direito Internacional de que não há impedimento legal quando a América responde a um desafio ao seu “poder, posição e prestígio”.

    Cuba cometeu um crime quando respondeu a uma invasão dos EUA e, em seguida, teve a audácia de sobreviver a um ataque orquestrado para trazer “os terrores da Terra” para a ilha, nas palavras de Arthur Schlesinger, assessor de Kennedy e historiador.

    Quando os Estados Unidos conquistaram a sua independência, procuraram juntar-se à comunidade internacional de seu tempo. Assim, a Declaração de Independência começa expressando preocupação em relação ao “respeito decente pelas opiniões da humanidade”.

    Um elemento crucial foi a evolução de uma confederação desordenada para uma “nação unificada, digna de celebrar tratados”, de acordo com a frase da historiadora diplomática Eliga H. Gould, que assistiu às convenções da ordem europeia. Para obter esse status, a nova nação também ganhou o direito de agir como quisesse na esfera doméstica. Assim, poderia agir para se livrar de sua população indígena e expandir a escravidão, instituição tão “odiosa” que não poderia ser tolerad na Inglaterra, como decretou o ilustre jurista William Murray em 1772. A avançada lei inglesa foi um fator que levou o país a sair do alcance da sociedade escravocrata.

    Ser uma nação digna de ratificar tratados conferia, portanto, muitas vantagens: o reconhecimento externo e a liberdade para agir sem interferência no seu território. E o poder hegemônico traz outra oportunidade, a de se tornar um Estado pária, que desafia livremente o direito internacional enquanto enfrenta crescente resistência no exterior e contribui para a sua própria decadência, com as feridas que inflige a si mesmo.

    Noam Chomsky é professor emérito do Instituto e professor de Lingüística e Filosofia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e autor de dezenas de livros sobre a política externa dos EUA. Ele escreve uma coluna mensal para The New York Times News Service / Syndicate.

    Fontes: In These Times / Brasil de Fato

  2. Resumindo: Cuba é quintal dos

    Resumindo: Cuba é quintal dos USA. Ucrania é quintal da Russia. Nenhum vai permitir interferencia pesada nesses lugares. Os USA não permitiram em Cuba, a Russia não permitirá na Ucrania. O que a Russia fará, ninguem sabe. Mas o certo é que desde há muito a Russia vem arreglando para os USA. Quem viver saberá o desfecho.

    • Como assim não permitirá?

      Quem controla 90% do território ucraniano?

      Tirando o poderio militar e o vasto território, a Rússia é basicamente o dobro do Irã. Só vai ser mais um pais ‘demonizado’. No máximo com uma ou duas províncias a mais, mas demonizado. 

      E tirando o gás exportado para a Europa é uma economia fechada como o Brasil, não é muito importante para comércio externo. Importa mais ou menos o mesmo que o México.

      Não há razões para o Ocidente temer a Rússia, quem paga a conta nessa estória são primeiro os ucranianos do leste, depois os russos em geral.

      Isso já foi visto tantas vezes…

      • Tirando o poderio militar e o

        Tirando o poderio militar e o vasto território

        E as riquezas minerais, a tecnologia , inclusive aeroespacial da qual ate os EUA são dependentes ( quem envia os astronauta / cosmonautas para a ISS?), a população de 143,5 milhões e a lista contina….

        Poupe-nos Gunter.

      • A proporção comércio

        A proporção comércio internacional/PIB dos EUA é menor do que o do Brasil, portanto, segundo Gunter, o prof. Hariovaldo do blog, os EUA são um país isolado.

        Agora o professor Hariovaldo diz que os neonazistas do Svodoba controlam 90% do território ucraniano, dado inacreditável até para o neonazista mais otimista.

        Num exercício surpreendente de falta de noção, o prof. Hariovaldo compara a Rússia – membro do Conselho de Segurança, maior potência nuclear do planeta, país com maior território do mundo, que se estende da Europa ao extremo asiático, e gigante energético – ao México, país que não pode nem ser comparado ao Brasil.

        Enfim, esses são os animadores de auditório do Nassif, provavelmente esse comentário será censurado(mais um).

      • Quer dizer que as sanções não

        Quer dizer que as sanções não farão nem cosquinha no urso?

         

        O país ja não é demonizado? Tem mais? Lembre-se que a religião não pode ser utilizada NESTE caso.

      • “E tirando o gás exportado para a Europa… “

        Para cada um Euro faturado com a venda de gás, a Rússia fatura outros quatro com venda de petróleo e derivados. Se a Europa importa “apenas” trinta cento do seu consumo de gás da Rússia, na conta petróleo a dependência é em cerca da metade do consumo. São contas atuais, sujeitas a mudanças futuras, a favor da dependência da Rússia, pois a produção européia de gás e petróleo está em decadência.

        Não há realmente por que temer a Rússia, a russofobia é ineficaz, insensata, inútil mesmo.

  3. Só tem um problema

    A eventual anexação de partes da Ucrânia Oriental pela Rússia dá justamente a desculpa que faltava para a Ucrânia Ocidental participar da OTAN.

    E fará Bielorússia e Cazaquistão pensarem a respeito.

    Até janeiro passado a Ucrânia fazia parte da zona de influência mais direta russa. Não é mais assim.

    Logo, Crimeia (e eventualmente Donetsk e Luhansk) é um “gambito”.

    Teria sido melhor para os EUA controlar a Crimeia? Sem dúvida.

    Mas a situação atual não lhes é em nada inferior que a vigente até janeiro.

    O dia-a-dia na Rússia não melhorará para o russo médio com toda essa fanfarronice.

    E o resto é propaganda.

    • A situação de janeiro é

      A situação de janeiro é aquela do golpe de Estado dos nazistões do Svoboda, patrocinados pelos bilhões de dólares enviados pelos EUA?

      É, sem dúvida os EUA poderiam controlar a Criméia se quisessem, quem é a Rússia para se opôr?Apenas uma potência militar, que teve uma escaramuça recente com um destroyer norte-americano no mar Negro, prova de como os EUA podem enfrentá-los facilmente.

      NATO Allies “Unreassured” As US Destroyer Departs Black Sea

       Submitted by Tyler Durden on 04/25/2014 08:39 -0400

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      Just 2 weeks ago, the USS Donald Cook entered The Black Sea on a mission to “reassure NATO allies and Black Sea partners.” So, one wonders what it is to be made of the fact that, as ITAR-TASS reports, the US warship USS Donald Cook with the Aegis missile defense system onboard has left the Black Sea, according to a Russian Defense Ministry source. This leaves only the USS Taylor on its mission of “peace and stability”… should NATO allies be un-reassured?

      http://www.zerohedge.com/news/2014-04-25/nato-allies-unreassured-us-destroyer-departs-black-sea

       

    • Que desculpa Gunter? Como se

      Que desculpa Gunter? Como se a OTAN necessitasse de desculpas para agir! Os crimes de estado são cometidos um após o outro e a mídia internacional nos enche de justificativas…

      Você está apaixonado pela causa e não consegue julgar com racionalidade.

    • Chomsky é um propagandista russo??!!

      Acho que sua última frase demonstra que comentou sem ler o texto. Vejo você como pessoa preocupada, com  o russo médio e o seu dia-a-dia na Rússia; parabéns ao seu internacionalismo, mas, que tal estendê-lo aos americanos médios e seu cotidiano no EUA? Faça a mesma pergunta, o que ganha o americano médio com o expansionismo da OTAN, o lançamento da Guerra Fria 2.0, o cerco da Rússia e a construção de infinitas bases militares mundo afora?

      Aliás, o que ganha a humanidade com uma nova Guerra Fria? Será que o cidadão médio ao redor do mundo fica contente, com gastos absurdos em armas, com a aceleração da corrida armamentista que virá a afetar a todos, e a fanfarronear novas bases do EUA/OTAN nos confins da Ásia Central, para cercar a Rússia, enquanto ele padece na sua cidade de desemprego ou subemprego, serviços públicos decadentes e infraestruturas urbanas deterioradas? Carta aos moradores de Detroit… ou de Madrid, Nova York, Paris, São Paulo, Pequim, Mumbai e, por que não, Moscou.

      Será que a russofobia agora destilada na propaganda da mídia ocidental, ela é compartilhada pela maioria das pessoas desse mundo? Na Guerra Fria havia o fantasma do comunismo, para assustar alguns setores e angariar apoios sociais no interior de muitas nações. Qual será agora o novo fantasma ideológico a ser esgrimido, que setores ficariam assustados com ele e quem é que acredita, na possibilidade de uma “revolução putinista” acontecer em seu país? Não há um único partido “putinista” fora de lá, então, quem teria medo da Rússia?

      • Gunter é um paranóico sem

        Gunter é um paranóico sem noção, acusa todos de serem propagandistas russos, pagos pelo Putin.

    • Mais uma peça de propaganda

      Mais uma peça de propaganda russa, paga pelo Putin. Gunter já explicou que o governo neonazista do Svoboda controla mais de 90% do território, mas Putin insiste em plantar suas peças de propaganda na imprenbsa vendida.

      Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Kiev admite perda de controle sobre Ucrânia Oriental 

      Internacional

      Europa

      Kiev admite perda de controle sobre Ucrânia Oriental

      Com um total de 12 cidades tomadas pelos separatistas, “operação antiterror” de Kiev parece ter fracassado. Em Slaviansk, militantes cedem nas exigências para a libertação dos funcionários da OSCEpor Deutsche Welle — publicado 01/05/2014 14:53 

       

  4. Parabéns pelo esforço em

    Parabéns pelo esforço em trazer o artigo para leitura, mas, convenhamos: que tradução horrível essa! Iraque na Indo-China? Presidente americano Willams Clinton? Diaboéisso?

    Sinceramente: ao final fiquei sem saber se o Chomsky apoia os russos ou os americanos.

  5. A Federação Russa é a Ucrânia

    A Federação Russa é a Ucrânia da China. O maior desafiante à hegemonia global estadunidense não é Moscou, mas Pequim, que nesse ano já se tornará a primeira economia mundial.

    Embora chineses e russos sejam potenciais antagonistas na Eurásia, quando a matéria é se juntarem para se contrapor a Washington, os dois caminham em grande sintonia.

    Se seguirmos o roteiro traçado por Zbigniew Bzerzinski, em “The Grand Chessboard”, livro que se tornou referência para os falcões americanos, o objetivo não é só cercar a Rússia de mísseis da OTAN, mas incorporar a própria na Aliança, desmembrar a Federação em inúmeros territórios e, por fim, instalar um títere Pró-Ocidente no Kremlin.

    Da mesma forma que conquistar Kiev significa encurralar Moscou, conquistar Moscou significar encurralar Pequim.

    Fazer propaganda sobre monges tibetanos, dar guarida para dissidentes chineses e também de separatistas de Xin Jiang, na essência não difere muito de criticar Putin como líder autoritário arcaico, traçando a necessidade de “modernizar” e “ocidentalizar” a Rússia.

    Bzerzinski estatuiu que quem controla o continente Eurasiano tem condições de dar o cheque-mate, e por isso esse jogo de gato-e-rato na Ucrânia é só o começo para Washington.

    Engraçado é essa demonização de Putin, fechando os olhos para a hipocrisia do “Ocidente”. Quem pode levar o mundo novamente a uma guerra não é o líder russo, mas os grandes “defensores da liberdade”.

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