8 de julho de 2026

O mundo se assusta com o massacre em Jacarezinho

Os principais jornais internacionais deram a manchete da morte de 25 pessoas pela operação policial no Rio de Janeiro. "Banho de sangue", "cadáveres ensanguetados", "extermínio", "belicosa", "excessos", relataram.

Jornal GGN – O massacre da Operação em Jacarezinho repercutiu pelo mundo. Os principais jornais internacionais deram a manchete da morte de 25 pessoas pela operação policial no Rio de Janeiro. “Banho de sangue”, “cadáveres ensanguetados”, “extermínio”, “belicosa”, “excessos”, relataram.

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“Pelo menos 25 mortos na operação policial mais letal da cidade na favela”, noticiou o The Guardian, que informou: “Fotos e vídeos feitos pelos moradores e compartilhados com o Guardian mostram cadáveres ensanguentados espalhados nas estreitas vielas da favela e ao lado do rio poluído que dá nome ao Jacarezinho. O corpo sem vida de um jovem estava apoiado em uma cadeira de jardim de plástico roxo, com um dedo colocado dentro da boca.”

O titular britânico trouxe a contradição de, um lado, o programa governista Balanço Geral, da Record, comemorar a operação – “Seria ótimo se a polícia pudesse lançar duas operações como esta todos os dias para libertar o Rio de Janeiro dos traficantes, ou pelo menos reduzir seu poder” – e, de outro, o caráter “sanguinário” e “extermínio” criticado por instituições de direitos humanos.

Os jornais norte-americanos também enfatizaram a violência desmedida. O tradicional The New York Times trouxe na linha-fina que “policiais e ativistas de direitos humanos consideraram a operação de quinta-feira em um distrito controlado por traficantes de drogas a mais letal da história da cidade”. E destacou a impunidade para a violenta polícia brasileira: “As operações policiais no Rio de Janeiro estão entre as mais letais do mundo: em 2019, pelo menos 1.810 pessoas foram mortas pela polícia no estado do Rio de Janeiro, um recorde. Os policiais raramente estão sujeitos a investigação criminal ou processo.”

O The Washing Post chamou de “belicosa” a operação policial que “chocou o Brasil” nesta quinta-feira (06), no qual “polícia e pesquisadores estão chamando de um dos tiroteios policiais mais mortíferos da história desta metrópole à beira-mar notoriamente violenta”.

“Mesmo em uma cidade há muito acostumada à violência policial extraordinária, onde as autoridades freqüentemente realizam operações bélicas dentro de bairros sob o controle de organizações criminosas, o número de mortos foi chocante, mostrando o controle duradouro da violência no maior país da América Latina”, apontou o jornal americano.

E, em seguida, uma clara crítica da responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro: As operações violentas foram incentivadas por um grupo de líderes políticos que venceram as eleições recentes com a mensagem de que as táticas de guerra são necessárias para conter o crime e recuperar o controle dos territórios perdidos para as gangues. ‘Um policial que não mata não é um policial’, disse, certa vez, o presidente Jair Bolsonaro.”

Na França, o Le Monde Diplomatique ressaltou que a Operação ocorreu em desobediência à decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringiu ações policiais em favelas durante a pandemia de Covid-19. “A operação ocorreu apesar de uma decisão da Suprema Corte proibindo a polícia de realizar operações em favelas empobrecidas do Brasil durante a pandemia de Covid-19, exceto em ‘circunstâncias absolutamente excepcionais’.”

Para a Espanha e América Latina, o El País também destacou as tentativas dos policiais de interferir nas investigações sobre os abusos da violência das forças de Segurança do Rio: “Em uma das imagens recebidas pelo EL PAÍS, três agentes carregam um corpo envolto em um lençol branco, o que dificulta qualquer trabalho forense. Este jornal contatou a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio, encarregados de investigar possíveis abusos cometidos por policiais, mas até o momento não obteve resposta.”

E nomeia o governador Cláudio Castro como o autor de uma “política de segurança” com “excessos”. “A ação policial desta quinta-feira mostra que, mesmo durante a pandemia do coronavírus, a política de segurança pública do governador Cláudio Castro (PSC) no no Estado do Rio continua a ser pautada pelo enfrentamento direto aos traficantes de drogas nas favelas e bairros periféricos, ignorando um decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal proibiu esse tipo de operação policial durante a crise de saúde, exceto em ‘hipóteses absolutamente excepcionais’ e desde que devidamente justificadas perante o Ministério Público do Rio.”

Agências internacionais, que dissipam as informações para jornais de todo o mundo, também destacaram a truculência. “Uma mulher disse à Associated Press que viu a polícia matar um homem gravemente ferido que ela descreveu como indefeso e desarmado, que encontraram depois que ele fugiu para sua casa”, informou AP.

A agência Associated Press também relatou a repercussão logo após a violenta Operação: “um grupo de cerca de 50 moradores de Jacarezinho ocupou uma rua estreita na tarde de quinta-feira para acompanhar membros da comissão de direitos humanos da legislatura estadual durante uma inspeção. Eles gritaram ‘justiça’ enquanto batiam palmas e alguns ergueram os punhos direitos no ar.”

A Reuters, por sua vez, falou em “banho de sangue”: “O banho de sangue gerou críticas de grupos de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, que criticou a polícia pela perda “repreensível e injustificável” de vidas em um bairro povoado principalmente por negros e pobres.”

“Foi a operação policial mais mortal em 16 anos para o estado do Rio, que há décadas sofre com a violência relacionada às drogas em suas inúmeras favelas”, indicou.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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