5 de junho de 2026

Omer Bartov, historiador israelense, reconhece genocídio em Gaza

"A tonelagem de bombas lançadas em Gaza é maior do que a lançada sobre cidades alemãs durante a Segunda Guerra Mundial”, compara especialista em genocídio
Foto: Wikipedia

O historiador Omer Bartov, professor da Universidade Brown e um dos maiores especialistas em genocídios no mundo, afirmou que as ações de Israel em Gaza configuram um genocídio, caracterizado como “uma tentativa de destruir um grupo como tal”.

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“A única comparação possível é com a Nakba, em 1948, quando 750 mil palestinos foram expulsos e milhares morreram. Mas os números não eram tão altos quanto são agora. A tonelagem de bombas lançadas em Gaza é maior do que a lançada sobre cidades alemãs durante a Segunda Guerra Mundial”, afirmou, em entrevista à BBC News Mundo.

Vale lembrar que Bartov, no início, não classificava os ataques de Israel como genocidas. Hoje, porém, explica que há um consenso entre estudiosos sobre essa definição, e que a destruição causada pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) ocorre em escala inédita.

Há guerra em Gaza apenas para Israel

Na entrevista, o historiador que é cidadão israelense e americano e foi soldado do Exército israelense nos anos 1970, também rebate a narrativa de que Israel apenas “combate” o Hamas. Para ele, não há mais guerra em Gaza. “A guerra terminou no mais tardar em junho de 2024. Desde então, o Hamas não travou nada parecido com uma guerra contra as FDI”.

Para o historiador, o impacto do trauma do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 “cegou a sociedade israelense e parte do mundo para o que estava acontecendo em Gaza nos primeiros meses da ofensiva”.

Ainda, Bartov apontou que Israel age com impunidade em parte por seu forte vínculo com os países ocidentais, especialmente Estados Unidos e Europa — esta última sendo seu maior parceiro comercial.

Segundo o historiador, Israel faz questão de manter viva na memória europeia a culpa pelo Holocausto, o que ajuda a garantir apoio mesmo diante das atrocidades cometidas em Gaza. Bartov alerta, porém, que essa situação está mudando, e que Israel pagará um preço alto a longo prazo pelas mais de 50 mil mortes provocadas.

“Eu disse recentemente que o crédito que Israel está usando, o crédito do Holocausto, está se esgotando. Que não será mais possível usá-lo como desculpa não só para o que está acontecendo em Gaza, mas também para a ocupação e a opressão de milhões de pessoas durante décadas”.

Amorim: conflito Israel-Irã desvia foco de Gaza

Em paralelo, o assessor especial da Presidência da República Celso Amorim afirmou que a escalada do conflito entre Israel e Irã só contribui para desviar o foco de um possível acordo de paz em Gaza.

“Uma vítima colateral desses ataques é tirar o foco de Gaza. Uma reunião que estava prevista para ocorrer na ONU com vistas ao reconhecimento pleno do Estado da Palestina foi adiada. Além das mortes, esses ‘efeitos colaterais’ são altamente prejudiciais à paz na região”, afirmou Amorim à CNN.

Amorim refere-se à Conferência Internacional para a Solução Pacífica da Questão da Palestina, organizada por França e Arábia Saudita, que ocorreria entre 17 e 20 de junho, mas o evento foi adiado devido à escalada do conflito entre Israel e Irã. O Brasil poderia co-presidir um dos grupos de trabalho.

Segundo Celso Amorim, a posição brasileira segue sendo de condenação aos ataques israelenses ao Irã, já expressa em nota oficial do Itamaraty.

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