10 de junho de 2026

Cessar-fogo afasta fome extrema em Gaza, mas 75% da população segue em insegurança alimentar

Relatório da ONU indica melhora no acesso a alimentos, mas mais de três quartos da população ainda enfrentam fome aguda e desnutrição.
Foto: UNICEF/Mohammed Nateel

Segurança alimentar em Gaza melhorou após cessar-fogo de outubro, mas 77% da população enfrenta fome aguda e desnutrição.
ONU alerta que 1,6 milhão em Gaza vivem insegurança alimentar extrema; 571 mil em emergência e 1.900 em catástrofe até abril/2026.
Crianças e mulheres grávidas são as mais afetadas; ajuda atual cobre só necessidades mínimas, enquanto infraestrutura segue danificada.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A segurança alimentar na Faixa de Gaza apresentou leve melhora desde o cessar-fogo declarado em outubro – embora o risco imediato de fome generalizada esteja temporariamente afastado, mais de três quartos da população palestina enfrenta fome aguda e desnutrição, segundo uma nova análise apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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De acordo com o mais recente relatório da Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC) — sistema global de monitoramento da fome e da desnutrição — nenhuma área de Gaza está atualmente classificada em situação de fome (Fase 5) graças ao aumento do acesso humanitário e comercial após o cessar-fogo iniciado em 10 de outubro.

Entretanto, quase todo o território de Gaza permanece em situação de emergência (Fase 4), com centenas de milhares de pessoas registrando taxas muito elevadas de desnutrição aguda.

Entre meados de outubro e o fim de novembro, cerca de 1,6 milhão de pessoas — aproximadamente 77% da população analisada — enfrentaram fome em nível de crise (Fase 3) ou pior.

Desse total, mais de 500 mil estavam em situação de emergência e mais de 100 mil em condição de catástrofe alimentar, segundo o relatório.

Avanços são “perigosamente frágeis”, alerta Guterres

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu avanços, mas alertou que os ganhos são “frágeis — perigosamente frágeis”.

“A fome foi temporariamente afastada. Muito mais pessoas conseguem acessar os alimentos de que precisam para sobreviver”, afirmou em entrevista na sede da ONU, em Nova York.

Ainda assim, Guterres destacou que 1,6 milhão de pessoas em Gaza — mais de 75% da população — devem enfrentar níveis extremos de insegurança alimentar aguda e riscos críticos de desnutrição nos próximos meses.

A projeção da IPC indica que, até meados de abril de 2026, cerca de 571 mil pessoas continuarão em situação de emergência, enquanto aproximadamente 1.900 pessoas devem permanecer em nível de catástrofe alimentar. Em um cenário de piora, com retomada dos combates ou interrupção do fluxo de ajuda humanitária e comercial, toda a Faixa de Gaza pode voltar a enfrentar fome generalizada.

Crianças e mulheres estão entre os mais afetados

A ONU estima que quase 101 mil crianças entre seis meses e cinco anos devem sofrer desnutrição aguda até meados de outubro de 2026, incluindo mais de 31 mil casos graves. Além disso, cerca de 37 mil mulheres grávidas e em fase de amamentação também devem precisar de tratamento nutricional.

Embora a ajuda alimentar tenha aumentado, o relatório ressalta que a assistência atual cobre apenas as necessidades mínimas de sobrevivência. Serviços de saúde, sistemas de água e saneamento, moradia e meios de subsistência seguem severamente danificados, deixando as famílias ainda mais vulneráveis — especialmente durante o inverno.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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