5 de junho de 2026

Os países que podem ser afetados pelo aperto de liquidez dos bancos centrais

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Do Valor

 
Por James Kynge | Financial Times
 
LONDRES  –  A lista de países que podem ser afetados pelo aperto de liquidez feito pelos bancos centrais é mais longa do que aquela apelidada de “Fragile Five” (Os Cinco Frágeis).
 
A grande preocupação para os investidores, como destacou o Banco Mundial, é de uma interrupção abrupta do financiamento internacional para as dívidas soberanas e corporativas de países vulneráveis​​. Em um “cenário de ajuste desordenado”, os fluxos financeiros para os países em desenvolvimento poderiam diminuir em até 80% durante vários meses, advertiu o Banco Mundial.
 
Quando avaliados pela percepção de sua capacidade para pagar empréstimos estrangeiros de curto prazo, os países particularmente expostos ao enxugamento de liquidez global são Brasil, África do Sul, Turquia, Índia, Indonésia, Hungria, Chile e Polônia, segundo os dados processados ​​pelo Financial Times e pela gestora de recursos Schroders.

 
Isso expande o grupo “Fragile Five” (Brasil, África do Sul, Turquia, Índia e Indonésia), uma alcunha muito usada nos últimos seis meses para incorporar países que têm sua vulnerabilidade ligada à situação das contas externas e dos déficits fiscais. A lista expandida derivado mais dos temores sobre a dívida de curto prazo.
 
Craig Botham, economista de mercados emergentes da Schroders, diz que esses rótulos cativantes podem distrair os investidores de riscos mais amplos. O foco do mercado está se deslocando para os países mais dependentes de financiamento externo, particularmente aqueles com altas exigências de refinanciamento de curto prazo, disse ele.
 
“Esse foco é sustentado pelo temor de uma ‘parada súbita’, em que os fluxos de capital parem ou mesmo se invertam. Se isso acontecer, o impacto sobre empresas endividadas pode ser devastador, com repercussões para os bancos.”
 
Uma métrica para avaliar a vulnerabilidade compara o tamanho das reservas internacionais do país à soma da dívida externa de curto prazo e seu déficit em conta corrente  – a Necessidade Bruta de Financiamento Externo (GEFR, na sigla em inglês). Esse indicador mostra que, no segundo semestre do ano passado, Turquia, África do Sul, Chile, Índia e Indonésia tinham reservas suficientes para cobrir cerca de um ano de seus GEFRs, de acordo com a pesquisa da Schroders. Hungria, Brasil e Polônia têm reservas para cobrir cerca de dois anos.
 
Ucrânia, Venezuela e Argentina, que as agências de classificação de risco colocam entre os países menos merecedores de crédito, também são vistos como expostos. Mas os seus pontos fracos são essencialmente relacionados às incertezas internas, em vez dos efeitos da redução gradual da liquidez global.
 
O Banco Mundial identificou como cenário mais provável um ajuste suave nas políticas monetárias, levando a uma redução modesta no fluxo de capitais. Mas a instituição prevê um aumento de até 2 pontos percentuais nas taxas de juros de longo prazo nas maiores economias do mundo.

Redação

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10 Comentários
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  1. Obelix

    17 de janeiro de 2014 6:02 pm

    Mãos ao alto.

    Prezados e prezadas,

    Todas as vezes que as “consultorias” ou o FT (a “bíblia”, segundo os “entendedores”) saca seu arsenal de previsões é bom não reagir e levantar os braços para cima: é sim um assalto.

    Quem, além dos que lucram com as previsões que buscam sua autorrealização para atender os interessses que quem as financiam, levam a sério estas baboseiras.

    Como disse Gonazaga Belluzo, boa parte deste pessoal já deveria estar preso há anos.

    Deus salve a Islândia.

    Cordiais saudações a todos.

     

    1. Teo Ponciano

      17 de janeiro de 2014 6:15 pm

      Mandou bem Obelix.

      Mandou bem Obelix.

    2. Flics

      17 de janeiro de 2014 9:33 pm

      Quem?…

      … bueno, parece que Dona Dilma e seu banco central acreditam sim…. e toma juros no lombo, digo, no bolso dos rentistas.

      1. Obelix

        18 de janeiro de 2014 12:09 am

        Prezado,
        Você tem razão. A

        Prezado,

        Você tem razão. A subida dos juros é um sinal grave de que estas máquinas de mentiras funcionam, e são capazes de influenciar a realidade a qual dizem analisar ou “prever”.

        Aliás, não é à toa que este sistema movimenta oceanos de dinheiro.

        Mas uma coisa é um governo encurralado pela chantagem rentista, outra é repercutir e dar vazão a estas extorsões em um blog sério como este.

        Fica a impressão de que se um blog conceituadíssimo como este não resiste a “pressão”, e veicula estes tratados de quiromancia, o que esperar do governo?

        Saudações.

  2. Durvalino

    17 de janeiro de 2014 6:06 pm

    ….  confesso q nao costumo

    ….  confesso q nao costumo dar atençao aos abutres  rentistas divulgadores do caos.

    se estamos a caminho da banca rota eh provavel q esse senhores desconheçam nossas reservas infelizmente de dorares – 370 bilhoes. poderiam ser de yuan e estariamos mais proximos dos povos mais serios.

    o Brasil dando 10,5% de juros ao ano ainda eh pouco  para os abutres rentistas.  vamos fazer coisa mais util ?!?

  3. Ronaldo

    17 de janeiro de 2014 6:26 pm

    IMPRESSIONANTE

    O texto passa o tempo inteiro aterrorizando o mundo.

    Amplia a lista dos “frágeis”, pinta cenário de catástrofe até o penúltimo parágrafo com todas as cores berrantes disponíveis no espectro..

    Aí, belo e lampeiro traz a única NOTÌCIA de verdade: o Banco Mundial (única AUTORIDADE citada) não imagina um cenário desses, imaginando resultados muito mais suaves e, portanto, suportáveis.

    E depois a gente fala da nossa imprensa….

  4. Mário Mendonça

    17 de janeiro de 2014 6:28 pm

    Nassif
    O FT e as agências de

    Nassif

    O FT e as agências de risco não merecem credibilidade…..

    Mais um pasquim que já deveria estar fechado…..

  5. Dudu Cartucho

    17 de janeiro de 2014 7:58 pm

    E tem gente que acredita

    E tem gente que acredita nisso!

    Os salafrários estão desde 2003 fazendo previsão catastrófica sobre o Brasil.

    Os países elogiados por eles é que faliram: Grécia, Portugal, Irlanda.

    Quando eles falarem bem de nós, aí sim, é motivo de preocupação.

  6. Miguel A. E. Corgosinho

    17 de janeiro de 2014 9:14 pm

    Parece que contra essa

    Parece que contra essa declaração do Banco Mundial os bancos não tem nada a objetar, como cultores que se colocam com a aspiração de criar novos valores para si a partir de todo investimento do desenvolvimento.

    Acontece que os bancos estão em todos os níveis que conduzem afinidades estruturais – algo que os justificam de algum modo – com os fatores das condições de domínio conversível, seja ele externo ou em moeda local.

    Logo, a principal posição controversa a essa declaração, é querer desorganizar os títulos públicos sob a paralização desses governos. De modo que sem a garantia do Estado os bancos não chegam a este princípio para reivindicar a existência paralela do dinheiro virtual – no ambito de todos os domínios.

    O que pretendem nesta hipotese: o investimento não se desenvolveria com esta visão em comum; ou a intenção maior é substituir fundamentos por aumento de juros?  

  7. Roberto São Paulo-SP 2014

    17 de janeiro de 2014 11:58 pm

    A dívida externa de curto prazo do setor privado

    No Brasil a  dívida externa representa apenas 8% das Reservas Cambiais, ou 9% considerando  as amortizações da dívida de longo prazo que vencem nos próximos 12 meses.

    Além cerca de 30% da dívida externa de curto prazo é do setor público, que teoricamente pode recorrer mais rapidamente das Reservas Cambiais, ou seja a dívida externa de curto prazo do setor privado representa menos de 5% das Reservas Cambiais.

    Caso ocorra alguma dificuldade no financiamento externo o BC deve disponibilizar parte das Reservas Cambias, como já foi feito no passado em momentos de aperto da liquidez internacional.

    anexo dados do BC do setor externo

    Banco Central do Brasil—NOTA PARA A IMPRENSA – 18.12.2013—Setor Externo   
     

    III – Dívida externa

    A posição da dívida externa total estimada para novembro totalizou US$311,9 bilhões, elevação de US$4,2 bilhões em relação ao estoque apurado para setembro de 2013. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$278,3 bilhões, aumento de US$4,2 bilhões, enquanto o estoque de curto prazo manteve-se estável, em US$33,5 bilhões.

    A variação da dívida externa de longo prazo no período decorreu de captações líquidas de empréstimos tomados pelo setor não financeiro e por bancos, US$2,1 bilhões e US$983 milhões, respectivamente; e de títulos pelo governo, US$1,6 bilhão. A variação por paridades diminuiu o estoque em US$676 milhões.

    planilha quadro 59

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