Volodimir Zelenski, presidente na Ucrânia, admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de ceder territórios na negociação pelo cessar-fogo na guerra contra a Rússia.
A declaração foi feita neste domingo (17), em encontro com Úrsula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Ambos os líderes se reuniram para mobilizar aliados europeus após encontro do presidente russo, Vladimir Putin, como Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na última sexta-feira (17).
“Precisamos de negociações reais, o que significa que podemos começar por onde está a linha de frente agora”, declarou o presidente ucraniano.
A visita de Zelenski à sede da União Europeia ocorre em meio a um cenário cada vez mais desfavorável para a Ucrânia no plano diplomático. Isolado de uma cúpula entre Donald Trump e Vladimir Putin realizada na sexta-feira (15), o presidente ucraniano busca manter o apoio europeu.
Zelenski, Von der Leyen e líderes europeus viajam nesta segunda-feira (18) a Washington, onde se encontrarão com Trump. A agenda ganhou urgência após o encontro no Alasca entre o ex-presidente republicano e o líder russo, que terminou sem avanços concretos em direção a um cessar-fogo, mas consolidou um discurso convergente com os interesses do Kremlin.
Paz permanente
Ao invés de propor um cessar-fogo como condição para evitar sanções à Rússia, como prometido anteriormente, Trump defendeu uma “paz permanente”, o que, nos termos colocados, implica em aceitar rearranjos territoriais impostos pela força. A retórica agrada ao Kremlin e reconfigura os termos do debate ocidental sobre o fim da guerra.
Putin controla atualmente mais de 400 km² em Sumi e Kharkiv, além de porções relevantes de Donetsk, Zaporíjia e Kherson — territórios que a Rússia anexou ilegalmente em 2022 e cuja devolução era considerada irrenunciável por Kiev até recentemente.
Segundo analistas, uma proposta de “troca” pode envolver a cessão definitiva de Donetsk à Rússia, em troca da retirada russa de pequenos trechos no norte e leste do país. Lugansk, por sua vez, já se encontra totalmente sob domínio russo.
Europa
Apesar do desconforto com a exclusão da Ucrânia da mesa principal de negociações, as lideranças europeias evitaram confrontos diretos com Trump e adotaram um tom propositivo. Von der Leyen afirmou que garantias de segurança robustas para a Ucrânia são “essenciais” e sinalizou que a UE continuará apoiando a candidatura ucraniana à adesão, embora não tenha mencionado avanços em relação à entrada do país na OTAN.
A presidente da Comissão Europeia também defendeu que as Forças Armadas ucranianas não devem sofrer restrições em um eventual acordo, o que pode ser uma resposta às pressões americanas por desmilitarização parcial de áreas disputadas.
Diante da recusa russa em aceitar a entrada da Ucrânia na aliança atlântica, uma proposta alternativa de “garantias de segurança” nos moldes do Artigo 5 da OTAN foi apresentada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e repercutida por autoridades americanas. A ideia é assegurar proteção ocidental a Kiev sem formalizar sua adesão — uma solução que agrada parcialmente a Moscou e pode destravar impasses diplomáticos.
Steve Witkoff, enviado especial dos EUA, confirmou que Putin aceitou discutir o modelo, desde que fique claro que a Ucrânia não ingressará na OTAN.
Enquanto isso, o Exército russo prossegue com ataques táticos. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou neste domingo ter abatido 300 drones ucranianos e destruído depósitos de mísseis. O Serviço de Segurança Federal (FSB) informou ter frustrado um ataque de drone contra a usina nuclear de Smolensk, um dos alvos mais sensíveis do território russo.
Paralelamente, Putin intensifica o diálogo com aliados regionais. O presidente russo já manteve conversas com o líder de Belarus, Aleksandr Lukashenko, e com o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, em busca de reforçar sua frente diplomática pós-cúpula.
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Rui Ribeiro
17 de agosto de 2025 2:38 pmA Europa não quer o fim da guerra, pois querem continuar vendendo armas, munições e informações para a Ucrânia. Como ela, Europa, está sendo humilhada e desmoralizada pela Rússia, ele deseja um cessar-fogo, para voltar à tona, tomar fôlego e se reorganizar. Putin tá certo em nao aceitar cessar-fogo. CCCP
Paulo Dantas
17 de agosto de 2025 3:29 pmChanceler da Rússia usa um casaco com CCCP, recado dado, Putin quer anexar a Ucránia e o resto e recriar a URSS.
Qualquer acordo terá data de validade como os leites da CCPL.
A Europa sabe que Putin não quer encrenca com ela, ele só não quer bases da OTAN no cangote.
A OTAN sabe que acabou mas ainda não fechou a quitanda.
Como disse o leitor acima muita grana com a venda de armas.
O resto é papo-furado, bullsh1t.
AMBAR
18 de agosto de 2025 3:05 pmTambém me lembrei da CCPL (rsrs).
O recado está dado.
AMBAR
17 de agosto de 2025 3:41 pmO palhaço Zé Lenski se encontra com a Úrsula Vanderléia para cuidarem de assuntos de guerra. Se ambos tivessem juízo eles poderiam se encontrar pra tomar uns drinks, na verdadeira paz há já 3 anos. Zé Lensky nem percebeu que em Donetsk, Kherson, Luhansk , Zaporizhzhia – Dombass, a população se considera, por manifesta vontade, declaradamente russa. Como o baixinho está sempre chapado, acho que nem soube que houve consulta popular a respeito. O que é que custa fazer a vontade do povo? Ele não vai “perder território”, ele vai só parar de brigar por uma coisa que já não era dele. O poder transtorna tanto a mente das pessoas ao ponto de elas nunca conseguirem utitizar o bom senso. O poder e o dinheiro.
Rui Ribeiro
18 de agosto de 2025 7:53 amNão acho que o problema seja o poder, em si. O problema é quem o exerce. Muita gente já exerceu o poder usando o bom senso. Quer um exemplo? Os Camaradas da Comuna de Paris
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
18 de agosto de 2025 7:30 amA Ucrânia já cedeu, ou melhor, a Russia já incorporou a região do Donbass, falta a OTAN/Ucrânia reconhecer que já perdeu a guerra para não perder mais.
Rui Ribeiro
18 de agosto de 2025 7:48 amA Ucrânia tem que ceder territórios à Rússia não por a Rússia ser uma potência, e a Ucrânia, não. A Rússia tem direito a território ucraniano porque a Ucrânia a forçou a promover uma Operação Especial para desnazificar o Batalhão de Azov e para impedir que a Otan a encurralasse, pois a Ucrânia disponibilizou seu território para a Otan instalar mísseis apontados para a Rússia.
Rui Ribeiro
18 de agosto de 2025 7:59 am“Fronteiras não podem ser alteradas à força”, diz presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ora, Dona Ursula, se fronteiras não podem ser alteradas à força, então porque vocês mantêm as fronteiras de Donetsk, de Kherson, de Luhansk e de Zaporizhzhia, alteradas à força, isto é, contra a vontade da população de tais lugares?
Felipe
18 de agosto de 2025 10:13 pmA história da Guerra do Vietnã oferece uma analogia relevante para a situação atual na Ucrânia. O conflito no Vietnã chegou ao fim quando o Congresso dos EUA nao aprovou um pacote de ajuda de US$ 1,5 bilhão para o governo do Vietnã do Sul pedido por Henry Kissinger. Com o financiamento cessado, o governo sul-vietnamita colapsou instantanemente.
Essa dinâmica vai se repetir na guerra da Ucrânia, dependente do fluxo contínuo de recursos. A interrupção do apoio financeiro e militar ocidental vai levar ao colapso do governo ucraniano.
Um possível indicativo dessa tendência é a recente decisão da BlackRock de liquidar os ativos que havia adquirido na Ucrânia. Essa movimentação de uma das maiores gestoras de ativos do mundo pode ser interpretada como um sinal de que a estabilidade econômica e política da Ucrânia é vista como insustentável a longo prazo, sugerindo que o colapso é iminente.
A análise histórica, combinada com a observação das ações de grandes atores financeiros, reforça a ideia de que o apoio financeiro é o fator determinante para a continuidade da guerra. Quando o dinheiro parar de fluir, o conflito chega a um ponto de inflexão decisivo.