Guinada do Parlamento Europeu à extrema direita balança cena internacional

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
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Extrema direita ganhou ao menos 135 assentos no Parlamento Europeu, que precisará desse grupo para negociar pautas importantes. Entenda

Foto: Divulgação

A maior guinada à extrema direita da história do Parlamento Europeu balançou o cenário internacional nestas últimas 24 horas.

Até o momento, a extrema direita, representada por diversos partidos políticos e movimentos de ultraconservadores, principalmente da Alemanha, Holanda, Áustria, Itália e França, conquistaram 135 cadeiras, pelo menos.

A vitória massiva foi da centro-direita, que garantiu de 189 a 191 assentos para o Partido Popular Europeu (PPE), o mesmo da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen.

Von der Leyen não enxergou o avanço da extrema direita como ameaça e comemorou: “continua a ter uma maioria no centro para uma Europa forte. Isso é fundamental para a estabilidade. Em outras palavras, o centro se mantém.”

Já a esquerda, que inclui Socialistas e Democratas, obteve outros cerca de 135 assentos. Na prática, ainda a centro, centro-direita e esquerda serão maioria. Mas a forte presença inédita deste grupo de extremistas abalará os resultados das decisões e até mesmo a tentativa de consensos.

Este grupo poderá definir mudanças em pautas atuais importantes do Parlamento Europeu, como a imigração e a segurança.

Ativistas cantaram ‘Bella ciao’ em frente ao Parlamento Europeu para protestar contra a ascensão da extrema direita – Vídeo: El Diario Espanha

Na Alemanha, foi o partido de origem neonazista AfD (Alternativa para a Alemanha) que obteve o segundo lugar de cadeiras do Parlamento, à frente do Partido Social Democrata do chanceler Olaf Scholz.

O partido da ultraconservadora Giorgia Meloni na Itália, Fratelli D’Italia, também ganhou as eleições.

Na França, o partido da extremista Marine Le Pen, do União Nacional, teve duas vezes mais votos que o partido do presidente Emmanuel Macron.

Os primeiros resultados parciais das eleições levaram o presidente da França, Macron, a dissolver a Assembleia Nacional e convocar novas eleições legislativas, e o primeiro-ministro da Bélgica, Alexander de Croo, renunciou.

A presidente da Comissão disse que lutará para impedir o avanço das pautas da ultradireita: “Ganhamos as eleições europeias. Somos o partido mais forte, somos a âncora da estabilidade. Juntamente com outros, construiremos um bastião contra os extremos da esquerda e da direita. Nós os deteremos”. Ursula von der Leyen busca a reeleição em novo mandato de 5 anos.

5 Comentários

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  1. Embora mais otimista (ou menos pessimista?) em comparação ao crescimento do nazifascismo dos anos 20-30 que, de um tanto desprezados e até ridicularizados pela intelectualidade democrática, foram comendo pelas beiradas e crescendo até uma posição de força sem volta, já que o bom debate e respeito às diferenças é o que menos sabem fazer. Na verdade, nem querem…

  2. Quanto a Macron, a ver ainda qual foi a “esperteza” oculta nessa imediata dissolução da assembléia. Espera-se que Le Pen e seus seguidores não sejam ainda mais espertos…

  3. Se a EU implodir, russos vão rir, americanos vão comemorar e aplaudir e os chineses imediatamente irão sondar cada um dos governos nacionais para fortalecer relações bilaterais. Menos importantes e mais arrogantes, os governos europeus voltarão à brigar entre eles por motivos mesquinhos para desviar a atenção das populações empobrecidas. Impulsionada por algoritimos, a nova extrema direita é vazia e superficial liderada por imbecis e picaretas. Ela será rapidamente domesticada pelos subornos como de costume. A superioridade moral europeus, constructo ideologico cuidadosamente criado, será rapidamente substituído pelo mar de merda. Durante algum tempo o turismo ainda vai gerar renda, mas a longo prazo ele tende a declinar porque a criminalidade de rua vai crescer de maneira consistente junto com o empobrecimento dos países europeus. Mas os juízes brasileiros caipiras e deslumbrados continuarão a viajar para a Europa como se isso fosse chiquérrimo.

  4. Pró ou contra, a propaganda continua sendo a alma do sucesso. Penso que o avançado, agressivo e competente conhecimento que a extrema direita tem sobre as redes sociais, inegavelmente está comprovado com as massivas,volumosas, indecorosas, provocativas e debochadas sequências no uso do jogo sujo, que atacam por todos os lados, sem descanso. O resultado é o crescimento em cascata e/ou em cadeia,bem todos os sentidos. Imagino que pagam muito bem, para obterem programas altamente inteligentes e super algoritmizados, que já devem estar sendo substituídos pela IA.
    Estão tornando os eleitores seus cúmplices, talvez por conta de uma espécie bem sucedida de lavagem cerebral. E, por sua vez, esses eleitores estão estão deixando o mundo muito mais louco e muito mais perigoso, no sentido de permitirem a ascensão ao poder de um exército mundial de ditadores, que irão comandar uma horda insana e fanática de ex-humanos.

  5. O crescimento da extrema direita na europa, representa o aumento dos gases tóxicos produzidos pela decomposição do ocidecadente. Infelizmente, grande parte da população por falta de consciêncai política, se atiram nos braços dos seus inimigos acreditando que eles representam a solução para suas demandas.

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