10 de junho de 2026

Com rede de saneamento destruído, população de Gaza sofre com infestação de ratos

Nos acampamentos improvisados, uma infestação de ratos e parasitas se alastra sem controle, disseminando doenças e destruindo o pouco que restou às famílias
Crédito: Ali Jadallah/ Agência Anadolu

Vestido de noiva de Amani foi destruído por ratos em acampamento de deslocados em Khan Younis, Gaza.
Infestação de ratos ataca famílias, causando ferimentos e propagando doenças em meio a ruínas e tendas.
Entrada de venenos é limitada por Israel; 90 toneladas de materiais de controle foram autorizadas recentemente.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Amani Abu Selmi tinha 20 anos e um casamento marcado para poucos dias quando encontrou o vestido de noiva destruído. Os ratos haviam roído o traje bordô bordado, peça típica dos casamentos palestinos, dentro da tenda desgastada onde ela e sua família estão abrigados em Khan Younis, no sul de Gaza.

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“Todo o meu sentimento de felicidade acabou, virou tristeza, virou dor, porque minhas coisas desapareceram, meu enxoval desapareceu”, disse ela à Reuters.

A história de Amani é uma entre milhares. Nos acampamentos improvisados que abrigam a maioria dos mais de 2 milhões de habitantes deslocados pela guerra entre Israel e Hamas, uma infestação de ratos e parasitas se alastra sem controle, mordendo crianças enquanto dormem, disseminando doenças e destruindo o pouco que restou às famílias.

Ataques noturnos

Khalil Al-Mashharawi, de 26 anos, mora com a família nas ruínas de sua casa no bairro de Tuffah, no norte de Gaza. Há algumas semanas, um rato mordeu a mão e os dedos do pé de seu filho de três anos. Na sexta-feira passada, foi ele próprio a vítima.

Desde então, ele e a esposa dormem em turnos para proteger os filhos. As armadilhas para ratos se mostram em grande parte ineficazes nas estruturas destruídas e nas tendas improvisadas.

“Eles atacam enquanto dormimos. Podem desaparecer por um ou dois dias antes de atacar novamente, abrindo caminho por baixo dos pisos”, descreveu.

Colapso sanitário

As condições que alimentam a infestação são visíveis a olho nu: lixo acumulado, água contaminada e resíduos amontoados ao redor das áreas onde famílias dormem, cozinham e se lavam. A coleta de lixo está praticamente paralisada e os sistemas de esgoto e saneamento foram em grande parte destruídos ao longo da guerra.

A OMS registrou cerca de 17 mil casos de infecções relacionadas a roedores e ectoparasitas em Gaza somente em 2026. Reinhilde Van de Weerdt, representante local da organização, classificou o quadro como “a consequência infeliz, mas previsível, de quando as pessoas vivem em um ambiente de vida colapsado”.

Mohamed Abu Selmia, diretor do hospital Al-Shifa, o maior de Gaza, afirmou que casos relacionados a roedores são registrados diariamente, com crianças, idosos e doentes entre os mais afetados.

Ele alertou ainda para o risco de disseminação de doenças graves, incluindo febre por mordida de rato, leptospirose e peste, e teme que o problema se agrave com a chegada do verão.

Acesso bloqueado

Um dos obstáculos ao controle da infestação é a restrição israelense à entrada de materiais considerados de duplo uso, civil e militar, em Gaza, o que inclui venenos para ratos. O Cogat, órgão militar israelense que controla o acesso ao território, afirmou ter facilitado a entrada de cerca de 90 toneladas de materiais de controle de pragas e mais de mil armadilhas nas últimas semanas, como parte de um esforço com “atores e parceiros internacionais”.

O cessar-fogo firmado em outubro entre Israel e Hamas pouco aliviou a situação humanitária. Desde então, mais de 800 palestinos foram mortos em novos ataques israelenses, que Israel justifica como resposta a ameaças do Hamas, enquanto quatro soldados israelenses morreram no mesmo período. A ONU estima que cerca de 80% dos prédios em Gaza foram destruídos ou danificados desde o início do conflito.

*Com informações da Reuters.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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