Brasil e China apresentam proposta conjunta pelo fim da guerra na Ucrânia

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Declaração ocorreu após reunião entre ministro chinês e Celso Amorim; confronto armado dura mais de dois anos

Chefe da Assessoria-Especial do Presidente da República do Brasil, Celso Amorim, e o inistro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. Foto: Xinhua

A China e o Brasil emitiram um documento conjunto pedindo para que se interrompam os confrontos na Ucrânia, e propõem uma “conferência internacional de paz” para encerrar a guerra que dura mais de dois anos.

A declaração ocorreu após reunião entre o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e Celso Amorim, conselheiro especial do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, realizada nesta quinta-feira em Pequim.

De acordo com o jornal South China Morning Post, esta foi a primeira vez que a China ofereceu tal iniciativa de maneira formal desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022. Nem Ucrânia e nem Kiev responderam à proposta.

Segundo o governo brasileiro, a reunião entre os representantes do Brasil e da China chegou aos seguintes pontos em comum:

1. As duas partes apelam a todos os atores relevantes a observarem três princípios para a desescalada da situação, a saber: não expansão do campo de batalha, não escalada dos combates e não inflamação da situação por qualquer parte.

2. As duas partes acreditam que o diálogo e a negociação são a única solução viável para a crise na Ucrânia. Todos os atores relevantes devem criar condições para a retomada do diálogo direto e promover a desescalada da situação até que se alcance um cessar-fogo abrangente. O Brasil e China apoiam uma conferência internacional de paz realizada em um momento apropriado, que seja reconhecida tanto pela Rússia quanto pela Ucrânia, com participação igualitária de todas as partes relevantes, além de  uma discussão justa de todos os planos de paz.

3. São necessários esforços para aumentar a assistência humanitária em áreas relevantes e prevenir uma crise humanitária de maior escala. Ataques a civis ou instalações civis devem ser evitados, e a população civil, incluindo mulheres, crianças e prisioneiros de guerra, deve ser protegida. As duas partes apoiam a troca de prisioneiros de guerra entre os países envolvidos no conflito.

4. O uso de armas de destruição em massa, em particular armas nucleares, químicas e biológicas, deve ser rejeitado. Todos os esforços possíveis devem ser feitos para prevenir a proliferação nuclear e evitar uma crise nuclear.

5. Ataques contra usinas nucleares ou outras instalações nucleares pacíficas devem ser rejeitados. Todas as partes devem cumprir o direito internacional, incluindo a Convenção de Segurança Nuclear, e prevenir com determinação acidentes nucleares causados pelo homem.

6. A divisão do mundo em grupos políticos ou econômicos isolados deveria ser evitada. As duas partes pedem novos esforços para reforçar a cooperação internacional em energia, moeda, finanças, comércio, segurança alimentar e segurança de infraestrutura crítica, incluindo oleodutos e gasodutos, cabos óticos submarinos, instalações elétricas e de energia, bem como redes de fibra ótica, a fim de proteger a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais.

Em 2023, os dois países já manifestaram suas posições a favor de “cessar-fogo abrangente” – proposta que foi aceita pela Rússia, mas rejeitada pela Ucrânia.

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Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

3 Comentários

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  1. Como já é de conhecimento geral, os EUA é um país beligerante desde o início da sua existência e como principal patrocinador conflito Ucrâniano,Infelizmente não lhe interessa, pelo menos ainda, o seu fim. Afinal de contas, o seu principal negócio é a guerra.

  2. Hoje o comandante geral da OTAN disse que a organização não enviará tropas para socorrer a Ucrânia nem tampouco dará cobertura e proteção aérea para aquele país. É evidente que os psicopatas da OTAN não querem (na verdade eles nunca desejaram) iniciar uma guerra nuclear que devastará a Europa. O que eles fizeram foi sacrificar a Ucrânia no altar do deus dinheiro para obter lucro vendendo armamentos obsoletos a Zelensky. O neoliberalismo não assume compromissos militares reais, nem tampouco demonstra qualquer tipo de humanitarismo em relação às suas vítimas. Em todos os lugares, os monstros neoliberais obtém lucro causando mortes. Os ucranianos que morreram no campo de batalha são apenas gladiadores modernos num espetáculo macabro cuja função principal era prejudicar os interesses da Rússia e entreter europeus e norte-americanos.

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