
Os recentes discursos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostram que um dos objetivos de seu segundo mandato é impedir que o BRICS+ ganhe força e seja capaz de desafiar o sistema de governança global liderado pelos norte-americanos.
Entretanto, suas ações mais recentes podem dar a entender que ele quer ajudar o grupo a atingir seus objetivos globais, a começar pela forma bilateral como Trump se relaciona com os integrantes do bloco.
Em artigo no Project Syndicate, O’Neill lembra as respostas desastrosas dadas pela China por ocasião das tarifas impostas no “Dia da Libertação”: a suspensão das exportações de terras raras e a resposta na mesma moeda derrubou os mercados norte-americanos.
Ao mesmo tempo em que parece disposto a relaxar as sanções ocidentais contra a Rússia, o Brasil é alvo de uma tarifa de 50% para as exportações ao mercado norte-americano – sendo que o país é menos dependente do comércio externo com os EUA como um todo, já que seu comércio é majoritariamente feito com a China.

Porém, O’Neill diz que “alienar o país mais populoso do mundo é arriscado”, e seria mais prudente manter uma parceria próxima com a Índia – que pode mostrar mais inclinação para as investidas chinesas após a visita de Trump a um alto oficial paquistanês.
Na visão do economista, Trump abre a possibilidade de os BRICS+ desenvolver alternativas à ordem liderada pelo Ocidente ao se aproximar de China e Rússia e afastar os outros mercados.
“O que o mundo precisa hoje é de um G20 melhorado, com assentos para as economias e potências emergentes mais importantes. Por acaso, os EUA sediarão o G20 em 2026. É uma oportunidade perfeita para Trump mostrar liderança global. Se ele será capaz disso é outra questão”, afirma o articulista.

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