O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (2), em entrevista por telefone à CNN, que as Forças Armadas norte-americanas estão impondo fortes perdas ao Irã, mas advertiu que uma ofensiva ainda mais intensa está por ocorrer.
Em conversa de cerca de nove minutos com o jornalista Jake Tapper, Trump declarou que os EUA estão “dando uma surra” no adversário e avaliou que a operação militar “está indo muito bem”. Segundo ele, o país dispõe das “melhores forças armadas do mundo” e está empregando todo o seu poderio.
O presidente disse esperar que o conflito não se estenda por muito tempo. “Sempre achei que seriam quatro semanas. E estamos um pouco adiantados em relação ao cronograma”, afirmou. Ainda assim, alertou que a escalada deve se intensificar. “Ainda nem começamos a atacá-los com força. A grande onda ainda nem chegou. A grande onda está chegando em breve”, declarou.
Surpresa com reação regional
Trump afirmou que a “maior surpresa” até o momento foi a ofensiva iraniana contra países árabes da região, como Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos. Segundo ele, os Estados Unidos haviam sinalizado que conduziriam as ações, mas os aliados regionais decidiram reagir.
“Irritou muito essas pessoas”, disse, referindo-se aos ataques iranianos contra alvos civis, como hotéis e prédios residenciais. Para o presidente, os líderes árabes são “fortes e inteligentes”, mas teriam sido forçados a se envolver diretamente após os bombardeios.
Trump voltou a mencionar a ameaça nuclear iraniana como fator central de instabilidade no Oriente Médio, argumentando que a região vive sob essa “nuvem negra” há décadas.
Incógnita sobre liderança iraniana
O presidente também afirmou que não está claro quem lidera o Irã neste momento. Segundo ele, 49 integrantes da cúpula do regime teriam sido mortos nos ataques iniciais dos EUA.
“Não sabemos quem está liderando o país agora. Eles não sabem quem está liderando”, disse. Trump afirmou que os alvos estavam reunidos em um mesmo local e que teriam subestimado a capacidade de monitoramento norte-americana.
Negociações fracassadas
Trump declarou que sua equipe tentou negociar com Teerã, mas não obteve avanços. De acordo com ele, os iranianos recuavam a cada nova proposta e se recusaram a encerrar o enriquecimento de urânio.
O presidente defendeu a via militar como solução para o impasse. “Este é o caminho. Não precisamos nos preocupar com acordos”, afirmou, criticando entendimentos firmados em governos anteriores, como o acordo nuclear negociado na gestão de Barack Obama, que classificou como “um caminho para a bomba”.
Histórico de confrontos
Ao justificar a ofensiva atual, Trump citou operações passadas, como a morte do general iraniano Qasem Soleimani, em janeiro de 2020, que descreveu como um “grande movimento”. Também mencionou a operação “Midnight Hammer”, realizada em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas, que, segundo ele, impediu o avanço do programa atômico.
“Eles estavam a um mês de ter uma arma nuclear”, afirmou.
Trump concluiu reiterando confiança na estratégia adotada. “Está indo bem”, disse, antes de encerrar a entrevista.
*Com informações da CNN.
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Rui Ribeiro
3 de março de 2026 10:44 amElogio da Dialética
(Bertolt Brecht)
A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos
Só a força os garante
Tudo ficará como está
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar
E entre os oprimidos muitos dizem:
“Não se realizará jamais o que queremos!”
O que ainda vive não diga: “Jamais!”
O seguro não é seguro. Como está não ficará
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: “Jamais?”
De quem depende a continuação desse domínio?
De nós.
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o “hoje” nascerá do “jamais”.