O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem adotado uma postura incomum em sua política externa ao intervir abertamente em disputas políticas internas de outros países, promovendo aliados ideológicos e pressionando governos considerados adversários.
Segundo a CNN norte-americana, Trump atua como uma espécie de líder global de um movimento nacionalista, buscando expandir a agenda do “Make America Great Again” (MAGA) para além das fronteiras dos EUA, enquanto outros presidentes evitavam intervir de forma explícita em eleições estrangeiras.
Embora os EUA tenham histórico de interferência externa, Trump leva essa prática a um novo patamar ao torná-la aberta, frequente e personalizada, transformando a política externa em uma extensão direta de seu projeto ideológico global.
Em linhas gerais, Trump busca dar apoio a líderes que compartilham de seu populismo, que o elogiam publicamente ou que enfrentam processos judiciais semelhantes aos seus.
Um exemplo recente ocorreu em Israel, onde Trump declarou que um possível perdão ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, acusado de corrupção, estaria “a caminho”, o que foi visto como um gesto de forte impacto político às vésperas de eleições no país.
Na América Latina, Trump tem usado instrumentos econômicos e diplomáticos para influenciar governos e eleições. O presidente impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em reação ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, pressionou a Venezuela com presença militar sob o argumento de combater o narcotráfico e condicionou um pacote de ajuda financeira à permanência de Javier Milei no poder na Argentina.
A análise destaca ainda ameaças indiretas ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e intervenções em países como Honduras, onde Trump questionou publicamente o processo eleitoral.
Na visão da CNN norte-americana, a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA endossa partidos de extrema direita europeus e afirma que o continente enfrenta um processo de “apagamento civilizacional”. Na África do Sul e na Coreia do Sul, Trump utilizou declarações públicas e postagens em redes sociais para constranger líderes estrangeiros.
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