19 de junho de 2026

“Milagre” e apelo aos moderados: Trump já usa atentado para guinada na campanha

Na contra maré de expectativas, Trump não usará o episódio do ataque para aumentar o embate entre direita e esquerda política
Foto: Reprodução/Redes

“Eu não deveria estar aqui, eu deveria estar morto”, foi uma das primeiras falas de Donald Trump, ex-presidente dos EUA e candidato às eleições, após sofrer ataque a tiros.

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Enquanto analistas discutem os impactos eleitorais do episódio de atentado contra o ex-presidente norte-americano, neste sábado (13), a postura de Trump e de sua equipe de campanha, ainda durante o ataque e imediatamente após, acenou para o benefício eleitoral.

Após o tiro, com a orelha já ensanguentada e os seguranças preocupados ao redor do presidenciável, Trump deu-se o tempo para levantar o braço com punho fechado, rendendo as fotografias que já se tornaram icônicas e material de campanha, para arrecadar fundos e vender camisetas.

E não foi diferente o discurso que fez após deixar o hospital: “O médico do hospital disse que nunca viu algo assim, ele chamou de milagre.” O candidato prosseguiu com os detalhes do que considerou milagre: “Se eu não tivesse apontado para aquele gráfico [estatísticas de imigração, que estava lendo] e virado minha cabeça para a direita para olhar, a bala teria me atingido bem na cabeça.”

E ainda afirmou que, mesmo atingido, iria continuar discursando no comício na Pensilvânia, no sábado: “Eu só queria continuar falando, mas tinha acabado de ser baleado”, continuou.

O médico que o atendeu, Ronny Jackson, que trabalhava para ele na Casa Branca, relatou ao New York Times que encontrou Trump “calmo” e “grato por estar seguro”: “ele não estava nem um pouco perturbado”.

O episódio também já serviu de material para o pós campanha de Trump. Além das gráficas com a fotografia do presidenciável, Trump decidiu não adiar a viagem a Milwaukee, Wisconsin, no dia seguinte ao atentado, domingo (14).

A mudança para a campanha, disse o próprio ex-presidente, virá no discurso que fará no encerramento da Convenção Nacional do Partido Republicano, nesta quinta-feira (18), e que já está pronto.

“Acho que seria muito ruim se eu me levantasse e começasse a enlouquecer sobre o quão horrível todo mundo é, e como corrupto e torto, mesmo que seja verdade. Se isso não tivesse acontecido, teríamos um discurso muito bem definido, extremamente duro”, afirmou ao jornal Washington Examiner, destacando que o atirador suspeito é membro do Partido Republicano, o mesmo que o de Trump.

Na contra maré de expectativas, Trump não usará o episódio do ataque para aumentar o embate entre direita e esquerda política. Com a imagem heróica demarcada após o atentado, ele tentará a adesão da direita moderada e centro para garantir a sua vitória em novembro.

“Eu joguei fora”, disse, sobre o discurso “brutal” que supostamente tinha escrito antes do atentado e que apelaria à divisão. “Agora, temos um discurso mais unificador”, completou.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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3 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    15 de julho de 2024 1:16 pm

    Milagre duvidoso, pois um tiro de fuzil teria arrancado a orelha de Trump. Nem um tiro de calibre 22 faria um ferimento tão inofensivo e superficial. O ferimento que pode ser visto nas fotos só é consistente com um tiro de espingarda de pressão. Se ocorreu, o milagre nesse caso foi a transformação de algo irrelevante num atentado mortal (como o famoso caso da bolinha de papel que poderia ter fraturado o cabeça de José Serra).

  2. José de Almeida Bispo

    15 de julho de 2024 1:31 pm

    Até a Rede Globo, sempre banqueira, digo sempre democrata… no início do JH, há pouco (13:25)… deu um tom francamente trumpista. Será? Rsrsrsrsrs

  3. Douglas Barreto da Mata

    15 de julho de 2024 1:32 pm

    Em outras palavras, quem tem c* tem medo…

    A proximidade com a morte faz dessas coisas.

    Óbvio que o cálculo eleitoral é bem feito, ou seja, usar a “experiência de combate” para se humanizar e trazer para si a aura de heroísmo que nunca lhe coube, ao contrário.

    Antes ele era adorado pela extrema direita, justamente, por ser o anti-herói.

    Agora, sob fogo, ele vira o herói de todos, o sobrevivente.

    Mas o fato é que o medo da morte ajuda a dar contornos de veracidade nesse novo papel.

    Só Michele Obama seria capaz de tirar-lhe a cadeira.

    Mas ganhando zilhões com as suas palestras e as de seu marido dando, produzindo filmes, enfim, aproveitando o que não puderam aproveitar na Casa Branca, é muito pouco provável que ela tope entrar nessa furada, e queimar todo o capital social que acumularam.

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