11 de junho de 2026

O caso Musk x Moraes inaugura uma nova era, por Luís Nassif

Elon Musk utiliza, sem subterfúgios, o X para pregação política da ultradireita, atropelando princípios básicos de controle.

Há muito tempo os estados nacionais – incluindo OCDE e outros organismos – manifestam desconforto com o poder excessivo das redes sociais. E, principalmente, sua transnacionalidade, que as fazem imunes a qualquer controle dos estados nacionais.

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Na França, Emmanuel Macron decretou a prisão do dono do Telegram. Ele já havia afrontado autoridades brasileiras em eleições passadas.

Agora, tem-se uma crise que atinge o X, antigo Twitter, que é a primeira afronta escancarada às leis de um país.

Elon Musk utiliza, sem subterfúgios, o X para pregação política da ultradireita, atropelando princípios básicos de controle. Ao enfrentar as determinações do STF, ele está afrontando o país. Parece que não fica claro ao viralatismo da mídia nacional. Mesmo depois do 8 de janeiro mostrar a importância extrema de se respeitar a última palavra, do STF.

Pegam um jurista aqui, outro ali, e montam manchetes no coletivo: os juristas. Aí vão atrás de Marco Aurélio de Mello, aquele que, quando ainda Ministro do STF, aceitou uma página de O Globo para pressionar o Ministro Celso de Mello no julgamento do mensalão, em um simples caso de embargos infringentes.

Tem-se, então, uma questão que não se pode tergiversar: a determinação para que o X mantenha uma representação no país, para responder legalmente às determinações da justiça brasileira. 

A partir daí, há as consequências a serem trabalhadas, a redução de danos. O X representa o investimento de milhões de seguidores, que montaram sua rede de disseminação das suas notícias, e armazenaram seus conteúdos ao longo de mais de uma década.

Como tratar esse material? Simplesmente o X fecha a operação brasileira e mantém em seus bancos de dados todos os perfis e mensagens dos brasileiros?

A questão essencial é essa. Pode um empresário tresloucado, de repente, afrontar as leis de um país, e trazer prejuízo a milhões de usuários de seus serviços?

Tecnologicamente, há maneiras de impedir esse roubo. Nosso colaborador, que assina JKGH Secure, e é do ramo de tecnologia, demonstrou a maneira fácil de trabalhar a questão do conteúdo. É possível autorizar os DNS’s BR a apontar os domínios do X para portal/serviço controlado por empresa BR (como a Globo) clonando o conteúdo do X com os filtros da lei BR p/ o BR não sofrer com interrupção.

DNS (Domain Name System) é um sistema de nomenclatura hierárquico que traduz nomes de domínio em endereços IP numéricos, que são a linguagem que os computadores utilizam para se comunicar na internet. É como um catálogo telefônico da internet, onde você procura um nome e ele te dá o número (endereço IP) para ligar

O ponto central é outro: como definir a propriedade do conteúdo e os ativos acumulados pelos nacionais (investindo na construção de seus seguidores) em casos dessa natureza?

É um tema que vai ser discutido em todos os fóruns internacionais. E, aí, merecendo um cobertura jornalístico digna do nome.

Aliás, seria bom, de vez em quando, consultar a imprensa séria para entender a lógica de Musk. Segundo The Guardian, na Índia, com um governo de direita, o X bloqueou contas de opositores ao regime,

O que os gênios da viralatice teriam a dizer?

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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9 Comentários
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  1. Jicxjo

    30 de agosto de 2024 9:37 am

    O STF pode nomear um fiel depositário do conteúdo dos usuários brasileiros no X, a ser clonado legalmente por aquele em um servidor no Brasil, com um prazo para desligamento definitivo (6 meses? 1 ano?), até que todos consigam migrar sem danos para outro serviço.

  2. Jotapontomarcelo

    30 de agosto de 2024 9:46 am

    PRA MIM É CASO:JUSTIÇA BRASILEIRA X BILIONARIO MIMADO INESCRUPULOSO OBS.:ISSO Q DÁ A “JUSTISSA”DEIXAR O DINHEIRO COMPRAR TD MARÇAL Q O DIGA AI CHEGA ESTRANGEIROS QUERENDO MANDAR EM TD INTERFWRINDO NA POLÍTICA VCS ACHAM Q ELE DEFENDE BOLSO À TOA ?ESSE É O X DA QUESTÃO ,TEMOS AGENTES DOS ESTRANGEIROS PARA VIRARMOS COLÔNIA SÃO SABUJOS DE INTERESSES OBSCUROS ESTRANGEIROS !!!

  3. Silvio Torres

    30 de agosto de 2024 10:21 am

    E como sempre aconteceu na nossa triste história, a imprensa encontra fácil vários “especialistas” que ficam contra os interesses do país. Tancredo verbalizou bem da tribuna: “Canalhas! Canalhas! Canalhas!”

  4. Fábio de Oliveira Ribeiro

    30 de agosto de 2024 12:31 pm

    A cobrança de multas deve seguir o rito das Execuções Fiscais, evitando-se ônus exagerado para o devedor. Empresas que cometem ilegalidades podem ser dissolvidas por decisão judicial, mas isso somente pode ser feito através de processo regular em que seja garantido à mesma direito de defesa e de produção de provas. Nenhum dos usuários brasileiros (19 milhões) e anunciantes do Twitter/X (aproximadamente 2.900) não são responsáveis pelos atos tresloucados de Elon Musk e não devem ser punidos por uma decisão judicial num processo em que não foram citados. Tudo bem pesado, a decisão do STF é temerária. Ela não se ajusta aos limites da Constituição e da legislação brasileira, trata-se de um exercício de força bruta que merece ser objeto de crítica e reflexão. Nunca é demais lembrar que no varejo o Judiciário sempre pega leve quando alguém processa uma Big Tech. Mas como o STF se sentiu ofendido resolveu baixar o sarrafo na empresa sem sequer se dar ao trabalho de respeitar os limites da legislação. Isso é inadmissível.

  5. fabricio coyote

    30 de agosto de 2024 2:26 pm

    Aldous Huxley foi certeiro, em Regresso a Admirável Mundo Novo: “antes de chegarmos à realidade de Admirável Mundo Novo, passaremos pelas previsões de 1984, de George Orwell”. Estamos imersos na mais perfeita distopia, vigiados e lenientes, fornecendo informações ao Grande Irmão.

  6. Luiz

    30 de agosto de 2024 3:43 pm

    Meu caro,

    esperar a mídia aziaga do Brasil fazer jornalismo é enxugar gelo. Desde há muito, os donos dessas geringonças (?) estão se lixando para a ética, o respeito e a decência no que um dia foi o ofício sagrado do Jornalismo. Com as ditas redes sociais (?!!), tem-se que qualquer beócio ou boçais (os tais influencers), como pontuou Umberto Eco, tem voz e fala maior, mas muito maior que os aquários e os miquinhos amestrados das redações. Esse bilionário precisa de um castigo tal ou qual o russo do Instagram, pois ambos se acham acima do bem e do mal e dos ditos Estados nacionais. Couro nele…

  7. Francisco Santos

    31 de agosto de 2024 3:05 pm

    Brasil na vanguarda da salvaguarda da garantia dos direitos do estado e da população através do STF
    Nosso STF tenta dar um jeito de barrar o faroeste em que se transformaram as redes sociais e evitar de todo o modo que as redes influenciam idiotas, atoleimados e analfabetos políticos, por meio de calhordas que se dizem de estrema direita, a defecar, destruir e desrespeitar as instituições deste país
    Parabéns ao STF, ainda queima a chama do amor verdadeiro à nossa pátria e à civilidade

  8. Mario Santos

    31 de agosto de 2024 3:29 pm

    O Musk é testa de ferro do chamado “deep state”, a compra de todas essas empresas
    que ele faz, quem na verdade compra é o estado americano. O Musk serve para esse
    propósito de dá ar de “mercado”, mas não tem nada de mercado é controle do governo
    americano.

    Assim acontece com todas outras grandes mídias, o governo americano é quem controla.
    E quem não os submentem eles proibem nos países deles, como foi o caso do tiktok,
    telegram.

  9. AMBAR

    31 de agosto de 2024 6:37 pm

    Muito me estranha que os usuários do X não tenham disponibilidade sobre os seus dados. O tão mal falado Telegram disponibiliza aos seus usuários a totalidade dos suas atividades para download e ainda permite que o usuário os elimine bem como o de seu interlocutor a qualquer tempo no próprio aplicativo. Ah! e não exige que a gente assine um termo de uso vendendo a alma, o espírito e os dados sensíveis.

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