Atualizada para inclusão de nota da Fundação Lemann, como Direito de Resposta
O jogo de Ellon Musk, imiscuindo-se na política brasileira, tem uma lógica de negócios.
- A Fundação Lemann, que assessora o Ministério da Educação, montou um grupo para trabalhar a questão da informatização das escolas. Um grupo curioso, de bilionários que entrariam apenas com indicações, não com dinheiro.
- A Fundação montou uma proposta de edital que só poderia ser atendido pela Starlink, empresa de satélite de Elon Musk. A jogada consistia em exigir uma determinada velocidade, impossível de ser oferecida pelos concorrentes, e que não alteraria em nada os objetivos pedagógico do projeto.
- A jogada de Lemann era óbvia: abrir caminho para futuros negócios com Musk.
- Houve denúncias da imprensa alternativa e da convencional, a partir da descoberta da manobra por Fernando Horta, e o MEC decidiu rever os termos do edital. ““Diante das ponderações em relação ao texto técnico que trata dos parâmetros de conectividade […], determinei a suspensão imediata dos dispositivos da Portaria nº 33”, escreveu Camilo Santana no X (ex-Twitter).
Apenas reforça a ideia de que a maior ameaça à estabilização política brasileira é o clube dos bilionários liderada por Lemann. É ele que está por trás das investidas do Ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, propondo a cassação da concessão da Enel – pelo problemas em São Paulo – e nada falando sobre os problemas da Equatorial – cria de Lemann – no Rio Grande do Sul.
Aliás, se houver uma segunda Lava Jato, a porta de entrada serão os lobbies de Alexandre Silveira. Comete-se a mesma imprudência que foi entregar postos chaves da Petrobras ao Centrão para garantir a governabilidade.
Nota da Fundação Lemann – Direito de Resposta
Leia também:
DOUGLAS BARRETO DA MATA
7 de abril de 2024 3:17 pmImprudência?
Nassif, boa fé tem limites.
Nesse nível de jogo político não há imprudência, há cálculo de risco, ou popularmente, “joga o barro na parede e vê se cola”.
Não se tratam de personagens de uma primeira vez no governo, e/ou que sejam inexperientes.
Temos no núcleo central de poder ex gobernadores, parlamentares de longa biografia, quadros acostumados e ambientados aos corredores palacianos.
Será que é tão difícil de enxergar que o capitalismo e suas elites, principalmente na periferia, não podem ser contidos por regras?
A normatização jurídica das nossas sociedades pode ser descrita pelos dizeres da nossa bandeira:
Ordem, para os pobres.
Progresso, para os ricos.
São contextos e personagens distintos, mas quanto assistimos documentários sobre Che, trabalhando nas indústrias cubanas, abrindo mão de tudo para morrer na Bolívia, sujo, doente e maltrapilho, ou de Allende, Mandella, ou de Pepe Mujica, dá uma inveja danada.
Ingenuidade minha?
Certamente.
Porém, como é reconfortante ver líderes que foram imunes ao desvario e deslumbre dos salamaleques das “cortes presidenciais”.
O nome disso é consciência de classe e do papel histórico que representavam.
Lula nunca teve consciência alguma.
Nem quando era um peão metalúrgico reacionário, movido a churrasco, futebol, cachaça e bens de consumo de gosto duvidoso, nem agora, um cafona deslocado e obcecado pela própria imagem no espelho.
Argh.
AMBAR
7 de abril de 2024 7:39 pmDe longe a terra é azul e pacífica, paira no espaço como uma luninária perfeita. De longe o presidente tem poderes ilimitados e pode governar como quiser, já de perto, “ninguém é normal”. É muito fácil falar sobre lutas políticas e as concessões que os menos favorecidos têm que fazer pela sobrevivência das ações e idéias por que lutam. O que claro, entretanto, para quem olha de perto ou de longe é que quem tem dinheiro tem poder, e quem tem poder dita as regras. Engana-se quem pensa que os governos são soberanos e livres para tomarem decisões. Governos hoje são meras extensões do capital e das corporações, e neles só permanecem quem interessa ao lucro dos poderosos.
Maria Neuma
8 de abril de 2024 5:52 pmConcordo com você que o exercício do poder a nível de países tornou-se muito complexo depois da intensificação da globalização com a formação de cartéis, tipo blocos políticos que impõem seus interesse de dominação sempre com prejuízo da periferia capitalista e exclusão absurda dos trabalhadores mais pobres.
Eusébio
8 de abril de 2024 11:51 pmConcordo com quase tudo. Só acho que, atualmente, com as informações que temos,Che Guevara não foi lá aquele herói. Os demais sim: Allende,Mujica, Mandela. É de dar inveja, realmente!
Valdir
7 de abril de 2024 3:30 pmO Brasil sempre foi governado para os ricos. Governado pelos ricos e por “intocáveis”. Não tem como citá-los. Sempre que há necessidade dar aparência de democracia se chama um Getúlio ou Lula. Tempos de normalidade pode-se chamar Temer ou Bolsonaro.
Fábio de Oliveira Ribeiro
7 de abril de 2024 3:58 pmMusk tentou enfiar uma fábrica de carros elétricos da Tesla no Brasil durante o governo Bolsonaro. Ele fracassou e agora terá que concorrer com montadoras que investiram para fazer carros elétricos aqui com apoio do governo Lula. Ele precisa tensionar a sociedade brasileira para garantir o retorno do bolsonarismo à presidência.
Roberto Hermann Craesmeyer
24 de abril de 2024 2:51 pmExatamente. Ele perdeu a chance e agora quer criar outra.
Raul Mass
7 de abril de 2024 4:58 pmA população de Itumbiara -GO (pelo menos) também está de cabelos em pé com a Equatorial: apagão em cima de apagão, segundo dizem.
Rui Ribeiro
7 de abril de 2024 5:12 pmElon Musk teria perguntado ao Alexandre de Moraes porque tanta censura no Brasil. Ora, cabe aos Brasileiros perguntarem ao Elon Musk porque tantas contas falsas e perfis fakes disseminando fake news no twitter
lúcia bertini
8 de abril de 2024 8:45 ammelhor comentário
Carlos Lima
7 de abril de 2024 9:09 pmNassif, estamos abdicando de informações, a um um mês e meio,informei, no Instagram do senador Paulo Pain, uma violeta pauta de extrema direita, o que há é atraso de resposta, porém esse bilionários de redes sociais, não podem dominar o mundo, principalmente um drogado. Esta faltando ainda pulso das instituições brasileiras, inclusive as FFAA, deixar um idiota desses ameaçar, a nossa soberania, é um erro. Seus satélites, devem serem monitorados, imediatamente, inclusive os seus navios instalações de TI em águas territoriais brasileiras.
Rafael
7 de abril de 2024 11:01 pm“Equatorial … no Rio Grande do Sul”
Essa empresa não atua no norte do país?
Padawan
8 de abril de 2024 12:36 amSer rico para os filósofos da Antiguidade era ter muitas possibilidades. Hoje ter dinheiro 💰 é ser rico, ainda que a mente seja limitada e doentia. Xandão sabe que é rico? EM não sabe, mas tem dinheiro…
Doralvino Sena
8 de abril de 2024 7:19 amBrilhante, vc foi exatamente no ponto crucial da discussão.
Milton
8 de abril de 2024 9:04 amAqui no Rio Grande do Sul a Equatorial repassou aos particulares a poda de árvores que podem colocar em risco suas redes. Sempre fizeram esse serviço e de uma hora para outra repassam ameaçando os particulares / consumidores com os custos de eventuais acidentes causados pelas ventanias que recrudescem por aí.
Será que pretendem passar aos particulares a manutenção de suas redes ?
Gostam muito de privatizações mas detestam arcar com os ônus da prestação dos serviços.
Grupo de abutres e nada mais.
Joao
8 de abril de 2024 11:07 amO golpe já havia iniciado e agora vai acelerar
Se o governo continuar com a postura republicana e conciliadora, vai cair
Gustavo Horta
8 de abril de 2024 11:57 amFaz algum tempo que publiquei uma crônica sobre as corporocracias, as demo-cracias do demo, do dinheiro, dos bilionários nas sociedades, anônimas ou não.
Não me iludo.
A caminho a ser percorrido é longo e não é pavimentado. Ao contrário. A caminhada será sofrida, se for possível seguir caminhando. Já foi interrompida algumas vezes em nossa história e muito bem ensinou o José Dirceu em discurso recente no senado.
Pobre povo brasileiro. Iludido é manipulado, em todas as esferas sociais.
Pobre povo brasileiro, distraído, atraído, traído, subtraído, destruído.
Pobre povo brasileiro, esculachado, escrachado, esculhambado, arregaçado.
Pobre povo brasileiro. Pobres de nós.
Rosangela Brandão Monteiro
8 de abril de 2024 2:36 pmGostei muito !
Pietro Mignozzetti
8 de abril de 2024 3:57 pmPrezado Nassf , boa tarde!… muito importante essa sua informação !… temos sim, que boicotar os produtos do Lemann e não adquirir nada nas lojas americanas !… essa fundação Lemann é para inocular a mente de jovens que imaginam e acreditam que estarão progredindo pessoalmente, mas que serão doutrinados ao “empreendedorismo” e serão meros robôs do Lemann e do “astronauta” Musk !… ele que vá para Marte e fique por lá!… quem siga em frente e derreta no Sol !…
Rafael Ramos
8 de abril de 2024 4:57 pmNão é muita coincidência dois bilionários americanos, John Textor e Elon Musk, tirarem o Brasil de República das Bananas em menos de duas semanas? Pode ser só método.
Clever Mendes de Oliveira
9 de abril de 2024 4:44 amLuis Nassif,
Em princípio diria “Much Ado About Nothing”!
Não totalmente, pois na briga entre Musk e Morais, talvez tudo não passe de uma tentativa de camuflagem.
Veja o seguinte link no Aljazeera:
https://www.aljazeera.com/economy/2024/4/9/tesla-settles-lawsuit-over-fatal-car-crash-for-undisclosed-amount
O título do link é “Tesla settles lawsuit over fatal Autopilot crash for undisclosed amount” e é bem explicativo. Depois vi também a materia na CNN, mas dizem que uma é parente da outra.
A matéria no Al Jazeera está datada de 9 de abril. Musk sabe escolher o adversário e o local para brigar de modo a esconder o que a ele interessa esconder.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/04/2024
Cyberpunk
9 de abril de 2024 12:31 pmA Complexa Teia da Privacidade de Dados em um Mundo Conectado
Na era da informação, a privacidade de dados tornou-se um dos temas mais discutidos e controversos, especialmente diante da capacidade das empresas multinacionais de coletar, armazenar e processar vastas quantidades de dados pessoais. Grande parte dessa discussão gira em torno de como esses dados são manuseados por empresas sediadas nos Estados Unidos, onde legislações específicas e práticas de vigilância têm gerado preocupações globais sobre a segurança e a privacidade dos indivíduos.
Legislações Americanas e Acesso a Dados
Dois instrumentos legais norte-americanos, a Seção 702 do Foreign Intelligence Surveillance Act (FISA) e a Executive Order 12333, ilustram a amplitude dos poderes concedidos às agências de inteligência dos EUA para coletar dados. A Seção 702 autoriza a coleta de comunicações de estrangeiros fora dos EUA sem a necessidade de mandados, fundamentando-se na premissa de segurança nacional. Já a Executive Order 12333 estende esses poderes, permitindo a coleta de informações em larga escala, inclusive fora do território americano, sem supervisão judicial significativa
O Caso Schrems II e a Tensão Transatlântica
A relação entre privacidade de dados e transferências internacionais foi posta em destaque pelo caso Schrems II, uma disputa legal que questionou a adequação da proteção de dados pessoais transferidos da União Europeia para os Estados Unidos. A decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia invalidou o Privacy Shield, um acordo que permitia a transferência de dados entre a UE e os EUA, sob o argumento de que as práticas de vigilância americanas não ofereciam garantias suficientes de proteção aos cidadãos europeus. Este caso sublinhou a tensão entre a necessidade de transferências de dados para operações comerciais e a exigência de proteção robusta da privacidade dos indivíduos.
A Abordagem Chinesa
Enquanto isso, a China adotou uma postura rigorosa em relação à privacidade de dados e à soberania digital, implementando leis severas que regulam a coleta e transferência de dados dentro de suas fronteiras. A Lei de Segurança Cibernética e a Lei de Proteção de Informações Pessoais estabelecem um controle estrito sobre dados, exigindo a localização de dados e impondo restrições significativas às empresas estrangeiras, inclusive gigantes americanas como Facebook e Twitter (agora X), que encontram barreiras para operar no mercado chinês devido a essas regulamentações.
Conclusão
A questão da privacidade de dados, encapsulada nas dinâmicas entre legislações americanas, disputas legais europeias e políticas chinesas, reflete um desafio global emergente: equilibrar a livre circulação de dados, essencial para a economia digital, com a proteção da privacidade e soberania digital dos Estados. À medida que avançamos, torna-se imperativo que discussões internacionais e frameworks cooperativos se desenvolvam para abordar estas questões complexas, garantindo que os direitos dos indivíduos sejam preservados em um mundo cada vez mais interconectado e digitalizado.
Cyberpunk
9 de abril de 2024 12:38 pmA Complexa Teia da Privacidade de Dados em um Mundo Conectado
Na era da informação, a privacidade de dados tornou-se um dos temas mais discutidos e controversos, especialmente diante da capacidade das empresas multinacionais de coletar, armazenar e processar vastas quantidades de dados pessoais. Grande parte dessa discussão gira em torno de como esses dados são manuseados por empresas sediadas nos Estados Unidos, onde legislações específicas e práticas de vigilância têm gerado preocupações globais sobre a segurança e a privacidade dos indivíduos.
Legislações Americanas e Acesso a Dados
Dois instrumentos legais norte-americanos, a Seção 702 do Foreign Intelligence Surveillance Act (FISA) e a Executive Order 12333, ilustram a amplitude dos poderes concedidos às agências de inteligência dos EUA para coletar dados. A Seção 702 autoriza a coleta de comunicações de estrangeiros fora dos EUA sem a necessidade de mandados, fundamentando-se na premissa de segurança nacional. Já a Executive Order 12333 estende esses poderes, permitindo a coleta de informações em larga escala, inclusive fora do território americano, sem supervisão judicial significativa.
O Caso Schrems II e a Tensão Transatlântica
A relação entre privacidade de dados e transferências internacionais foi posta em destaque pelo caso Schrems II, uma disputa legal que questionou a adequação da proteção de dados pessoais transferidos da União Europeia para os Estados Unidos. A decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia invalidou o Privacy Shield, um acordo que permitia a transferência de dados entre a UE e os EUA, sob o argumento de que as práticas de vigilância americanas não ofereciam garantias suficientes de proteção aos cidadãos europeus. Este caso sublinhou a tensão entre a necessidade de transferências de dados para operações comerciais e a exigência de proteção robusta da privacidade dos indivíduos.
A Abordagem Chinesa
Enquanto isso, a China adotou uma postura rigorosa em relação à privacidade de dados e à soberania digital, implementando leis severas que regulam a coleta e transferência de dados dentro de suas fronteiras. A Lei de Segurança Cibernética e a Lei de Proteção de Informações Pessoais estabelecem um controle estrito sobre dados, exigindo a localização de dados e impondo restrições significativas às empresas estrangeiras, inclusive gigantes americanas como Facebook e Twitter (agora X), que encontram barreiras para operar no mercado chinês devido a essas regulamentações.
Conclusão
A questão da privacidade de dados, encapsulada nas dinâmicas entre legislações americanas, disputas legais europeias e políticas chinesas, reflete um desafio global emergente: equilibrar a livre circulação de dados, essencial para a economia digital, com a proteção da privacidade e soberania digital dos Estados. À medida que avançamos, torna-se imperativo que discussões internacionais e frameworks cooperativos se desenvolvam para abordar estas questões complexas, garantindo que os direitos dos indivíduos sejam preservados em um mundo cada vez mais interconectado e digitalizado.
Carlos
10 de abril de 2024 11:12 amEm relação a esta nota resposta, onde tentam destacar “org sem fins lucrativos” fico com minha certeza: Nada é de graça.
Conversa fiada.
E estes cafajestes, com o papo de “liberdade de expressão” apoiam um pulha. Este escroque de musk não passa disso, um escroque.
Velho do Rastelo
11 de abril de 2024 5:30 amÉ verdade esse bilhete.
Roseli Moraes Dias Pinto
11 de abril de 2024 9:06 amNassif tenho tanta, tanta saudades da minha amiga, Regina Nassif, estudamos juntas no Colegio São Domingos fizemos o curso de Magistério.E a tarde íamos a sua casa, para ouvir os discos do Chico Buarque e ler Paulo Freire tudo “escondido”.Envie um grande abraço de muita saudades para ela.