Articulador de privatização, acionista minoritário coloca grupo Lemann em Conselho da Eletrobras

Renato Santana
Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.
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Governo Lula tenta retomar controle da companhia. No dia 26 janeiro, reunião do conselho administrativo da Eletrobras teve a gravação vazada

O tamanho total do capital determina a posição obtida pelo acionista ou seu grupo à mesa do conselho administrativo de uma companhia. Na Eletrobras, vendida no ano passado, acontece bem diferente. 

A gestora 3G Radar, com 1,3% do capital da ex-estatal e com 0,05% das ações ordinárias, que conferem direito ao voto, mas uma porcentagem alocada em posição considerada irrelevante em referência à tomada de decisão. 

Em gravação de uma reunião interna do dia 26 de janeiro obtida pela Folha de S. Paulo, ocorre que o sócio fundador da 3G Radar, Pedro Batista de Lima Filho, aparece como um importante articulador, e já conselheiro pós-privatização.

Indicado pelos acionistas preferenciais, aqueles com mais capital, nas gravações obtidas pela Folha três dos nove conselheiros aparecem indicados pelo sócio da 3G Radar. Não há nenhuma ilegalidade revelada, mas chamou a atenção. 

A 3G Radar tem como sócia a 3G Capital Partners, dos empresários Jorge Paulo Lemann, Marcelo Telles e Carlos Alberto Sicupira. São 15 sócios na gestora. 

Mesmo que qualquer acionista, ou grupo de acionistas, possa indicar uma chapa, o sucesso dela não dependeria apenas de boas ideias, senão da quantidade de garrafas que se tem para colocar sobre a mesa. 

Temer e a 3G Radar  

Uma parte do que explica a capacidade da 3G Radar de se impor no conselho de administração da Eletrobrás envolve a privatização da estatal, que depois de 13 anos de governo do PT voltou a ser pensada durante a gestão de Michel Temer (MDB/SP). 

O desdém de Dilma Rousseff para o projeto chamado “Ponte para o Futuro”, apresentado ainda pelo então vice-presidente, foi usado por Temer para justificar que, por isso, sua presença no Planalto se tornou insustentável. 

Então assim que se apossou da cadeira de Dilma, o agora presidente colocou seu projeto adiante. Entre medidas como flexibilização de leis trabalhistas, estavam as privatizações, e a da Eletrobrás passou a ser pedida por investidores. 

É aí que entra a 3G Radar e Pedro Batista de Lima Filho. A gestora produziu análises e projeções para o governo Temer. Por sua vez, Pedro passou a ser um militante da privatização, sendo um agente do mercado financeiro. 

Todo o plano traçado para privatizar a Eletrobras virou a única proposta de Temer deixada para seu sucessor, Jair Bolsonaro. O ministro da Economia Paulo Guedes, um ativo do mercado financeiro, deseja privatizar todas as estatais.

Privatização  

Dias antes do Senado avalizar a capitalização da Eletrobras, privatizando-a, o ministro das Minas e Energia Adolfo Sachsida recebeu em seu gabinete um grupo de investidores da companhia. 

Pedro Batista estava entre os integrantes do grupo, que levou ao ministro de Jair Bolsonaro uma lista com os nomes propostos para compor a chapa do novo conselho. Guedes recebeu a mesma lista, na Economia. 

Menos de um mês depois da privatização, uma Assembleia Geral de Acionistas elegeu a chapa entregue a Sachsida e Guedes. Um negócio bilionário realizado com Pedro Batista aparecendo como articulador do início ao fim.  

Começo da 3G Radar 

A gestora 3G Radar foi fundada em 2013, ano em que comprou ações da Eletrobras. Conforme Pedro diz na gravação obtida pela Folha, ele estuda o setor energético e a Eletrobras desde 1997. 

Em paralelo aos seus estudos, se tornou um nome do mercado financeiro passando pelos bancos Pactual e UBS. Fundou outra gestora, a Vince Partners. Ou seja, uma caminhada considerada sólida no mercado financeiro. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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