A Polícia Federal (PF) e um consórcio de entidades de direitos humanos acionaram as instâncias superiores da Justiça brasileira para investigar Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O banqueiro é acusado de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual, favorecimento da prostituição e corrupção de menores.
A corporação encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, um pedido de abertura de inquérito. Paralelamente, uma notícia-crime foi protocolada na Procuradoria-Geral da República (PGR) por advogadas e organizações ligadas à proteção de migrantes, solicitando também a notificação do Ministério Público do Trabalho.
As denúncias apontam que Vorcaro financiava uma rede de recrutamento de mulheres estrangeiras, incluindo cidadãs da Rússia, Lituânia, Holanda, México, Venezuela e refugiadas da Ucrânia. O objetivo do esquema seria viabilizar encontros sexuais em festas frequentadas por autoridades públicas, tática que teria sido utilizada pelo banqueiro para estreitar laços políticos e institucionais.
‘Business’ e refugiadas
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela PF detalham a engrenagem do suposto esquema e o tratamento dispensado às vítimas, frequentemente chamadas de “flores”, “escravas” e “kengas”. Em novembro de 2023, o banqueiro escreveu a um interlocutor: “Tem que sobrar alguma refugiada para mim“. Em outro diálogo, de 2024, comentou sobre um grupo de garotas mais jovens: “Nossa creche me consumiu a semana toda kkk. Queria ter duas pirocas“.
A apuração indica que as mulheres eram divididas em categorias (“time A“, mais restrito, e “time B“, para grandes eventos) e tinham os celulares confiscados para evitar registros. Uma jovem prestes a completar 19 anos, identificada como “Mucilon”, teria tido seu “debute” organizado por Vorcaro e um promotor de eventos. Em abril de 2024, após analisar candidatas, o empresário ordenou: “Ucrania e Russia vamos mandar embora“.
Os encontros ocorriam em propriedades do banqueiro no bairro do Itaim Bibi (São Paulo) e em Trancoso (BA), além de hotéis no exterior. Em abril de 2024, um evento patrocinado pelo Banco Master em Londres, com a presença de autoridades de Brasília, reuniu 99 mulheres levadas para trabalhar na ocasião.
Faturas ligadas à logística dos eventos, emitidas como “orçamento antecipado” por uma empresa de consultoria sediada na Flórida, somaram cerca de US$ 70 milhões em um ano, com repasses feitos ao braço financeiro do banco.
Em diálogo com sua então noiva, em agosto de 2025, Vorcaro justificou a presença de garotas de programa em seus eventos: “Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”.
O que diz a defesa
O caso tramita em separado da investigação principal da PF sobre suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master.
O empresário Leonardo Serrano, citado nos relatórios como um dos interlocutores, negou em nota ter “contratado ou convidado mulheres para festas” de Vorcaro e declarou que sua empresa presta “serviços de logística de viagens e eventos, incluindo transporte, hospedagem e concierge“.
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro divulgou a seguinte nota na íntegra:
“A instauração de investigação sobre este tema é absurda. Não há nenhum elemento que a justifique. Causa perplexidade que a Polícia Federal abra um Inquérito com lastro em matérias sensacionalistas. Este assunto está inserido num contexto difamatório perverso. A defesa de Daniel Vorcaro repudia com veemência qualquer tentativa de vinculação de sua pessoa a acusações desta natureza.“
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